A manutenção da taxa Selic em 15% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) trouxe à tona debates sobre o ritmo e a intensidade dos cortes de juros previstos para o final de 2025 e 2026. Embora o mercado projete que os cortes possam iniciar entre dezembro deste ano e o primeiro trimestre do próximo, o cenário para 2026 ainda está sujeito a incertezas, especialmente relacionadas à política fiscal adotada pelo governo federal.
Economistas apontam que juros em 2026 vão variar conforme expansão fiscal
Economistas apontam que taxa Selic em 2026 dependerá da política fiscal e gastos públicos em ano eleitoral.
Leia mais: Inter lança “Inter Passport Credit Card” nos EUA para jovens
Cenários divergentes para a taxa Selic em 2026

Um estudo recente da consultoria Outpod, conduzido pelo economista Carlos Honorato, destaca que a taxa básica de juros poderá variar significativamente no próximo ano, dependendo das decisões do governo em relação aos gastos públicos. O cenário otimista aponta para uma Selic de 9,5% ao final de 2026, enquanto o cenário pessimista prevê que os juros podem se manter acima de 12%, caso a expansão fiscal se intensifique diante do período eleitoral.
Essa variação impacta diretamente o crescimento econômico projetado para o Brasil, com o Produto Interno Bruto (PIB) podendo oscilar entre 1% a 4%, com até mesmo um risco real de recessão em 2027, caso as pressões inflacionárias e fiscais não sejam contidas.
Política fiscal expansionista e seus efeitos
A pressão sobre os preços da economia brasileira é resultado direto do aumento dos gastos públicos, que incluem benefícios sociais e a correção do salário-mínimo acima da inflação. Esse movimento eleva a renda disponível da população, estimulando o consumo de alimentos e serviços, o que dificulta o controle inflacionário via política monetária.
Para tentar conter o avanço dos preços, o governo tem buscado aumentar a arrecadação tributária, como a recente elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Entretanto, essa medida é alvo de críticas no mercado, que defende a necessidade de cortes de gastos mais profundos para evitar a escalada da inflação.
De acordo com a Instituição Fiscal Independente (IFI), a dívida bruta do país está projetada para chegar a 84% do PIB, podendo alcançar 85% caso os gastos públicos continuem crescendo. Honorato alerta para o risco dessa trajetória:
Projeções para inflação, PIB e câmbio
A tabela abaixo, baseada no estudo da Outpod, apresenta os três cenários projetados para 2026:
| Variáveis | Pessimista | Base | Otimista |
|---|---|---|---|
| Inflação | 6% a 6,5% | 5% a 5,5% | 4,5% a 4,8% |
| PIB | 4% | 1% a 2% | 2% a 2,4% |
| Selic | acima de 12% | 10,5% a 11% | 9,5% a 11,25% |
| Câmbio | acima de R$ 6,50 | R$ 5,50 a R$ 6 | R$ 5,50 |
| Probabilidade | 20% | 40% | 40% |
A inflação pressionada deve manter a Selic elevada, limitando cortes de juros e encarecendo o crédito, com impacto direto no crescimento do PIB.
Mudanças na diretoria do Banco Central e desafios políticos
Em 2026, o mandato de dois diretores do Banco Central que integram o Copom termina, podendo permitir que o presidente Lula indique toda a nova cúpula monetária. Esse cenário gera dúvidas sobre a credibilidade da política monetária no ano eleitoral.
Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional, avalia que o Banco Central deve manter seu “plano de voo” e não flexibilizar a política monetária caso o cenário fiscal se deteriore. “Hoje já vemos o alto custo da política fiscal expansionista dos últimos 2 anos no patamar de juros atual. Não só o juro neutro subiu, mas as expectativas de inflação seguem desancoradas, mesmo com juros reais próximos de 10% na Selic ex-ante”, explica.
Segundo ele, mesmo com estímulos à economia, o BC só mudará sua política se a deterioração fiscal comprometer o ajuste previsto a partir de 2027, o que já teria efeitos no câmbio e na curva de juros.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Impacto das tarifas e pressão cambial

Outro fator que deve pressionar a economia brasileira em 2026 são as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras, o chamado “tarifaço”. A alíquota pode se manter ou aumentar, reduzindo a competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional.
Essa medida tende a desvalorizar o real frente ao dólar, pressionando os custos de insumos importados e a inflação interna. Para Honorato, o Banco Central terá o desafio de equilibrar esses choques externos com a expansão fiscal doméstica, o que poderá exigir juros elevados por mais tempo.
Impactos de longo prazo e riscos para o crescimento
Além de 2026, o estudo da Outpod indica que a expansão fiscal sem ajustes pode prolongar o impacto inflacionário para os anos seguintes, com risco de ressurgimento da inflação persistente entre 2030 e 2037. Isso demandaria um novo ciclo prolongado de aperto monetário, comprometendo o crescimento sustentável da economia.
Bittencourt ressalta que as altas taxas reais nas operações de longo prazo do Tesouro indicam o custo de uma política fiscal expansionista. “Não por outra razão, as taxas reais para os prazos de 10 anos ofertadas pelo Tesouro, bastante relevantes para as decisões de investimento, estão acima de 7% desde o final do ano, flertando com 7,5% na maior parte do tempo, sem sinalização de que podem cair no curto prazo”
Com informações de: Como ficam os juros em 2026? Depende do ritmo de expansão fiscal, dizem economistas
