O banco Itaú, um dos maiores do país, está no centro de uma nova polêmica. Sindicatos de bancários acusam a instituição de usar seu programa de “linha de cuidados” para pressionar e constranger trabalhadores afastados por motivos de saúde. As denúncias apontam práticas que estariam violando direitos básicos, incluindo convocações indevidas, exposição de informações pessoais e ameaças veladas de punição.
Itaú usa linha de cuidados para pressionar bancários afastados, denunciam
Sindicato denuncia que Itaú usa “linha de cuidados” para constranger bancários afastados, com convocação médica e possível punição por faltas.
Entenda o que é o programa de cuidados do Itaú
Origem do programa
O programa de cuidados foi criado pelo setor de saúde ocupacional do banco com o objetivo declarado de acompanhar e oferecer suporte aos funcionários em licença médica. Segundo o banco, a intenção é garantir que os trabalhadores recebam o acompanhamento necessário para uma recuperação adequada e um retorno seguro às atividades.
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Como o programa funciona na teoria
De acordo com os protocolos internos, o programa prevê contatos periódicos com os funcionários afastados, realização de entrevistas médicas e, quando necessário, orientações sobre saúde mental, física e social.
O que está sendo denunciado pelos sindicatos
Segundo denúncias, a prática tem sido diferente do discurso oficial. Representantes sindicais relatam que os trabalhadores estão sendo convocados para comparecer presencialmente às unidades do banco, mesmo durante licenças médicas amparadas por perícia oficial ou por decisão judicial.
Casos relatados pelos bancários
Convocações durante afastamento
Diversos bancários afastados por licença médica afirmam ter recebido notificações exigindo presença em entrevistas de saúde organizadas pelo banco. Muitos desses funcionários já haviam passado por perícia do INSS e possuíam laudos médicos que justificavam a ausência ao trabalho.
Pressão emocional e constrangimento
Há relatos de que, durante as entrevistas, os funcionários são submetidos a perguntas invasivas, que vão desde hábitos pessoais até atividades nas redes sociais. Alguns bancários relataram que foram questionados sobre o motivo de estarem ativos em perfis online enquanto estavam afastados do trabalho.
Ameaças de sanções disciplinares
Outro ponto grave nas denúncias é a ameaça de aplicação de sanções disciplinares em caso de não comparecimento às convocações. Funcionários relataram medo de perder benefícios ou até mesmo o emprego.
Posicionamento oficial do Itaú
Alegação de erro operacional
Diante da repercussão negativa, o banco afirmou que as convocações feitas aos funcionários afastados teriam sido resultado de um erro de sistema. Em nota interna, o Itaú garantiu que não haverá nenhum tipo de punição aos trabalhadores que não compareceram aos agendamentos.
Compromisso de revisão de processos
A instituição também se comprometeu a revisar os procedimentos internos relacionados ao programa de cuidados, prometendo maior atenção aos direitos dos trabalhadores afastados.
Reações dos sindicatos
Pedido de suspensão imediata
O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e outras entidades representativas exigem a suspensão imediata do programa de cuidados, ao menos enquanto não houver uma revisão completa das suas práticas.
Denúncia de assédio institucional
Os sindicatos classificaram as ações do banco como assédio institucional, alegando que o Itaú estaria agindo de forma sistemática para pressionar trabalhadores adoecidos, desrespeitando os afastamentos concedidos pela Previdência Social.
Pedido de emissão de CAT
Além de solicitar a suspensão do programa, as entidades sindicais cobram a emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) nos casos em que o adoecimento seja relacionado ao ambiente profissional.
Aspectos legais envolvidos

Limitações do empregador
De acordo com a legislação trabalhista brasileira, enquanto o funcionário estiver afastado por decisão do INSS ou por medida judicial, o empregador não pode exigir o comparecimento presencial do trabalhador para novas avaliações médicas.
Direito à privacidade
As perguntas de cunho pessoal feitas durante as entrevistas também levantam questionamentos jurídicos. O direito à privacidade é garantido por lei, e a exposição de informações não relacionadas diretamente à função do trabalhador pode configurar abuso de poder.
Possibilidade de ações judiciais
Diante da situação, advogados trabalhistas já alertam que os bancários podem ingressar com ações por danos morais caso comprovem constrangimento, assédio ou violação de direitos.
Impactos sobre a saúde mental dos trabalhadores
Agravamento de quadros de ansiedade e depressão
Psicólogos que acompanham alguns dos funcionários afetados relatam que as convocações têm causado aumento nos níveis de ansiedade e, em casos mais graves, episódios de depressão.
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Insegurança e medo de perder o emprego
O temor de represálias e de futuras punições tem levado muitos bancários a buscar orientação jurídica preventiva para proteger seus direitos.
Reflexos no ambiente de trabalho
Mesmo os funcionários que não estão afastados relatam clima de tensão nas agências e nos departamentos, com receio de que a situação possa se estender a outros casos.
O que os especialistas recomendam aos trabalhadores
Manter documentação organizada
Os especialistas orientam os bancários a guardar todas as comunicações feitas pelo banco, bem como laudos médicos, atestados e decisões do INSS.
Procurar o sindicato
O apoio do sindicato é essencial nesse tipo de situação. As entidades têm advogados especializados que podem orientar sobre os melhores caminhos a seguir.
Não comparecer sem orientação médica
Profissionais de saúde recomendam que o trabalhador só compareça a qualquer tipo de avaliação presencial se estiver liberado por seu médico assistente.
Próximos passos
Negociação com o banco
Os sindicatos esperam abrir um canal oficial de negociação com o Itaú para discutir soluções que respeitem os direitos dos trabalhadores afastados.
Fiscalização de órgãos públicos
Entidades como o Ministério Público do Trabalho devem ser acionadas para investigar o caso e tomar providências legais.
Acompanhamento contínuo
As denúncias devem continuar sendo monitoradas para garantir que episódios semelhantes não se repitam, protegendo os direitos dos bancários.
Conclusão
As denúncias contra o Itaú envolvendo o programa de cuidados voltaram a colocar em pauta a importância do respeito aos direitos trabalhistas e à saúde dos trabalhadores. O episódio evidencia como políticas internas, quando mal conduzidas, podem gerar sofrimento, medo e até consequências legais para a empresa. A mobilização dos sindicatos e a pressão por parte da categoria devem ser determinantes para os próximos desdobramentos desse caso.
