Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Jovem morre baleado em festa junina durante operação do Bope no Rio

Office-boy morre baleado em festa junina no RJ durante ação do Bope; outros 5 ficaram feridos. Comunidade questiona operação.

Talita FerreiraPor Talita Ferreira5 min de leitura
Herus Guimarães Mendes

Um jovem de 24 anos, identificado como Herus Guimarães Mendes, morreu após ser baleado durante uma ação do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope) realizada na noite de sexta-feira (6), durante uma festa junina na Comunidade do Santo Amaro, no Catete, Zona Sul do Rio de Janeiro. Herus era office-boy e trabalhava em uma imobiliária. Outras cinco pessoas ficaram feridas.

Segundo testemunhas, a festa contava com a presença de dezenas de crianças, famílias e quadrilhas juninas vindas de diversas partes do estado. O tiroteio ocorreu no momento em que uma apresentação estava prestes a começar.

Tiroteio interrompe festa junina comunitária

Festas juninas
Imagem: Freepik e Canva

A comunidade organizava um tradicional encontro de quadrilhas juninas. Segundo moradores, grupos de São Gonçalo, Providência e Leme já haviam se apresentado. A quadrilha local se preparava para subir ao palco quando começou a troca de tiros.

  • A festa contava com estrutura comunitária e apoio de moradores
  • Crianças participavam com trajes típicos e danças
  • O clima mudou com a chegada repentina da polícia e os disparos
  • Pessoas se esconderam, gritaram e correram em pânico

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram o momento em que os tiros interrompem a festividade. Moradores aparecem se abaixando, crianças choram, e há cenas de desespero e correria pelas ruas.

Vítimas da ação

Além de Herus, outras cinco pessoas foram baleadas e levadas ao Hospital Municipal Souza Aguiar. Entre elas:

  • Leurimar Rodrigues de Souza, 38 anos, cozinheiro, está estável
  • Um adolescente de 16 anos, que teve alta no início da tarde
  • Três vítimas permanecem sem identificação divulgada até o momento

Herus foi encaminhado ao Hospital Glória D’Or em estado gravíssimo. Segundo nota da unidade médica, ele chegou à emergência na madrugada de sábado e, apesar das tentativas de reanimação, não resistiu aos ferimentos.

Herus: jovem trabalhador e pai de um filho

Parentes informaram que Herus era office-boy em uma imobiliária e morava na própria comunidade. Ele deixa um filho de apenas dois anos. O pai do jovem, Fernando Guimarães, fez um apelo por respostas:

“A gente só quer que alguém nos procure e diga quem autorizou aquilo. Secretário de Segurança, chefe do Bope, que alguém nos procure e explique. Quem autorizou?”, disse Fernando.

Fernando também exibiu à imprensa a roupa ensanguentada que o filho usava no momento em que foi baleado.

Versão da Polícia Militar

A Polícia Militar informou, por nota, que o Bope realizou uma “ação emergencial para checar informações sobre a presença de criminosos fortemente armados” na região. Segundo o comunicado:

  • A PM recebeu informação de que havia preparação para confronto entre facções rivais
  • Em um ponto da comunidade, os policiais teriam sido atacados, iniciando um confronto
  • Os agentes usavam câmeras corporais, e as imagens já estão sendo analisadas pela Corregedoria
  • Um procedimento foi instaurado para apurar as circunstâncias da operação

A Secretaria da Polícia Militar não concedeu entrevistas, e o secretário da pasta, coronel Marcelo de Menezes, não respondeu aos contatos da reportagem.

Moradores e lideranças denunciam ação violenta

Cassiano da Silva, presidente da Associação de Moradores do Santo Amaro, classificou a ação como “tamanha covardia do Estado”. Segundo ele:

“Era a estreia da nossa quadrilha. Estávamos com visitantes de várias regiões. O Bope entrou justo no momento em que nossa apresentação começaria. Pessoas foram pisoteadas, crianças choravam, jovens sem saber o que fazer.”

Cassiano também relatou que Herus tinha laços com o grupo cultural da comunidade e era conhecido por sua conduta pacífica.

Protestos e tensão na comunidade

Durante a manhã de sábado, dezenas de moradores e familiares de Herus se concentraram em frente à 9ª Delegacia de Polícia (Catete), cobrando esclarecimentos da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública.

  • Moradores exigem explicações formais da ação policial
  • Familiares querem apuração rigorosa e responsabilização
  • O clima na comunidade permanece tenso

Investigação em andamento

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

O caso foi registrado na 9ª DP (Catete), que já iniciou a investigação. A Polícia Civil, até o momento, não se manifestou publicamente.

A Corregedoria da Polícia Militar e o comando do Bope também acompanham o caso. As imagens das câmeras corporais dos agentes estão sendo analisadas para entender as circunstâncias do ocorrido.

Ministério Público acompanha caso

Imagem da fachada do Ministério Público Federal
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

A Coordenação do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), informou que foi previamente comunicada sobre a operação policial.

O GAESP orienta que denúncias sobre abusos policiais sejam feitas por qualquer cidadão pelos seguintes canais:

Contexto: violência em ações policiais durante eventos culturais

O caso reacende o debate sobre o uso de força policial em comunidades durante eventos culturais e a vulnerabilidade dos moradores em meio a operações de segurança.

  • Santo Amaro promove festas juninas desde o fim dos anos 1980
  • A festividade é considerada um símbolo de resistência cultural local
  • Ações policiais durante eventos comunitários têm gerado críticas frequentes
  • Especialistas alertam para a falta de planejamento e inteligência nessas operações

Considerações finais

O episódio trágico ocorrido em Santo Amaro aprofunda o dilema entre segurança pública e direitos civis em comunidades periféricas. Enquanto autoridades alegam combate ao crime, moradores denunciam excesso de força e negligência com a vida de inocentes.

A morte de Herus Guimarães Mendes, um jovem trabalhador e pai, exige uma apuração rigorosa e transparente. A pressão da sociedade civil será determinante para que as circunstâncias da ação sejam plenamente esclarecidas.

Talita Ferreira

Autor

Talita Ferreira

Talita Ferreira é redatora no portal Seu Crédito Digital, onde aplica seu rigor acadêmico e experiência em linguagem para tornar conteúdos econômicos, sociais e informativos mais claros e acessíveis. Doutoranda e Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), possui também pós-graduação em Revisão Textual e em Educação, Gêneros e Sexualidade pela UniVitória. É graduada em Letras pela UFJF e tem sólida atuação em revisão, produção de conteúdo e pesquisa em linguagem.

Topicos relacionados