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Juros do cartão ultrapassam 100% da dívida apesar de regras do BC

Descubra como bancos ignoraram regras do BC e cobraram juros abusivos no cartão. Entenda seus direitos e saiba o que fazer!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro4 min de leitura
Mulher sentada em um sofá olhando com expressão de choque para o celular que segura

A promessa de maior proteção ao consumidor no crédito rotativo sofreu um revés em julho de 2025. O Banco Central (BC) divulgou que quatro instituições financeiras desrespeitaram a Lei 14.690/2023, que determina um teto para juros e encargos no cartão de crédito.

Algumas delas chegaram a cobrar até 971% sobre o valor da dívida original, prática ilegal desde o ano passado. O episódio reacende o debate sobre a eficácia da regulação e a transparência do setor financeiro, que responde por grande parte do endividamento das famílias brasileiras.

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O que diz a Lei 14.690/2023

Blocos de madeira com sinal de porcentagem e seta para cima, indicando crescimento financeiro, aumento da taxa de juros, conceito de inflação e o impacto dos juros nos bancos.
Imagem: SewCreamStudio / shutterstock.com

A legislação sancionada em 2023 estabeleceu que os encargos do crédito rotativo ou do parcelamento da fatura não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida.

  • Se um cliente deve R$ 1.000, por exemplo, o máximo permitido de juros e encargos é de R$ 1.000, totalizando R$ 2.000.
  • O objetivo foi impedir o chamado “efeito bola de neve”, quando a dívida cresce indefinidamente.

No entanto, a lei não detalha quais penalidades devem ser aplicadas aos bancos que descumprirem a regra, o que abre espaço para práticas abusivas.

Relatório do Banco Central

Segundo o BC, em julho de 2025 quatro instituições descumpriram o limite legal:

  • Banco XP: 208,33%;
  • Banco Rendimento: 971,43%;
  • Banco Cooperativo Sicoob: 363,33%;
  • Via Certa Financiadora: 115,59%.

Esse fenômeno é chamado pelo mercado de “muro inglês”, quando o valor cobrado ultrapassa em muito o permitido, configurando irregularidade.

O Banco Central afirmou estar monitorando os casos e orientando as instituições quanto ao envio correto das informações. No entanto, não especificou quais sanções efetivas poderão ser aplicadas.

O que dizem os bancos

Banco Rendimento

A instituição nega irregularidade e afirma que os valores cobrados estão dentro do limite legal. Segundo nota enviada, o banco já entrou em contato com o BC para corrigir a informação.

XP

A XP admitiu a falha, mas disse tratar-se de um caso pontual. Segundo a empresa, os clientes foram ressarcidos e comunicados e não houve prejuízo financeiro.

Sicoob

O banco cooperativo reconheceu a cobrança indevida, mas destacou que representou apenas nove transações em meio a centenas de milhares. As inconsistências, segundo a instituição, foram corrigidas e os valores estornados.

Via Certa Financiadora

Até a divulgação oficial do relatório, a instituição não respondeu às solicitações de esclarecimento.

Impactos para os consumidores

Os casos levantam dúvidas sobre a efetividade da proteção legal ao consumidor. Apesar do teto de juros, muitos clientes continuam se deparando com cobranças excessivas.

Principais problemas:

  • Dívidas impagáveis: mesmo com limite, práticas abusivas dificultam a quitação.
  • Falta de transparência: clientes muitas vezes não entendem como os juros são calculados.
  • Ausência de sanções claras: sem punições objetivas, instituições podem arriscar o descumprimento.

Como o consumidor pode se proteger

1. Conferir detalhadamente a fatura

O cliente deve verificar não apenas o valor total, mas também os encargos e taxas aplicadas.

2. Exigir explicações do banco

Em caso de dúvida, a instituição tem obrigação de fornecer detalhamento sobre a cobrança.

3. Acionar órgãos de defesa

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Caso identifique abusos, o consumidor pode recorrer a órgãos como Procon, Banco Central e até mesmo ao Judiciário.

4. Evitar o rotativo

Sempre que possível, deve-se evitar o crédito rotativo, considerado uma das linhas de crédito mais caras do país.

Fragilidade da regulação

Especialistas apontam que, embora a lei tenha sido um avanço, ainda há brechas regulatórias. Sem sanções claras, o descumprimento pode se tornar recorrente.

Possíveis soluções discutidas:

  • Definição de multas automáticas em caso de descumprimento.
  • Maior transparência obrigatória nos relatórios enviados ao BC.
  • Campanhas educativas para que os consumidores conheçam seus direitos.

Endividamento das famílias brasileiras

crédito consignado
Imagem: Andrey_Popov / Shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

Segundo dados do próprio BC, o cartão de crédito continua sendo a principal fonte de endividamento no Brasil.

  • Mais de 80% das famílias têm dívidas no cartão.
  • O rotativo ainda representa uma das taxas de juros mais altas do mercado, mesmo com o teto.
  • O superendividamento afeta especialmente famílias de baixa renda.

Perspectivas para o futuro

O episódio coloca pressão sobre o Banco Central para reforçar sua atuação fiscalizatória.
Enquanto não houver sanções exemplares, especialistas acreditam que os casos tendem a se repetir, comprometendo a credibilidade da regulação e a confiança do consumidor.

Conclusão

O caso das instituições financeiras que ultrapassaram os limites de juros do cartão de crédito mostra que, embora a Lei 14.690/2023 tenha representado um avanço, sua aplicação ainda enfrenta falhas graves.

Sem punições claras, o consumidor continua vulnerável, e a promessa de um sistema financeiro mais justo segue em risco.

Imagem: fizkes / shutterstock.com

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Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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