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Jair Bolsonaro é condenado a pagar R$ 1 milhão por racismo

As declarações de Jair Bolsonaro que deram origem à ação judicial ocorreram em maio e julho de 2021, quando Bolsonaro ainda ocupava o cargo de presidente da Rep

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
Ex-presidente Jair Bolsonaro falando no microfone

As declarações de Jair Bolsonaro que deram origem à ação judicial ocorreram em maio e julho de 2021, quando Bolsonaro ainda ocupava o cargo de presidente da República. Em transmissões ao vivo nas redes sociais e em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez comentários racistas sobre o cabelo de um apoiador negro.

Entre as falas, o ex-presidente comparou o cabelo do apoiador a um “criatório de baratas” e mencionou piolhos, além de dizer que sua mãe o “cobriria de pancada” se tivesse aquele tipo de cabelo.

Em outra ocasião, Bolsonaro sugeriu que o apoiador seria eleito se existisse uma “cota para feios”. Essas falas, amplamente repercutidas nas redes sociais, geraram grande polêmica e foram interpretadas como ofensas de tom racista e desrespeitosas.

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O julgamento e os impactos das falas de Bolsonaro

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Imagem:  Marcelo Chello / Shutterstock.com

A decisão do TRF-4 foi baseada no entendimento de que as declarações de Bolsonaro configuram uma prática de “racismo recreativo”.

O relator do caso, desembargador federal Rogério Favreto, explicou que esse tipo de comentário, muitas vezes disfarçado como humor, reforça estigmas raciais e contribui para a desumanização das pessoas negras.

O conceito de “racismo recreativo”

O racismo recreativo é uma prática comum, mas extremamente prejudicial, onde piadas e comentários ofensivos são feitos sob a alegação de serem “brincadeiras” ou de estarem dentro de um contexto de humor. Esse tipo de discurso, segundo os magistrados, perpetua a marginalização da população negra e reforça estereótipos negativos que ainda são comuns na sociedade brasileira.

O desembargador Rogério Raupp Rios destacou que a gravidade das falas se acentuou pelo fato de serem proferidas por uma figura pública que ocupava o mais alto cargo do Executivo no país. Ele enfatizou que, embora o apoiador que ouviu as declarações tenha minimizado o impacto das palavras, a repercussão dessas falas foi coletiva, afetando a sociedade como um todo.


O impacto das declarações no racismo estrutural no Brasil

A condenação de Bolsonaro também tem repercussões importantes no combate ao racismo estrutural no Brasil. A procuradora regional da República, Carmen Elisa Hessel, defendeu a necessidade da condenação, lembrando que as falas não apenas ofendem uma pessoa específica, mas reforçam um clima de hostilidade e exclusão para toda a população negra.

O Brasil, como um país marcado por histórias de desigualdade racial, ainda luta contra a discriminação e os estereótipos negativos que afetam milhões de cidadãos negros. O racismo estrutural está presente nas instituições, na educação, no mercado de trabalho e nas relações cotidianas, e falas como as de Bolsonaro alimentam essa realidade.

A decisão judicial também chamou a atenção para o papel das figuras públicas, que, devido à influência de sua fala, devem ser responsáveis pelas consequências de seus discursos, especialmente em temas tão sensíveis como o racismo.


A decisão: condenação de R$ 1 milhão

A sentença do TRF-4 impôs a Bolsonaro e à União a obrigação de pagar R$ 1 milhão em danos morais coletivos. A alegação de que as falas de Bolsonaro atingiram a coletividade e reforçaram o racismo estrutural foi crucial para a decisão do tribunal.

Mesmo que o apoiador de Bolsonaro tenha afirmado não ter se sentido ofendido, o impacto das palavras se estende a todos e é amplificado pela posição de poder ocupada pelo ex-presidente.

Além da indenização, o TRF-4 determinou que os conteúdos racistas fossem removidos das redes sociais de Bolsonaro. A remoção dos vídeos foi considerada uma medida necessária para minimizar os danos causados por suas falas e garantir que o conteúdo não continue disseminando preconceito.


A defesa de Bolsonaro e as alegações de racismo

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A defesa de Jair Bolsonaro, representada pela advogada Karina Kufa, argumentou que as falas não tinham conotação racial e que se referiam apenas ao cabelo do interlocutor. No entanto, essa linha de defesa não foi suficiente para convencer os magistrados, que entenderam que a intenção discriminatória estava clara nas palavras proferidas.

Bolsonaro também tentou desqualificar a acusação, alegando que a criação de um clima de humilhação racial não era sua intenção. No entanto, o TRF-4 considerou as declarações nítidas em seu teor racista, independentemente da intenção do ex-presidente.


Expectativas após a condenação

Bolsonaro
Imagem: Douglas Magno/Agência Senado

Com a condenação por danos morais coletivos, a União também foi responsabilizada pela corte, já que as falas de Bolsonaro ocorreram durante seu mandato presidencial. A condenação visa responsabilizar o Estado pelas atitudes de seus representantes e garantir que situações como essa não se repitam no futuro.

O caso também pode ter repercussões políticas, com novas discussões sobre o papel das figuras públicas e a responsabilidade da União em situações de discriminação. Especialistas apontam que a decisão pode fortalecer legislações de combate ao racismo e influenciar as futuras atuações de outros governantes.


Considerações finais

A segunda condenação de Jair Bolsonaro, desta vez por danos morais coletivos devido a suas declarações discriminatórias, destaca a importância da responsabilização pública por falas que reforçam estigmas raciais.

A sentença de R$ 1 milhão reflete a gravidade do caso, especialmente considerando que as palavras proferidas por uma figura pública têm um impacto coletivo em uma sociedade marcada pelo racismo estrutural.

Além disso, a condenação reafirma a necessidade de um compromisso sério por parte do governo e das instituições públicas em promover um ambiente de respeito e igualdade, onde a discriminação racial não tenha espaço.

Essa decisão judicial não apenas é um reflexo da injustiça histórica enfrentada pela população negra, mas também um passo importante para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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