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Jovens abandonam celular e apostam em leitura, jogos e crochê nas aulas

Após lei que proíbe celular, alunos redescobrem leitura, jogos e crochê e criam novos hábitos sociais.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
celular nas escolas estudantes

A proibição do uso de celulares nas escolas, imposta pela Lei nº 15.100/2025, tem provocado uma transformação significativa no cotidiano de alunos, professores e pais. Desde que a medida entrou em vigor, escolas públicas e privadas em todo o país relataram mudanças no comportamento dos estudantes, que passaram a explorar alternativas criativas e interativas para ocupar o tempo antes consumido pelas telas.

O ambiente escolar tem assistido a um verdadeiro renascimento de práticas antes consideradas ultrapassadas, como o crochê, os jogos de tabuleiro e a leitura por prazer.

Leia mais: Como a proibição de celulares nas escolas aumentou em 40% a frequência nas bibliotecas

A nova realidade escolar: mais interação, menos isolamento

Jovens Espírito Santo
Imagem: Freepik

Três meses após a implementação da norma sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, escolas destacam que o maior impacto da medida foi o fortalecimento da convivência social entre os alunos. A ausência dos celulares reduziu o isolamento individual e promoveu o diálogo entre os estudantes.

“Os alunos começaram a sentar em grupos nas mesas e partilhar jogos de tabuleiro e outras atividades. Antes da proibição alguns alunos já tinham esse hábito. Porém, agora todos estão aderindo ao diálogo com os colegas”, afirmou Teresa Augusta Spinassé, diretora pedagógica do ensino fundamental do colégio UP.

A legislação vale para redes públicas e privadas e determina que os aparelhos devem ser mantidos fora do alcance dos estudantes durante todo o período letivo. A maioria das escolas já havia adotado políticas restritivas anteriormente, mas agora, com a força da lei, a adesão tornou-se praticamente universal.

Da resistência à aceitação: como os estudantes reagiram

Diferentemente do que se imaginava, não houve resistência significativa à nova norma. De acordo com coordenadores pedagógicos, os alunos retornaram às aulas cientes da mudança e aceitaram a nova rotina com naturalidade.

Na Escola São Domingos, a orientadora educacional Vivian Fafá explicou que o uso excessivo de tecnologia após a pandemia motivou a escola a criar sua própria política interna, que restringia os celulares apenas aos intervalos. Com a nova lei, a proibição foi ampliada. Ela destaca, no entanto, que o mais importante é promover uma reflexão crítica.

“Não adianta virar e falar que acabou. Precisamos fazê-los refletir o porquê dessas iniciativas estarem sendo tomadas, promover o pensamento crítico nos alunos”, afirmou Vivian.

Dentro e fora da escola: efeitos além da sala de aula

O impacto positivo não se limitou ao ambiente escolar. Em casa, pais relatam uma melhora significativa no convívio familiar e na saúde mental dos filhos. Francine Filogônio, mãe de duas alunas, conta que a ausência do celular resultou em mais leitura, prática de exercícios físicos e momentos de interação em família.

“A limitação de uso acabou servindo também para a minha desconexão”, destacou Francine, ressaltando que os pais também devem participar ativamente desse processo.

Suas filhas, Beatriz e Manuela, afirmam que estão menos ansiosas e mais sociáveis. Giuseppe Cicatelli, aluno da rede pública, compartilha da mesma opinião: “É interessante viver como nossos pais viviam antigamente, sem nenhuma tela”.

Crochê, livros e karaokê: o renascimento dos hobbies analógicos

O ambiente escolar está cada vez mais criativo. Três alunas do colégio Salesiano, Maria Clara Gonçalves, Clara Mazzega e Elena Ribeiro, adotaram o crochê como hobby durante os intervalos, inspirando outros colegas a buscarem atividades alternativas.

A escola já oferecia acesso a livros e jogos, mas agora os materiais passaram a ser utilizados com muito mais frequência. Segundo o diretor executivo da instituição, Ilton Chaves, “os alunos estão mais engajados em interagir uns com os outros. Isso é um ponto extremamente positivo”.

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Na escola José Rodrigues Coutinho, em Cariacica, os jogos de tabuleiro e as práticas esportivas ganharam protagonismo. Um grupo de alunos, inclusive, começou a tricotar, habilidade adquirida em uma disciplina eletiva. A unidade também implementou atividades como karaokê e avalia criar um estúdio de podcast, a pedido dos estudantes.

Estratégias para adaptação e inovação pedagógica

jovem leitura celular
Imagem: Freepik

Para acompanhar as transformações, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) tem distribuído materiais como jogos de tabuleiro, livros e equipamentos esportivos para ajudar as escolas no processo de adaptação. A ideia é transformar o momento de intervalo em um espaço de socialização e aprendizado alternativo, valorizando a convivência e os talentos dos alunos.

O diretor Glauber Silveira, da escola José Rodrigues Coutinho, relata que, apesar de algumas reclamações nos primeiros dias, a aceitação aumentou com o tempo.

Soluções práticas: como os estudantes estão lidando com a ausência do celular

Uma das preocupações iniciais dos pais era com relação ao pagamento de lanches. Para isso, escolas como o colégio Salesiano implementaram cartões estudantis recarregáveis, gerenciados pelos responsáveis e aceitos nos pontos de venda das cantinas escolares.

Essa alternativa tem se mostrado eficiente e ajudado os alunos a se adaptarem à nova realidade sem dificuldades.

Com informações de: A Gazeta

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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