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Empréstimo pessoal: diferença de juros entre bancos ultrapassa 50%

Juros do empréstimo pessoal atingem o maior nível desde 1997, segundo o Procon-SP. Diferenças entre bancos superam 50% e exigem atenção do consumidor.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
Juros

A taxa média de juros do empréstimo pessoal no Brasil alcançou um novo recorde em 2025 e acendeu um sinal de alerta para consumidores, especialistas e órgãos de defesa do consumidor. Dados divulgados pelo Procon-SP mostram que a taxa anualizada chegou a 8,13 pontos percentuais, o maior patamar desde o início da série histórica, em 1997. O avanço ocorre em um contexto de política monetária restritiva, custos bancários elevados e mudanças regulatórias que alteraram a dinâmica do crédito no país.

O levantamento também revela um cenário de forte desigualdade entre as instituições financeiras. Em alguns casos, a diferença nas taxas cobradas supera 50%, o que reforça a importância da comparação antes da contratação de qualquer modalidade de crédito.

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Recorde histórico preocupa consumidores e especialistas

O dado divulgado pelo Procon-SP confirma uma tendência observada ao longo de todo o ano de 2025. Em um intervalo de 12 meses, a taxa média de juros do empréstimo pessoal subiu cerca de 4%, pressionando o orçamento das famílias e dificultando o acesso ao crédito em condições mais favoráveis.

Série histórica iniciada em 1997

A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor acompanha o comportamento das taxas de juros desde 1997. Ao longo desse período, diferentes ciclos econômicos afetaram o custo do crédito, mas o patamar atingido em 2025 é considerado atípico até mesmo quando comparado a momentos de crise econômica.

Especialistas apontam que o atual cenário combina fatores internos e externos, criando um ambiente desfavorável para a redução dos juros ao consumidor final.

Alta expressiva em contratos de curto prazo

Em dezembro de 2025, ao analisar contratos de empréstimo pessoal parcelados em 12 vezes, a taxa média chegou a 8,35 pontos percentuais ao mês. O número representa um aumento de 4,11% em relação à taxa média registrada em janeiro do mesmo ano, quando os juros estavam em torno de 8,02 pontos percentuais mensais.

Esse avanço afeta diretamente consumidores que recorrem ao crédito para despesas emergenciais, como saúde, educação ou reorganização financeira.

Diferença entre bancos supera 50%

Um dos pontos que mais chamam a atenção no levantamento do Procon-SP é a ampla variação de taxas praticadas pelas instituições financeiras.

Bancos públicos x bancos privados

De acordo com o relatório, o Banco do Brasil apresentou taxa média de 6,58 pontos percentuais ao mês no empréstimo pessoal. Já o Santander chegou a cobrar 9,99 pontos percentuais mensais, uma diferença superior a 51,8%.

Essa disparidade mostra que, mesmo em um cenário de juros elevados, há espaço para escolhas mais vantajosas por parte do consumidor, desde que haja pesquisa e comparação detalhada das condições oferecidas.

Importância da pesquisa antes da contratação

O Procon-SP destaca que muitos consumidores acabam contratando crédito na primeira instituição consultada, sem avaliar alternativas. Esse comportamento pode resultar em um custo total muito mais elevado ao longo do contrato.

Comparar taxas, prazos, valor das parcelas e o Custo Efetivo Total (CET) é fundamental para evitar endividamento excessivo.

Impacto da limitação do cheque especial

Especialistas do Procon-SP apontam que a elevação dos juros do empréstimo pessoal também está relacionada a mudanças ocorridas nos últimos anos no mercado de crédito.

Teto imposto pelo Banco Central

Em novembro de 2019, o Banco Central estabeleceu um limite máximo para os juros do cheque especial, fixando o teto em 8 pontos percentuais ao mês para pessoas físicas. A medida reduziu os custos dessa modalidade, mas teve efeitos colaterais.

Com a limitação, parte das instituições financeiras passou a reajustar outras linhas de crédito, como o empréstimo pessoal, para compensar a redução de receitas.

