O avanço dos bancos digitais transformou profundamente o setor financeiro brasileiro nos últimos anos. Instituições tradicionais, que por décadas dominaram o mercado com extensas redes de agências e estruturas robustas, passaram a enfrentar a concorrência de fintechs mais ágeis, digitais e focadas na experiência do cliente.
IA de ponta ajuda a reduzir vantagem tecnológica dos bancos digitais, diz Maluhy
Itaú afirma ter reduzido diferença para fintechs após investimentos bilionários em tecnologia, digitalização e foco na experiência do cliente.
Nesse cenário, o Itaú Unibanco afirma ter conseguido reduzir significativamente a diferença que o separava dessas empresas. Segundo o presidente do banco, Milton Maluhy Filho, a instituição avançou na modernização tecnológica, simplificou processos internos e fortaleceu sua cultura organizacional para competir em igualdade de condições com os novos participantes do mercado.
Os resultados financeiros recentes indicam que essa estratégia vem produzindo efeitos positivos. O banco registrou números recordes de lucratividade e rentabilidade, ao mesmo tempo em que acelera sua jornada de transformação digital e prepara uma nova fase baseada em inteligência artificial e computação em nuvem.
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Como o Itaú enfrentou o crescimento das fintechs

Quando Milton Maluhy Filho assumiu a presidência do Itaú em 2021, o banco enfrentava desafios comuns às grandes instituições financeiras tradicionais.
Enquanto as fintechs operavam com estruturas enxutas e sistemas modernos, os grandes bancos carregavam décadas de investimentos em infraestrutura física e sistemas legados, conhecidos no setor como mainframes. Esses fatores dificultavam a velocidade de implementação de mudanças e inovações.
Nos últimos cinco anos, o Itaú promoveu uma ampla reestruturação para reduzir essa diferença competitiva.
Entre as principais medidas adotadas estão:
- Fechamento de quase 2 mil agências desde o final de 2020;
- Consolidação de diversos aplicativos e plataformas em um único Superapp;
- Ampliação dos investimentos em tecnologia;
- Modernização da infraestrutura digital;
- Fortalecimento da cultura centrada no cliente.
A estratégia busca oferecer uma experiência mais simples, integrada e eficiente, aproximando o banco dos padrões de usabilidade e conveniência popularizados pelas fintechs.
Investimento bilionário em tecnologia impulsiona modernização
A transformação digital do Itaú tem sido sustentada por investimentos cada vez maiores em tecnologia.
Em 2025, a instituição destinou R$ 11,735 bilhões para iniciativas tecnológicas, valor 18% superior ao registrado em 2024. O montante foi direcionado para modernização de sistemas, migração para ambientes em nuvem, aprimoramento de segurança digital e desenvolvimento de novas funcionalidades para clientes.
Esse movimento acompanha uma tendência global do setor financeiro. Bancos de grande porte têm acelerado investimentos em tecnologia para aumentar produtividade, reduzir custos operacionais e melhorar a experiência dos usuários.
O fim dos mainframes está no radar
Um dos objetivos mais importantes da estratégia digital do Itaú é o desligamento gradual dos mainframes, sistemas tradicionais que sustentam operações bancárias há décadas.
Embora sejam extremamente confiáveis, esses equipamentos costumam apresentar custos elevados de manutenção e menor flexibilidade para integração com tecnologias modernas.
Segundo a liderança da instituição, a expectativa é concluir esse processo nos próximos dois anos.
A substituição dos sistemas legados por plataformas mais modernas deverá aumentar a velocidade de desenvolvimento de produtos e facilitar a adoção de novas soluções digitais.
Resultados financeiros reforçam a estratégia
A transformação do Itaú ocorre paralelamente à manutenção de indicadores financeiros robustos.
No primeiro trimestre, o banco registrou lucro líquido de R$ 12,3 bilhões e retorno sobre patrimônio líquido (RoE) de 24,8%, um dos indicadores mais observados pelo mercado financeiro para avaliar a eficiência na geração de resultados.
O desempenho sucede um período de forte crescimento. Em 2023, o Itaú alcançou lucro recorde de R$ 47 bilhões, consolidando-se entre as instituições financeiras mais rentáveis da América Latina.
Para a administração do banco, os resultados demonstram que é possível investir fortemente em inovação sem comprometer a rentabilidade.
Foco em geração de valor
Apesar dos números expressivos, Milton Maluhy Filho evita estabelecer metas públicas específicas para o RoE de 2026.
Segundo o executivo, o objetivo principal continua sendo a geração de valor sustentável acima do custo de capital da instituição.
Na prática, isso significa buscar crescimento lucrativo, mantendo disciplina na alocação de recursos e foco permanente na satisfação dos clientes.
Cultura organizacional é apontada como diferencial
Além da tecnologia, a liderança do Itaú atribui parte importante da transformação à evolução da cultura corporativa.
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+311 mil seguidores
Com aproximadamente 90 mil colaboradores, conhecidos internamente como “Itubers”, o banco tem investido na capacitação de equipes e na criação de um ambiente mais adaptável às mudanças do mercado.
Especialistas em gestão costumam destacar que processos de transformação digital não dependem apenas de sistemas modernos. O engajamento das equipes e a capacidade de adaptação da organização são fatores determinantes para o sucesso de projetos dessa magnitude.
Por isso, o Itaú tem buscado combinar inovação tecnológica com desenvolvimento humano.
Inteligência artificial marca a próxima etapa

Após avançar na digitalização e modernização da infraestrutura, o Itaú já direciona atenção para a próxima fase de sua transformação: a inteligência artificial.
O setor bancário global vem ampliando o uso de IA em áreas como:
Atendimento ao cliente
Ferramentas inteligentes podem agilizar respostas, personalizar interações e reduzir o tempo de resolução de demandas.
Análise de crédito
Modelos avançados ajudam a identificar riscos e oportunidades com maior precisão.
Prevenção a fraudes
A inteligência artificial permite monitoramento em tempo real e identificação mais rápida de comportamentos suspeitos.
Eficiência operacional
Processos internos podem ser automatizados, reduzindo custos e aumentando a produtividade.
Para o Itaú, a combinação entre IA, computação em nuvem e plataformas modernas deverá ampliar a capacidade de inovação nos próximos anos.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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