A Itaúsa, reconhecida pela forte política de proventos e pela estabilidade de seu portfólio, está prestes a abrir um novo capítulo na sua estratégia de remuneração aos acionistas. Declarações recentes da diretora financeira, Priscila Grecco, indicam que o portfólio não financeiro da holding ganhou força suficiente para ampliar dividendos, reduzindo a dependência histórica do Itaú Unibanco. Esse movimento coincide com ganhos estruturais previstos pela Reforma Tributária e projeta um cenário mais favorável para investidores no médio e longo prazo.
ITSA4: o fim do pague-e-receba do Itaú e a estratégia para viver só dos dividendos futuros
Itaúsa sinaliza novo salto nos dividendos graças ao avanço do portfólio não financeiro e às mudanças da Reforma Tributária. Entenda o impacto para investidores.
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A trajetória de uma gigante de dividendos
A Itaúsa se consolidou ao longo das últimas décadas como uma das maiores pagadoras de dividendos da B3. Esse desempenho sempre esteve ligado à elevada distribuição do Itaú Unibanco, mas a diversificação para setores estratégicos fortaleceu a holding.
Com valor de mercado estimado em R$ 128 bilhões, a Itaúsa controla ou participa de empresas que juntas somam cerca de R$ 170 bilhões, chegando a R$ 177 bilhões quando ajustadas ao valor justo em ativos não listados.
Composição do portfólio atual da Itaúsa
Empresas integrantes
- Itaú Unibanco (ITUB4)
- Dexco (DXCO3) – materiais de construção
- Alpargatas (ALPA4) – marcas de calçados
- Motiva (MOTV3) – infraestrutura e transporte
- Aegea – saneamento básico
- Copa Energia – gás liquefeito
- NTS – transporte de gás natural
A diversidade desse portfólio tem se mostrado essencial para a evolução dos resultados, inclusive no âmbito da remuneração ao acionista.
A maior distribuição de dividendos da história da Itaúsa
O anúncio histórico
A Itaúsa divulgou o maior pagamento de dividendos de sua história: R$ 8,7 bilhões em dividendos extraordinários, totalizando quase R$ 11,9 bilhões distribuídos em 2025 — um avanço de 24% em relação ao ano anterior.
Com isso, o dividend yield projetado varia entre 9% e 10%, reforçando a posição da holding entre os destaques da bolsa para quem busca renda passiva.
Influência da Reforma Tributária na distribuição
A antecipação de pagamentos também foi motivada pela Reforma Tributária, que altera a tributação de proventos a partir de 2027. A medida funciona como uma otimização fiscal e beneficia diretamente os acionistas.
O novo motor de crescimento: o portfólio não financeiro
De coadjuvante a protagonista
Segundo a CFO Priscila Grecco, os dividendos provenientes do portfólio não financeiro cresceram de cerca de R$ 500 milhões há três anos para aproximadamente R$ 850 milhões em 2025. Esse salto de quase 18% desde 2022 mostra o fortalecimento das empresas que fazem parte da estratégia de diversificação da holding.
Fatores que impulsionam a evolução
Crescimento orgânico
Empresas como Aegea e NTS têm apresentado resultados sólidos em segmentos essenciais, como saneamento e infraestrutura energética.
Eficiência operacional ampliada
A Itaúsa tem atuado de forma mais ativa na governança das controladas, estimulando melhorias de margens e maior sinergia entre os negócios.
Reequilíbrio do portfólio
A entrada de novos ativos e o desempenho consistente de Dexco, Copa Energia e Motiva reforçaram a estabilidade da holding.
Impacto na política de dividendos
A evolução das receitas dessas empresas criou condições para uma nova diretriz: distribuir dividendos que ultrapassem o repasse do Itaú Unibanco. Para Grecco, esse ajuste deve se consolidar no médio e longo prazo, reforçando o poder de geração de valor da holding.
A valorização das ações e o ‘desconto injusto’ observado pela administração
Desempenho das ações frente ao mercado
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As ações ITSA4 acumulam alta de quase 46% no ano, contra 24% do Ibovespa. Apesar dessa forte performance, a Itaúsa ainda negocia com desconto relevante em relação ao valor de mercado de suas participações.
Ainda existe desconto? Sim
Mesmo com a valorização, o cálculo da holding aponta:
- Valor de mercado da holding: R$ 128 bilhões
- Valor do portfólio listado: R$ 170 bilhões
- Valor total estimado com ativos não listados ajustados: R$ 177 bilhões
A diferença implica um desconto entre 25% e 28%, considerado excessivo pela empresa. Esse cenário pode representar uma oportunidade para investidores focados em longo prazo.
Reforma Tributária: menos impostos, mais caixa e maior valorização
O ganho fiscal que altera o jogo
A partir de 2027, a Itaúsa não terá mais a cobrança de PIS/Cofins sobre os juros sobre capital próprio recebidos das controladas. O impacto direto é a economia anual de R$ 600 milhões a R$ 650 milhões.
Essa economia deve:
- Aumentar a capacidade de pagamento de dividendos
- Reduzir o desconto das ações
- Aumentar previsibilidade financeira
- Fortalecer a tese de valorização de ITSA4
Um driver estrutural para o crescimento
A combinação entre economia fiscal e expansão do portfólio não financeiro posiciona a holding em um novo patamar de eficiência e rentabilidade. Com múltiplos motores de crescimento, a Itaúsa fortalece sua capacidade de gerar retornos previsíveis para acionistas.
Conclusão
A Itaúsa está à beira de um novo ciclo de remuneração ao acionista, sustentado pelo crescimento robusto do portfólio não financeiro e pelos impactos positivos da Reforma Tributária. O momento é favorável para investidores, especialmente diante do desconto ainda presente nas ações ITSA4. A nova dinâmica tende a tornar a holding ainda mais sólida, diversificada e preparada para ampliar dividendos de forma consistente.
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