O mercado brasileiro de delivery de comida está prestes a passar por uma profunda transformação com a chegada da Keeta, aplicativo chinês controlado pela gigante Meituan. A empresa anunciou oficialmente sua entrada no Brasil na última segunda-feira, 12 de maio, com um aporte inicial de US$ 1 bilhão — cerca de R$ 5,6 bilhões — para iniciar suas operações ainda em 2025.
Keeta chega ao brasil para competir com o iFood no mercado de delivery
Keeta, aplicativo chinês de delivery da Meituan, investe US$ 1 bilhão para competir com o iFood no Brasil. Confira os detalhes.
A movimentação sinaliza o início de uma nova fase no setor, atualmente dominado pelo iFood, com promessas de maior competitividade, novas vagas de emprego e alternativas para restaurantes e consumidores.
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Um novo competidor de peso

Quem é a Meituan?
A Meituan é um dos maiores superapps da China, com atuação em diversas frentes, como entrega de alimentos, transporte, aluguel de bicicletas e venda de passagens. A plataforma conta com mais de 770 milhões de usuários ativos e impressionantes 98 milhões de pedidos entregues por dia em seu território de origem.
Fundada por Wang Xing, que também é CEO da empresa, a Meituan tem se expandido internacionalmente com a marca Keeta. Após o lançamento em Hong Kong, em 2022, e na Arábia Saudita, em 2024, o Brasil será o terceiro país a receber o aplicativo.
“O Brasil é um grande mercado e com potencial ainda maior. É um privilégio poder contribuir para o seu crescimento econômico e para que os brasileiros tenham mais escolhas”, afirmou Wang Xing, durante o anúncio feito na China, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Estrutura nacional e foco no Nordeste
Para consolidar sua operação no país, a Keeta planeja criar uma rede nacional de entregas, com o objetivo de contar com 100 mil entregadores parceiros já no primeiro ano de operação.
Além disso, a empresa promete entre 3 mil a 4 mil vagas em centrais de atendimento ao cliente, majoritariamente na região Nordeste, com foco na geração de empregos diretos.
Estão disponíveis no site oficial da marca os primeiros formulários de cadastro para entregadores e estabelecimentos, o que demonstra a antecipação da empresa em formar uma base sólida antes do lançamento definitivo.
Concorrência acirrada e estratégias agressivas
Mercado movimentado: Didi e Rappi também reagem
A entrada da Meituan não é o único movimento relevante no setor de delivery no Brasil em 2025. Em abril, o Grupo Didi, controlador da 99, anunciou o retorno do serviço 99Foods, descontinuado em 2022. O investimento, também de US$ 1 bilhão, tem como diferencial a isenção de taxas para restaurantes parceiros, uma medida que promete atrair pequenos e médios empreendedores do ramo alimentício.
O Rappi, segundo maior aplicativo no país, também adotou estratégia semelhante, anunciando isenção de comissões para estabelecimentos cadastrados. Essas medidas são vistas como resposta direta ao domínio quase absoluto do iFood.
Boicote e críticas ao modelo atual
A ofensiva das novas plataformas ocorre em meio a uma crescente insatisfação do setor de alimentação com o iFood. A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) lançou recentemente um boicote à plataforma, alegando que as taxas cobradas são excessivas e prejudiciais aos negócios.
“As taxas excessivas fazem com que os restaurantes praticamente trabalhem para o iFood. O monopólio estabeleceu uma relação predatória e de dominância com os parceiros”, criticou Edson Pinto, diretor-executivo da entidade.
Quais são as apostas da Keeta no Brasil?
Apesar de não ter divulgado oficialmente sua política de comissões, descontos ou promoções para o consumidor final, a expectativa é que a Keeta adote estratégias agressivas para conquistar espaço no mercado.
Com base em sua experiência na China, onde atua como superapp, não se descarta que a empresa traga para o Brasil uma versão expandida do aplicativo, com mais serviços além do delivery de comida.
Potencial de inovação
Especialistas do setor acreditam que a Keeta pode não apenas competir por preço, mas também por inovação tecnológica, logística eficiente e programas de fidelidade mais vantajosos para clientes e parceiros.
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+311 mil seguidores
“O fato de ser uma gigante como a Meituan, com recursos, tecnologia e histórico de eficiência na China, coloca a Keeta como uma ameaça real ao domínio do iFood no Brasil”, analisa o consultor de varejo digital André Tavares.
O consumidor pode se beneficiar?

A entrada da Keeta e o fortalecimento de outras plataformas como o 99Foods e o Rappi apontam para um cenário mais competitivo, o que tende a ser positivo para o consumidor brasileiro.
A expectativa é de que os preços caiam, haja mais opções de restaurantes disponíveis e uma possível melhoria nos serviços prestados, já que as empresas precisarão se destacar para manter a preferência dos usuários.
Além disso, o modelo atual — amplamente criticado por suas altas comissões e políticas pouco transparentes — pode ser reformulado com a pressão da concorrência.
Expectativas para 2025
A Keeta ainda não divulgou a data oficial de estreia no Brasil nem as cidades onde começará a operar, mas os cadastros e o ritmo acelerado dos investimentos indicam que o lançamento pode ocorrer ainda no segundo semestre de 2025.
O que está claro é que o cenário do delivery de alimentos está mudando rapidamente e o Brasil se tornou o novo campo de batalha entre gigantes da tecnologia global.
Conclusão
A chegada da Keeta ao Brasil inaugura uma nova era no setor de delivery. Com um investimento robusto, estrutura nacional planejada e o respaldo de uma das maiores empresas de tecnologia da China, a Meituan se coloca como um rival de peso para o iFood.
Em um cenário de monopólio desgastado, críticas à liderança atual e movimentações estratégicas de concorrentes, a promessa é de mais opções para restaurantes, entregadores e consumidores — e, quem sabe, um setor mais equilibrado e justo para todos.
Imagem: VCG/VCG via Getty Image

