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‘Banco tradicional morreu’: a declaração que pode incendiar a disputa entre Itaú e Nubank

Itaúsa mantém 37% no Itaú, reforça foco digital e comenta desafios em Alpargatas, Aegea e Copa Energia, priorizando crescimento sustentável.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
Itau

A Itaúsa, uma das holdings mais importantes do País, completou 50 anos consolidando uma estratégia que combina preservação de ativos históricos com a busca por novas frentes de crescimento. Durante evento na B3, o CEO Alfredo Setubal reafirmou o compromisso da companhia com o Itaú Unibanco, deixou claro que não pretende reduzir participação na instituição financeira e apresentou um panorama detalhado sobre os desafios e oportunidades presentes no portfólio do grupo.

Ao longo do encontro, Setubal destacou temas como transformação digital, desempenho competitivo frente às fintechs, governança corporativa, sustentabilidade e o futuro das empresas investidas. Também reconheceu erros do passado e apontou aprendizados que moldam os próximos passos da holding.

A seguir, veja uma análise aprofundada e organizada sobre os principais pontos levantados pelo executivo, com contextualização de mercado, impactos para investidores e perspectivas para os próximos anos.

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A estratégia da Itaúsa e a importância do Itaú Unibanco

O Itaú permanece como o núcleo estratégico da holding

O CEO foi direto ao afirmar que a Itaúsa não considera reduzir sua fatia de aproximadamente 37% no Itaú Unibanco. Segundo ele, a instituição bancária continuará sendo “a âncora” do portfólio.

Esse posicionamento reafirma a relevância da presença histórica do banco na composição acionária do grupo e afasta rumores recorrentes sobre eventuais desinvestimentos para acelerar a diversificação de ativos. Para Setubal, a concentração de risco — muitas vezes vista como um desafio — foi justamente o que permitiu que a Itaúsa se fortalecesse ao longo das décadas.

Desempenho do banco e competitividade no setor financeiro

Durante o encontro, o executivo reforçou a visão de que o Itaú Unibanco mantém uma trajetória sólida, com resultados robustos frente à concorrência cada vez mais intensa das fintechs. A digitalização do setor bancário transformou o ambiente competitivo, mas Setubal considera que o Itaú conseguiu se adaptar de forma eficiente.

Embora fintechs como o Nubank tenham crescido de forma acelerada, o CEO destaca que o modelo de um banco universal, oferecendo serviços completos, é muito mais complexo e robusto. A amplitude operacional exige investimentos contínuos em tecnologia, compliance, atendimento e infraestrutura, características que, na visão dele, diferenciam o Itaú dos novos players.

A transformação digital no Itaú e o futuro das agências físicas

A visão de Setubal sobre o fim do modelo tradicional

Em um dos trechos mais incisivos da apresentação, Alfredo Setubal afirmou que o modelo tradicional de agências físicas — que marcou a história dos bancos no Brasil — está “morto”.

Segundo ele, o caminho já está traçado: a digitalização é irreversível e deve continuar guiando a estratégia do Itaú. Isso não significa o fim completo das unidades físicas, mas sim uma mudança no propósito desses espaços, que se tornam cada vez mais consultivos, enquanto as transações rotineiras migram integralmente para o ambiente digital.

Internacionalização limitada

Setubal também reforçou que uma expansão internacional agressiva é improvável. Na época da fusão com o Unibanco, em 2008, o banco chegou a vislumbrar a ideia de crescer em outros continentes. Mas, ao longo do tempo, a organização compreendeu que não possui a mesma especialização digital de instituições que já nasceram globais ou totalmente online.

Com isso, a prioridade passa a ser fortalecer operações nos mercados já existentes, otimizando eficiência e mantendo foco no ambiente regulatório e competitivo brasileiro.

Aumento expressivo de acionistas pessoas físicas

Itaúsa se aproxima de 1 milhão de acionistas

Outro dado importante apresentado por Setubal foi o salto no número de acionistas pessoa física. Desde 2015, quando a Itaúsa tinha cerca de 40 mil investidores individuais, o número se multiplicou e está prestes a atingir 1 milhão.

