O Itaú Unibanco está acelerando sua transformação digital e pretende operar com 100% da sua infraestrutura tecnológica em nuvem até 2028. A estratégia faz parte de um amplo processo de modernização iniciado há mais de uma década e que agora ganha ainda mais relevância com o avanço da inteligência artificial (IA).
Itaú quer operar 100% em nuvem até 2028 e acelerar uso de IA
Itaú planeja operar totalmente em nuvem até 2028 e amplia uso de inteligência artificial para personalizar serviços e ganhar eficiência.
Segundo Ricardo Guerra, diretor de Tecnologia (CIO) do banco, cerca de 70% da plataforma tecnológica da instituição já funciona em ambiente de cloud computing.
A expectativa é concluir a migração dos sistemas restantes nos próximos dois anos, fortalecendo a capacidade do banco de desenvolver novos produtos, melhorar a experiência dos clientes e ampliar o uso da inteligência artificial.
A declaração foi feita durante o Web Summit Rio 2026, um dos principais eventos de tecnologia e inovação da América Latina.
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O que significa operar 100% em nuvem?

A computação em nuvem permite que empresas armazenem dados, executem sistemas e processem informações em servidores remotos, sem depender exclusivamente de infraestrutura física própria.
Na prática, isso traz benefícios importantes para grandes instituições financeiras, como:
- Maior velocidade no desenvolvimento de soluções;
- Escalabilidade para atender milhões de clientes simultaneamente;
- Redução de custos operacionais;
- Atualizações mais rápidas de sistemas;
- Melhor integração com ferramentas de inteligência artificial.
Para o Itaú, a migração representa uma mudança profunda em comparação com os sistemas legados que sustentavam parte das operações do banco há décadas.
Segundo Guerra, a plataforma tecnológica da instituição era baseada em arquiteturas desenvolvidas entre as décadas de 1960 e 1990, exigindo um processo gradual de modernização.
Transformação digital prepara terreno para a inteligência artificial
O avanço da inteligência artificial generativa nos últimos anos não pegou o banco de surpresa.
De acordo com o executivo, os investimentos realizados anteriormente em infraestrutura, cultura organizacional e capacitação profissional permitiram que a instituição estivesse preparada para aproveitar rapidamente as oportunidades trazidas pelos modelos de linguagem avançados, conhecidos como LLMs.
A popularização dessas tecnologias, iniciada no fim de 2022, acelerou um movimento que já vinha sendo planejado internamente.
Por que a nuvem é importante para a IA?
Soluções de inteligência artificial exigem grande capacidade de processamento e acesso rápido a enormes volumes de dados.
Ambientes em nuvem oferecem justamente essa flexibilidade, permitindo que modelos sejam treinados, atualizados e executados com maior eficiência.
Para instituições financeiras, essa combinação abre espaço para serviços mais inteligentes e personalizados.
Como o Itaú já utiliza inteligência artificial
A inteligência artificial já está presente em diversas áreas do banco.
Atualmente, a tecnologia é utilizada para:
Análise de crédito
Modelos de IA ajudam a avaliar perfis de clientes, identificar riscos e acelerar decisões relacionadas à concessão de crédito.
Prevenção a fraudes
Sistemas inteligentes monitoram transações em tempo real para identificar movimentações suspeitas e reforçar a segurança das operações.
Atendimento digital
Segundo o banco, cerca de três quartos das interações realizadas nos canais digitais já passam por sistemas de IA sem necessidade de intervenção humana.
Isso permite respostas mais rápidas e disponibilidade contínua para os clientes.
Recomendações de investimentos
Ferramentas baseadas em inteligência artificial ajudam investidores a encontrar produtos compatíveis com seus objetivos e perfil de risco.
O banco afirma que mais de 100 mil clientes já utilizam recomendações de investimentos por meio de conversas em chat.
Pix pelo WhatsApp é um dos exemplos da nova estratégia
Entre os serviços citados pelo Itaú está a funcionalidade de Pix via WhatsApp.
O recurso permite que o cliente encaminhe informações de pagamento por mensagem e conclua a transferência de forma conversacional, sem precisar navegar por diversas telas do aplicativo.
Esse tipo de experiência faz parte da tendência conhecida como hiperpersonalização, que utiliza dados e inteligência artificial para oferecer serviços mais adequados às necessidades individuais de cada usuário.
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+311 mil seguidores
A expectativa do setor financeiro é que esse modelo se torne cada vez mais comum nos próximos anos.
Banco amplia investimentos em pesquisa e inovação
Além das aplicações já disponíveis para os clientes, o Itaú também vem ampliando seus investimentos em pesquisa tecnológica.
A instituição criou o ICTi (Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú), iniciativa que reúne cerca de 200 pesquisadores vinculados a universidades nacionais e internacionais.
Entre os parceiros acadêmicos estão instituições de destaque mundial, como:
- Massachusetts Institute of Technology
- Stanford University
Atualmente, o instituto mantém aproximadamente 50 projetos em desenvolvimento, sendo que cerca de 35 deles estão relacionados diretamente à inteligência artificial.
O objetivo é acompanhar tecnologias emergentes e desenvolver soluções capazes de gerar vantagem competitiva para o banco.
Desenvolvimento interno ganha prioridade
Outra mudança importante observada nos últimos anos foi a redução da dependência de fornecedores externos para o desenvolvimento de software.
Segundo Ricardo Guerra, o percentual de terceirização nessa área caiu de mais de 40% para aproximadamente 10%.
A estratégia busca aproximar equipes de tecnologia das áreas de negócios, facilitando a criação de soluções alinhadas às necessidades dos clientes e acelerando o lançamento de novos produtos.
Esse movimento acompanha uma tendência global observada em grandes empresas de tecnologia e instituições financeiras, que passaram a considerar o software como um ativo estratégico para a competitividade.
O que muda para os clientes do Itaú?

Embora boa parte da transformação aconteça nos bastidores, os clientes tendem a perceber mudanças práticas nos próximos anos.
Entre os principais impactos esperados estão:
- Atendimento mais rápido e eficiente;
- Recomendações financeiras mais personalizadas;
- Maior segurança contra fraudes;
- Novos serviços digitais;
- Menor tempo para aprovação de produtos e operações;
- Experiências integradas entre diferentes canais.
Com a meta de atingir 100% de operação em nuvem até 2028, o Itaú reforça sua aposta em tecnologia como diferencial competitivo. A combinação entre infraestrutura moderna, inteligência artificial e análise avançada de dados deve se tornar um dos principais pilares da estratégia do banco para os próximos anos, em um mercado financeiro cada vez mais digital e disputado.
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