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Apoio ou cilada? 1 em cada 4 jovens levam pais às entrevistas e podem afastar recrutadores!

Apoio ou cilada? Jovens que levam os pais às entrevistas podem afastar oportunidades no mercado de trabalho.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Feriados

A entrada no mercado de trabalho representa um dos momentos mais marcantes na trajetória profissional de qualquer pessoa, especialmente para os mais jovens, que estão dando seus primeiros passos na carreira.

No entanto, uma tendência recente vem chamando a atenção de recrutadores e levantando preocupações entre especialistas: cada vez mais jovens estão levando os pais para entrevistas de emprego.

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Pais em entrevistas: apoio ou interferência na carreira da Geração Z?

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Reprodução: seu credito digital

Segundo uma pesquisa da ResumeTemplates.com, divulgada pela CNBC, 1 em cada 4 jovens americanos da Geração Z afirmou ter levado um dos pais para uma entrevista de trabalho no último ano. O levantamento, feito com cerca de 1.500 entrevistados, também revelou situações ainda mais inusitadas: há casos em que os pais preenchem formulários de candidatura, participam de ligações com o RH e até tentam interceder em negociações salariais.

Embora a intenção dos pais seja, quase sempre, oferecer suporte, essa participação excessiva pode trazer consequências negativas para os filhos. Afinal, qual é o limite entre o apoio saudável e a superproteção que prejudica o desenvolvimento profissional?

Um reflexo da insegurança da nova geração

A Geração Z, composta por jovens nascidos entre o final dos anos 1990 e 2010, cresceu conectada à tecnologia, mas isso não significa que estejam emocionalmente preparados para os desafios do ambiente corporativo. A dificuldade em lidar com a pressão, o medo de fracassar e a busca constante por validação são características frequentes relatadas por recrutadores.

Muitos jovens não se sentem confiantes para lidar com entrevistas, e por isso buscam a presença dos pais como forma de amparo emocional. Outros acreditam que os conselhos dos pais têm mais peso ou eficácia na hora de enfrentar os processos seletivos.

Apesar de compreensível, essa atitude pode ser mal interpretada pelos empregadores, que veem a interferência dos pais como sinal de imaturidade e falta de autonomia.

Quando o apoio vira obstáculo

Para Bruno Andrade, professor da Saint Paul Escola de Negócios e especialista em liderança, a intenção dos pais geralmente é positiva, mas os efeitos podem ser contraproducentes. Ele alerta:

“Às vezes, com uma boa intenção de ajudar o filho na entrevista, pais também podem estar passando uma mensagem de que ele não vai conseguir fazer aquilo sozinho.”

Com mais de 25 anos de atuação na área de gestão de pessoas, Andrade afirma que vivenciar situações desafiadoras de forma independente é essencial para o amadurecimento pessoal e profissional dos jovens.

“O ser humano só desenvolve novas habilidades quando atravessa uma situação desconhecida. Você fica mais confiante, você começa a criar o seu próprio manual de como atravessar essas situações difíceis.”

A técnica dos 3 Is: uma orientação para os pais

Sabendo que o apoio dos pais é, muitas vezes, motivado pelo carinho e preocupação, Bruno Andrade propõe uma estratégia prática para equilibrar incentivo e independência. Trata-se da técnica dos 3 Is: Informação, Intenção e Imersão.

1. Informação

O primeiro passo é identificar as causas da insegurança do jovem. Entender por que ele teme a entrevista pode ajudar a fornecer suporte emocional mais adequado, sem substituí-lo na ação.

2. Intenção

Em seguida, é importante reforçar o propósito da entrevista. Mostrar ao jovem a importância dessa experiência e ajudá-lo a visualizar seus objetivos profissionais pode aumentar seu engajamento com o processo.

“Quando você mapeia onde quer chegar, você consegue executar melhor aquela ação”, explica Andrade.

3. Imersão

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A última etapa deve ser feita exclusivamente pelo jovem: ele precisa vivenciar a entrevista sozinho, sem a presença ou intervenção dos pais. Somente assim poderá desenvolver habilidades como autonomia, resiliência e comunicação interpessoal.

Os riscos para a imagem profissional

Levar os pais a entrevistas pode não apenas causar constrangimento, mas também comprometer seriamente a imagem do candidato diante do recrutador. Em um mercado de trabalho competitivo, atitudes que demonstram falta de maturidade ou preparo podem ser decisivas na hora da seleção.

Empresas esperam que os candidatos demonstrem independência, proatividade e capacidade de resolver problemas. A presença de um responsável pode levantar dúvidas sobre essas competências — mesmo que o jovem tenha potencial.

Além disso, o comportamento pode sinalizar uma dependência emocional prolongada, dificultando o estabelecimento de uma identidade profissional sólida.

Geração Z e o mercado: como encontrar o equilíbrio?

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Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

O fenômeno da superproteção não é novo, mas ganha contornos mais evidentes com as novas gerações. A Geração Z cresceu cercada por uma cultura de estímulo constante e feedback imediato, o que pode torná-la mais vulnerável à frustração e menos preparada para lidar com os “nãos” naturais do mundo corporativo.

Por isso, o papel dos pais é fundamental — mas não como protagonistas. Eles devem ser facilitadores do processo, oferecendo orientações e apoio emocional, mas sempre incentivando a autonomia e o protagonismo do jovem.

Caminhos para a autonomia

A preparação para entrevistas pode (e deve) contar com o apoio dos pais, desde que feita com foco na construção de confiança do jovem. Confira algumas atitudes que ajudam nesse processo:

  • Simule entrevistas em casa, ajudando o jovem a desenvolver suas respostas;
  • Incentive a busca por cursos de orientação profissional ou mentorias para jovens;
  • Reforce a importância de cada experiência, mesmo aquelas que não resultarem em contratação;
  • Evite resolver problemas em nome do filho — ajude-o a refletir sobre como agir por conta própria.
Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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