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Jovens deixam empregos por vontade própria e revelam mudança nas prioridades profissionais

Jovens deixam empregos por vontade própria e revelam nova prioridade: propósito, qualidade de vida e melhores oportunidades.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Jovens

No Brasil, uma nova tendência no mercado de trabalho está chamando atenção: o crescimento das demissões voluntárias, especialmente entre os jovens.

Em meio a uma taxa de desemprego que atingiu 7% no primeiro trimestre de 2025, segundo o IBGE, cada vez mais trabalhadores estão optando por deixar seus empregos por iniciativa própria — mesmo em um cenário econômico ainda instável. A decisão, no entanto, reflete uma mudança profunda nas prioridades profissionais das novas gerações.

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O que os dados revelam sobre o movimento de desligamentos voluntários

Imagem mostra pessoas trabalhando no computador em um escritório.
Imagem: Reprodução/Freepik

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que, apenas nos dois primeiros meses de 2025, mais de 1,625 milhão de trabalhadores com carteira assinada pediram demissão por vontade própria. Isso representa 37,8% de todas as dispensas registradas no período, segundo análise de Janaína Feijó e Helena Zahar, pesquisadoras do FGV Ibre.

Na comparação com 2024, o aumento foi de 15,5%. Quando comparado com 2023, o salto chega a 32,9%. O avanço sustenta a percepção de que o movimento de desligamentos voluntários está longe de ser um comportamento pontual — ele se consolida como tendência.


Entendendo o contexto: por que tantos trabalhadores estão pedindo demissão?

Segundo especialistas, a onda de pedidos de demissão reflete uma combinação de fatores. Jefferson Mariano, analista do IBGE, destaca que o momento de maior estabilidade no mercado de trabalho brasileiro — com aumento da ocupação e contratações formais — dá mais segurança para que o trabalhador se arrisque em busca de novas oportunidades.

Além disso, a reforma trabalhista de 2017 também tem papel importante. Ela flexibilizou o formato de desligamentos, permitindo acordos entre empregador e empregado, o que facilita o rompimento de vínculos por decisão mútua.

Mas há um fator ainda mais profundo em jogo: a transformação nas prioridades profissionais, especialmente entre os mais jovens.


Geração Z lidera a mudança: o que buscam os jovens?

Jovens entre 18 e 24 anos puxam a fila dos pedidos de demissão

Os dados da FGV Ibre mostram que 30% dos pedidos de demissão em 2025 vieram de trabalhadores entre 18 e 24 anos. A segunda maior faixa, dos 30 aos 39 anos, representa 26,1% — uma queda frente aos 28,7% registrados em 2020. Essa concentração entre os mais jovens indica uma característica marcante da chamada Geração Z: a busca constante por propósito, liberdade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Para muitos desses jovens, um emprego não representa apenas renda, mas também identidade, valores e satisfação. Quando esses elementos não estão presentes, o desligamento se torna uma opção viável — mesmo que envolva riscos financeiros.


Salário não é tudo: qualidade de vida e propósito importam

Embora a busca por melhores salários ainda seja uma motivação relevante, não é a única. Segundo Jefferson Mariano, os trabalhadores com nível superior e maior qualificação tendem a priorizar mais a qualidade de vida, benefícios e ambiente organizacional.

Por outro lado, jovens em ocupações menos especializadas, que hoje enfrentam um mercado aquecido no setor de serviços, trocam de emprego com mais frequência em busca de valores mais altos de remuneração — mesmo que o novo cargo não ofereça benefícios adicionais.


A internet como termômetro: buscas por “demissão” crescem 173%

Tendência online reforça mudanças no mercado de trabalho

Um levantamento da plataforma Onlinecurriculo revela que o interesse por informações relacionadas ao desligamento voluntário também cresceu na internet. Entre março de 2024 e março de 2025, as buscas pelo termo “demissão” aumentaram 173%, somando mais de 819 mil pesquisas no Google.

O número impressiona e reforça o quanto o tema está presente na rotina dos trabalhadores brasileiros. Mais do que um simples interesse, essas buscas revelam preocupações reais — principalmente de ordem financeira.


FGTS e seguro-desemprego estão entre os maiores temores

Dentre as 12 dúvidas mais frequentes mapeadas pela plataforma, nove estão relacionadas à demissão voluntária. A principal preocupação dos trabalhadores envolve o impacto da saída no orçamento pessoal. Assuntos como cálculo de verbas rescisórias, possibilidade de saque do FGTS e acesso ao seguro-desemprego lideram as buscas.

Ao todo, as consultas relacionadas a questões financeiras após o desligamento somaram 491,5 mil pesquisas.


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O fenômeno é novo? Uma visão histórica e internacional

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Imagem: @pch.vector / Freepik

Casos anteriores no Brasil

Ondas de demissões voluntárias não são novidade. Durante o governo Dilma Rousseff, entre 2011 e 2014, houve um aumento significativo nos pedidos de seguro-desemprego mesmo com a economia em estabilidade. Esse cenário levou a restrições no benefício em 2015, quando a taxa de desemprego subiu para 9,6%.

Naquele momento, muitos também deixavam seus empregos voluntariamente, indicando uma tendência semelhante ao que vemos agora.


“The Great Resignation” nos EUA: inspiração ou coincidência?

Nos Estados Unidos, entre abril de 2021 e abril de 2022, mais de 71 milhões de americanos deixaram seus empregos voluntariamente em um fenômeno batizado de “The Great Resignation”. O movimento foi motivado por baixos salários, más condições de trabalho e busca por flexibilidade no pós-pandemia.

Assim como no Brasil, a movimentação foi impulsionada por jovens e trabalhadores que passaram a repensar seus objetivos após a crise sanitária global.


Considerações finais: o futuro do trabalho e as novas relações com o emprego

O aumento das demissões voluntárias no Brasil sinaliza uma transformação profunda na forma como o trabalho é encarado, especialmente pelas gerações mais novas. O emprego, que antes era sinônimo de estabilidade e segurança, hoje precisa estar alinhado a valores pessoais, propósito e expectativas de desenvolvimento.

As empresas que desejam reter talentos e manter equipes engajadas precisarão compreender essa mudança e se adaptar às novas demandas. A valorização do bem-estar, dos benefícios, da mobilidade e da transparência nas relações profissionais será crucial.

Ao que tudo indica, o fenômeno das demissões voluntárias está longe de ser passageiro. Ele reflete uma nova era — em que o trabalhador não tem apenas um emprego, mas busca, cada vez mais, um sentido para sua jornada profissional.

Imagem: neonhummingbird | shutterstock

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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