Esse movimento acompanha uma tendência nacional: o crescimento acelerado da base de CPFs na Bolsa brasileira, impulsionado por maior inclusão financeira, plataformas de investimento mais acessíveis e juros mais baixos em determinados períodos.

Para a Itaúsa, o aumento da pulverização acionária fortalece o papel da holding como referência de estabilidade e governança no mercado brasileiro.

Compromisso com sustentabilidade e governança

O executivo também reforçou o protagonismo da Itaúsa em temas ESG. Em parceria com as empresas investidas, a holding pretende manter a liderança em práticas sustentáveis, apoiar negócios estratégicos, incentivar inovação e promover ganhos de produtividade.

Essa agenda fortalece a competitividade das empresas do portfólio e atende à crescente exigência do mercado por transparência e responsabilidade ambiental e social.

Alpargatas: erros, aprendizados e o desafio da recuperação

A entrada na companhia e os problemas enfrentados

Um dos pontos mais delicados da fala de Setubal foi o reconhecimento dos erros na gestão da Alpargatas. A Itaúsa adquiriu participação na tradicional fabricante de calçados em 2017, mas, segundo Setubal, “se perdeu um pouco na gestão” nos anos seguintes.

A empresa passou por uma fase turbulenta, especialmente entre 2021 e 2022, quando as ações sofreram forte queda após a tentativa de diversificação internacional com a aquisição da Rothy’s, nos Estados Unidos. A operação, mal recebida pelo mercado, pressionou resultados e impactou diretamente o desempenho da companhia no portfólio da Itaúsa.

Nova liderança e perspectiva de recuperação

Com a chegada de Liel Miranda ao comando, substituindo Roberto Funari, a Alpargatas iniciou uma trajetória de recuperação. O foco da nova gestão é reestruturar processos, melhorar a eficiência operacional e reestabelecer a confiança de investidores e consumidores.

Mesmo assim, a empresa ainda gera prejuízo para a holding. Setubal, porém, demonstrou confiança na capacidade de reversão desses resultados: “Aprendemos com erros”.

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Aegea e Copa Energia: perspectivas de abertura de capital

Aegea: IPO como possibilidade futura

O CEO sinalizou que, em algum momento, a Aegea — uma das maiores empresas de saneamento do País — deve abrir capital. Ainda que não exista um cronograma definido, o movimento é visto como natural para impulsionar o crescimento da companhia, especialmente após a expansão proporcionada pelo novo marco do saneamento.

Copa Energia: processo de maior complexidade

A abertura de capital da Copa Energia, por sua vez, seria mais complexa devido ao perfil de mercado e à necessidade de estruturação para atrair capital. Ainda assim, Setubal destacou que a possibilidade não está descartada e pode ocorrer caso seja preciso aporte para expansão.

Governança, Novo Mercado e estrutura societária

Mudança para o Novo Mercado não está nos planos

Mesmo já cumprindo a maior parte das exigências de governança do Novo Mercado, a Itaúsa não pretende migrar para o segmento premium da B3. Segundo Setubal, a atual estrutura atende às necessidades da companhia e não há motivos estratégicos para a mudança.

Chamamentos de capital estão descartados

O CEO também afirmou que não há expectativa de novos chamamentos de capital nos próximos anos, sinalizando estabilidade financeira e segurança aos acionistas.

O que a estratégia da Itaúsa revela sobre o mercado brasileiro

Reafirmação de confiança no Brasil

Ao finalizar sua fala, Setubal foi categórico ao reforçar que a Itaúsa “acredita no Brasil”. O foco no longo prazo reflete a visão de que, apesar da volatilidade econômica, o País oferece terreno fértil para investimentos sólidos, especialmente em setores estruturais como finanças, energia, saneamento e consumo.

Impacto no mercado e nos acionistas

Para os quase 1 milhão de acionistas pessoas físicas, o discurso reforça estabilidade, transparência e visão de longo prazo. Já para o mercado, a estratégia da Itaúsa reforça que a holding segue sendo um dos principais pilares do capitalismo brasileiro, influenciando setores variados e contribuindo para o desenvolvimento econômico.

Imagem: Criada por IA

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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