Em meio ao desgaste do Congresso e às articulações para as eleições de 2026, o governo federal decidiu reacender o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. A iniciativa, liderada por petistas no Legislativo e apoiada pelo Palácio do Planalto, busca conquistar a simpatia do eleitorado ao mesmo tempo em que pressiona o Congresso a discutir um tema impopular entre os parlamentares.
Planalto retoma debate sobre jornada 6×1 aproveitando desgaste legislativo
Planalto mira eleições e reforça pauta pelo fim da escala 6×1 para reduzir jornada semanal. Saiba mais sobre.
Embora a chance de aprovação no curto prazo seja baixa, dada a forte resistência de deputados e senadores, a estratégia do governo é transformar o tema em bandeira política para os próximos anos. Pesquisa de opinião mostra apoio majoritário da população, especialmente entre jovens e trabalhadores desempregados — públicos estratégicos para as eleições.
Neste artigo, entenda o que está em jogo, como funciona a jornada 6×1 e por que o tema voltou ao centro do debate.
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O que é a jornada 6×1 e por que ela está em discussão?

Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite que o empregado trabalhe seis dias consecutivos e tenha direito a um dia de descanso, que pode ser qualquer dia da semana. É a chamada escala 6×1, adotada em setores de operação contínua, como comércio, indústria, hospitais e serviços essenciais.
A carga horária semanal geralmente não ultrapassa 44 horas, distribuídas em jornadas de até 8 horas diárias. Pela regra atual, o trabalhador tem direito a descansar em um domingo a cada sete semanas.
Para críticos, essa escala prejudica a qualidade de vida e contribui para o adoecimento físico e mental dos trabalhadores. Por isso, projetos no Congresso tentam acabar com o 6×1 e instituir jornadas mais curtas sem reduzir salários.
O movimento do governo e as propostas em tramitação
Nesta semana, o Partido dos Trabalhadores protocolou um projeto de lei para extinguir a jornada 6×1 e reduzir a carga semanal para 36 horas, mantendo a remuneração atual. A opção pelo formato de projeto de lei — em vez de Proposta de Emenda Constitucional (PEC) — é estratégica: um PL exige maioria simples, enquanto a PEC exige quórum qualificado de 308 votos.
Antes disso, no início do ano, a deputada Érika Hilton (PSOL-SP) apresentou uma PEC com o mesmo objetivo, e o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) também protocolou texto semelhante. Até agora, nenhuma das iniciativas avançou na Câmara dos Deputados.
A escolha por intensificar o debate neste momento reflete a percepção do Planalto de que a crise de imagem do Congresso abre espaço para pautas populares, mesmo sem garantia de aprovação imediata.
Por que o Congresso resiste?
Levantamento da Quaest divulgado em julho mostra que 70% dos deputados federais se opõem ao fim da jornada 6×1, alegando riscos para a competitividade da economia e para a sobrevivência de empresas, especialmente em setores que operam de forma ininterrupta.
Além disso, entidades empresariais argumentam que a medida aumentaria custos trabalhistas e poderia desincentivar contratações, agravando o desemprego.
Esse cenário torna difícil que os presidentes da Câmara e do Senado pautem a matéria para votação no curto prazo.
O que pensa a população?
Apesar da resistência do Congresso, a proposta é bem vista pela maioria da população. Pesquisa Nexus feita em janeiro mostrou que 65% dos brasileiros apoiam o fim da jornada 6×1. Entre jovens de 16 a 24 anos, o apoio sobe para 76%. Entre desempregados, chega a 73%.
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Mesmo entre trabalhadores já inseridos no mercado, 66% são favoráveis à mudança. O apoio é menor — mas ainda majoritário — entre aposentados, pensionistas e estudantes, com 61%.
A pesquisa ouviu 2 mil pessoas presencialmente em todo o país e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Uma pauta eleitoral

Para o Planalto, transformar o fim da jornada 6×1 em bandeira eleitoral pode ajudar a mobilizar a base social do governo e reforçar a imagem de defesa dos direitos trabalhistas, um dos pilares históricos do PT.
O presidente Lula, que já criticou a precarização do trabalho e a carga excessiva em discursos recentes, tem interesse em manter o tema em evidência para contrapor a pauta econômica liberal defendida por adversários políticos.
O que dizem os empresários?
Do lado empresarial, a avaliação é de que a proposta ameaça a sustentabilidade de diversos setores. Representantes da indústria, comércio e serviços afirmam que a redução da jornada sem compensação em produtividade e sem diminuição proporcional dos salários traria custos elevados para as empresas.
Para eles, a mudança poderia desestimular investimentos e reduzir a geração de empregos formais, além de impactar preços para o consumidor.
Com informações de: Metrópoles
