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Gilmar cobra “abrir contas” e Kassio responde: “Me respeite”

A tensão entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo fora dos plenários. Kassio Nunes Marques bloqueou Gilmar Mendes no WhatsApp depois de uma troca de mensagens em tom ríspido, ocorrida em 8 de setembro, durante um período de forte disputa institucional envolvendo o caso Banco Master. O episódio veio a público […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
gilmar mendes

A tensão entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo fora dos plenários. Kassio Nunes Marques bloqueou Gilmar Mendes no WhatsApp depois de uma troca de mensagens em tom ríspido, ocorrida em 8 de setembro, durante um período de forte disputa institucional envolvendo o caso Banco Master.

O episódio veio a público em meio ao julgamento que discute a possibilidade de abertura de uma investigação relacionada ao ministro Alexandre de Moraes e ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A controvérsia envolve também questionamentos sobre a participação de ministros em processos relacionados ao caso e sobre a validade de elementos obtidos pela Polícia Federal.

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O que aconteceu entre Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes

Gilmar Mendes
Imagem: Salty View/shutterstock.com

A discussão começou depois de Gilmar Mendes cobrar Nunes Marques e Luiz Fux sobre a atuação deles em processos relacionados ao caso. Segundo a transcrição divulgada pela imprensa, o decano do STF questionou a permanência dos dois ministros nos julgamentos e pediu que apresentassem informações financeiras.

Em determinado momento, Gilmar afirmou que os colegas deveriam deixar os processos e “abrir as contas”. Nunes Marques respondeu pedindo respeito e afirmou que aquela não seria uma postura adequada entre integrantes da Corte.

A conversa prosseguiu por alguns minutos, com novas cobranças de Gilmar sobre a permanência de Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente do TSE respondeu que prestava contas de sua atuação como magistrado havia 15 anos.

Ao final do diálogo, Gilmar fez novas acusações em tom crítico. Depois da conversa, Nunes Marques bloqueou o contato do colega no aplicativo.

A existência e o conteúdo da troca foram noticiados por diferentes veículos, com a transcrição atribuída às mensagens trocadas entre os ministros.

Por que a discussão ocorreu em meio ao caso Master

A troca de mensagens aconteceu em 8 de setembro, justamente quando a Segunda Turma do STF analisava uma decisão relacionada ao afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal.

O episódio se conecta a uma disputa mais ampla sobre a condução das investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. No processo que chegou ao plenário do Supremo, o ministro André Mendonça apresentou relatório baseado em informações extraídas do celular de Vorcaro e encaminhou a questão à Presidência da Corte.

A própria tramitação oficial mostra que, em 8 de setembro, Gilmar Mendes pediu vista em um processo relacionado ao afastamento de Rodrigues.

O conflito, portanto, não se limitou a uma divergência pessoal. As mensagens foram trocadas enquanto ministros discutiam decisões judiciais com reflexos sobre a condução de investigações da Polícia Federal.

Nunes Marques se declarou impedido no julgamento

kassio
Fellipe Sampaio/STF

Em 15 de setembro, Nunes Marques anunciou que não participaria do julgamento relacionado à possibilidade de investigação sobre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

O ministro justificou o impedimento pela sua posição como presidente do TSE e pelo possível impacto da decisão sobre o cenário político-eleitoral, considerando a proximidade das eleições. O STF confirmou oficialmente que Nunes Marques não participou da análise.

Dias Toffoli também declarou suspeição por motivo de foro íntimo e ficou fora do julgamento.

A decisão de Nunes Marques ocorreu no mesmo período em que foram divulgadas mensagens extraídas do aparelho celular de Vorcaro com referências a pessoas próximas de ministros. Durante a sessão, Nunes Marques negou relação com o Banco Master e afirmou que seu filho, o advogado Kevin Marques, não havia prestado serviços à instituição, segundo relatos publicados pela imprensa.

Julgamento sobre Moraes foi suspenso

O STF iniciou em 15 de setembro a análise da Petição 16.662, relacionada ao relatório produzido pela Polícia Federal sobre mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e suas possíveis relações com Alexandre de Moraes.

O plenário, porém, não chegou ao mérito da investigação. O ministro Flávio Dino pediu vista quando os ministros ainda discutiam uma questão de ordem sobre a possibilidade de reunir esse processo com outra petição, a Petição 16.704.

O ponto é relevante porque ainda não houve uma decisão definitiva do plenário autorizando ou rejeitando, no mérito, a investigação mencionada. A Procuradoria-Geral da República também questionou aspectos procedimentais do caso.

Enquanto isso, a Polícia Federal informou oficialmente que o material original extraído do celular de Vorcaro permanece sob sua custódia, com cadeia de custódia documentada. A corporação também declarou que as cópias entregues aos gabinetes dos ministros são idênticas à extração realizada.

PF também apura suspeitas envolvendo Cezinha de Madureira

A crise ganhou outro desdobramento com a Operação Transparência 3, deflagrada pela Polícia Federal em 14 de setembro. A investigação apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A PF informou que a apuração envolve possíveis negociações para influenciar resultados de processos em tribunais superiores. A corporação ressaltou, contudo, que não havia elementos indicando participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos investigados.

Reportagens sobre a investigação mencionaram contatos do deputado Cezinha de Madureira com ministros, incluindo Nunes Marques e André Mendonça. Os magistrados citados não são investigados nessa apuração.

 Foto: Rosinei Coutinho/STF

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