A Justiça brasileira, por meio do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tomou uma decisão significativa na última terça-feira (17/9) em relação à greve dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A decisão envolve a extinção, sem julgamento de mérito, de uma ação judicial que questionava a paralisação. Essa resolução é vista como uma validação do acordo assinado em agosto entre o governo federal, representado pela gestão do presidente Lula (PT), e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS).
Essa greve, que mobilizou grande parte dos servidores do INSS, refletiu não apenas insatisfação com questões salariais, mas também com o reconhecimento e valorização da carreira desses profissionais. O acordo traz algumas garantias importantes para o futuro do órgão, como o reconhecimento da carreira dos servidores do INSS como parte do núcleo estratégico do Estado brasileiro.
O impacto da decisão judicial

A decisão do STJ, que extinguiu a ação sem julgamento de mérito, tem grande impacto nos rumos da greve e nas negociações entre governo e servidores. Na prática, ao extinguir a ação, o Tribunal reafirmou a validade do acordo feito entre as partes, encerrando formalmente a disputa judicial.
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Esse acordo prevê, entre outros pontos, o reajuste salarial para os servidores do INSS, com aumentos programados para os anos de 2025 e 2026. Além disso, o documento firmado entre governo e trabalhadores determina que a carreira do INSS será tratada como parte do núcleo estratégico do Estado brasileiro. Isso significa que as funções exercidas pelos servidores do órgão terão caráter exclusivo, dificultando a terceirização ou a delegação dessas atividades para entes privados.
Reajuste salarial e garantias para a carreira
O acordo entre o governo e os servidores contempla um reajuste salarial que será aplicado em duas etapas: a primeira em 2025 e a segunda em 2026. Esse ajuste é um dos principais pontos de reivindicação da categoria, que há tempos exige uma valorização das remunerações compatível com a importância do trabalho realizado no INSS.
A valorização da carreira dos servidores do INSS é outro ponto crucial do acordo. Ao reconhecer a função desses profissionais como parte do núcleo estratégico do Estado, o governo visa evitar a possibilidade de terceirização de suas atividades.
Em um contexto de debate sobre o papel do Estado e suas funções essenciais, esse reconhecimento serve como uma proteção para que as atribuições do INSS continuem sob a gestão pública, o que é visto com bons olhos pelos trabalhadores.
Descontentamento entre os servidores
Embora o acordo tenha sido assinado entre o governo e a CNTSS, uma parte dos servidores do INSS ainda não está satisfeita com os termos negociados. A Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (FENASPS), que representa uma fatia considerável dos servidores, aponta que 2.900 trabalhadores permanecem em greve.
Esse grupo alega que o acordo não atende plenamente as reivindicações, e que ainda há uma série de questões que precisam ser discutidas. Entre essas reivindicações estão demandas relacionadas às condições de trabalho e à estrutura do INSS, que nos últimos anos sofre com a sobrecarga de demandas e a falta de investimentos adequados em pessoal e infraestrutura.
Divergências nos números da greve
Há, no entanto, uma divergência quanto aos números de servidores que permanecem em greve. Dados do Sistema de Registro de Frequência (Sisref), que monitora a assiduidade dos servidores, mostram que apenas 406 funcionários estão de fato em greve. Já o número de servidores em trabalho remoto ou em esquemas de trabalho alternativo, como o Programa de Gestão e Desempenho (PGD), é significativamente maior, o que sugere que uma parte relevante dos trabalhadores continua ativa, mesmo que não presencialmente.
Atualmente, dos 13.385 servidores do INSS, 6.540 estão trabalhando remotamente, 4.306 em regime presencial, e 2.539 em esquema híbrido, o que indica que a greve não afeta a totalidade do corpo de funcionários da autarquia.
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Manifestações e ocupação do INSS em Brasília
A insatisfação com o acordo não se limitou à recusa de uma parte dos servidores em encerrar a greve. Houve também manifestações significativas, incluindo uma ocupação da sede do INSS em Brasília e atos em frente ao Palácio do Planalto, que ocorreram na mesma semana em que o STJ decidiu extinguir a ação judicial.
Durante os protestos, os servidores exigiram uma abertura maior para o diálogo e para a negociação de pontos considerados críticos pela categoria, que vão além do reajuste salarial. A FENASPS afirma que o governo tem evitado discutir com profundidade esses pontos, o que motivou parte dos trabalhadores a continuar a greve e a realizar novas manifestações.
Resposta do governo

Por outro lado, o governo federal, por meio do INSS, afirma que já atendeu aos principais pleitos da categoria e que permanece aberto ao diálogo. A gestão do órgão, liderada por seus diretores, anunciou que foi formado um grupo de trabalho para tratar das demandas não remuneratórias dos servidores, em busca de uma solução definitiva para as questões levantadas durante a greve.
O governo também reiterou seu compromisso com o fortalecimento do INSS, não apenas com o reajuste salarial, mas também com a reestruturação das condições de trabalho e o aprimoramento dos serviços prestados à população, visando tornar o órgão mais eficiente e acessível.
Considerações finais
A decisão do STJ e o acordo assinado entre o governo e a CNTSS marcam um ponto de inflexão nas negociações da greve do INSS, mas as divergências internas entre as entidades sindicais e o governo mostram que a resolução definitiva ainda pode estar distante. Parte da categoria permanece mobilizada e reivindicando melhores condições de trabalho, enquanto outra parte já aceitou os termos negociados e retomou suas atividades.
Com as promessas de reajuste salarial e o reconhecimento da carreira do INSS como parte estratégica do Estado, o governo parece ter dado um passo importante na valorização dos servidores. No entanto, a continuação das manifestações sugere que ainda há muito a ser discutido e negociado.