Migração de custos entre modalidades

Segundo especialistas, houve uma redistribuição do risco e dos custos dentro do sistema bancário. Modalidades antes consideradas mais caras perderam espaço, enquanto outras passaram a concentrar taxas mais elevadas, refletindo no aumento observado em 2025.

Cheque especial segue no limite máximo

Apesar das mudanças no mercado, o cheque especial manteve certa estabilidade ao longo de 2025.

Taxa média permanece elevada

A taxa média do cheque especial em 2025 foi de 7,97 pontos percentuais ao mês, praticamente estável em relação a 2024, quando ficou em 7,96 pontos percentuais mensais. Todas as instituições financeiras encerraram o ano aplicando o teto máximo permitido pelo Banco Central.

Bancos que aplicaram o teto durante todo o ano

Bradesco, Caixa, Itaú, Safra e Santander praticaram a taxa máxima de 8 pontos percentuais ao mês durante todo o ano. O Banco do Brasil passou a adotar esse patamar apenas no último trimestre de 2025.

Esse comportamento mostra que, mesmo com a limitação, o cheque especial continua sendo uma das formas mais caras de crédito disponíveis no mercado.

Relação direta com a taxa Selic

O comportamento dos juros ao consumidor não pode ser analisado isoladamente. Em 2025, a política monetária teve papel central na elevação dos custos do crédito.

Selic sobe para 15% ao ano

Ao longo do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic de 12,25% para 15%. A decisão foi motivada por uma combinação de fatores, como inflação acima da meta, desvalorização do real, aquecimento do mercado de trabalho e riscos no cenário internacional.

Reflexos no crédito ao consumidor

Com a Selic mais alta, o custo de captação dos bancos aumenta, o que tende a ser repassado ao consumidor final. O empréstimo pessoal, por não exigir garantias, acaba sendo mais sensível a esse movimento.

Spread bancário segue elevado no país

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Além da Selic, outros fatores contribuem para a manutenção de juros elevados no Brasil.

Custos operacionais e carga tributária

Despesas administrativas, investimentos em tecnologia, segurança e atendimento ao cliente pesam no cálculo das taxas. A carga tributária sobre operações financeiras também é apontada como um elemento relevante.

Inadimplência e margem de lucro

A inadimplência ainda elevada em determinadas faixas de renda leva os bancos a incorporarem prêmios de risco nos contratos. Somado a isso, a margem de lucro das instituições financeiras compõe o chamado spread bancário, que permanece alto no Brasil em comparação a outros países.

Orientações do Procon-SP ao consumidor

Diante desse cenário, o Procon-SP reforça a necessidade de cautela na utilização do crédito.

Planejamento financeiro como prioridade

O órgão orienta que o consumidor avalie o orçamento com atenção antes de assumir qualquer compromisso financeiro. O crédito deve ser utilizado apenas em situações de real necessidade, evitando gastos impulsivos.

Comparação e uso consciente do crédito

Pesquisar diferentes instituições, analisar o CET e entender todas as cláusulas do contrato são passos essenciais. O uso consciente do crédito pode evitar o endividamento excessivo e preservar a saúde financeira no médio e longo prazo.

Perspectivas para os próximos meses

Especialistas avaliam que a trajetória dos juros dependerá, principalmente, das decisões do Banco Central e do comportamento da inflação.

Expectativas do mercado

Caso haja sinais consistentes de desaceleração inflacionária e melhora no cenário fiscal, pode haver espaço para redução gradual da Selic, o que tende a aliviar o custo do crédito. No entanto, esse movimento não deve ser imediato.

Atenção redobrada do consumidor

Até que haja mudanças significativas no cenário econômico, a recomendação é cautela. O empréstimo pessoal continua sendo uma ferramenta útil, mas deve ser utilizado com planejamento e informação.

Conclusão

O recorde histórico dos juros do empréstimo pessoal em 2025 evidencia os desafios enfrentados pelos consumidores brasileiros em um ambiente de crédito caro e desigual. A combinação de Selic elevada, spread bancário alto e diferenças expressivas entre instituições financeiras reforça a importância da educação financeira e da comparação antes da contratação. Em um cenário de incertezas, informação e planejamento seguem sendo os principais aliados do consumidor.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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