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King demite funcionários e deve substituir por inteligência artificial

Funcionários da King, criadora de Candy Crush, relatam substituição por IA após demissões promovidas pela Microsoft.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
inteligência artificial

A King, estúdio responsável por um dos jogos mobile mais rentáveis do mundo, o Candy Crush Saga, tornou-se alvo de críticas internas e públicas após uma série de demissões promovidas pela Microsoft, sua empresa-mãe.

Segundo reportagem publicada pelo portal MobileGamer, os desligamentos envolveram cerca de 200 funcionários — embora fontes internas sugiram que o número real pode ser ainda maior. O mais alarmante, no entanto, é a denúncia de que muitos desses profissionais estão sendo substituídos por ferramentas de inteligência artificial (IA) desenvolvidas por eles mesmos.

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IA empregos
Imagem: sdecoret / Adobe Stock

Em janeiro de 2024, a Microsoft anunciou um plano de corte de aproximadamente 1.900 posições em sua divisão de jogos, afetando empresas como Activision Blizzard, Xbox e King. Embora inicialmente esse movimento tenha sido justificado como parte de uma reestruturação, novas informações apontam para uma motivação mais específica: a substituição de mão de obra por ferramentas de IA, especialmente em setores como design de níveis e copywriting.

Um funcionário da King, que pediu anonimato por medo de represálias, afirmou ao MobileGamer que a equipe de design de fases do Candy Crush foi praticamente desmantelada.

“A maior parte do [pessoal de] design de níveis foi apagada, o que é uma loucura, já que eles passaram meses desenvolvendo ferramentas para criar níveis mais rapidamente”, disse.

Ferramentas que substituem seus próprios criadores

Segundo o relato, as ferramentas de IA desenvolvidas para agilizar a criação de conteúdo nos jogos da King estão agora sendo utilizadas para eliminar a necessidade das próprias equipes que as criaram. O setor de copywriting também teria sofrido baixas significativas, com funções sendo automatizadas por sistemas de geração de texto.

“Agora, essas ferramentas de IA estão basicamente substituindo as equipes. Da mesma forma, a equipe de copywriting está removendo completamente as pessoas, já que agora temos ferramentas de IA que essas pessoas criaram.”

A ironia da situação é um dos pontos mais revoltantes para os ex-funcionários. A promessa de eficiência e produtividade, promovida pelo uso da IA, acabou sendo a justificativa para cortes em áreas criativas e sensíveis da empresa.

Cortes na equipe de Farm Heroes Saga

Ainda de acordo com fontes ouvidas pela reportagem, o impacto não se restringiu apenas ao Candy Crush. O time de Farm Heroes Saga, outro título popular da King, também sofreu reduções severas. Aproximadamente metade da equipe teria sido demitida — o que representa cerca de 50 pessoas.

Além disso, as mesmas fontes alegam que o número total de demitidos pode ultrapassar os 200 inicialmente divulgados, sugerindo que as perdas de capital humano foram mais profundas do que as informações oficiais indicam.

Empresa lucrativa, mas foco em “eficiência”

As críticas não se limitam ao aspecto técnico das demissões, mas à lógica empresarial por trás delas. Segundo os relatos, os cortes não foram motivados por prejuízos financeiros ou crise na companhia. Muito pelo contrário — a King continua sendo uma das divisões mais lucrativas da Microsoft no setor de games.

“O fato das ferramentas de IA estarem substituindo pessoas é absolutamente repugnante, mas tudo se resume à eficiência e aos lucros, mesmo que a empresa esteja indo muito bem no geral”, desabafou o funcionário.

A percepção interna é de que o foco em automação, ao invés de fortalecer as equipes humanas, está criando um ambiente mais impessoal e voltado exclusivamente para resultados operacionais.

“Se estamos introduzindo mais ciclos de feedback, é loucura remover os próprios desenvolvedores; precisamos de mais mãos e menos liderança.”

Repercussão e preocupações no setor de games

Reprodução / King

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A situação na King reacende debates sobre o papel da IA no mercado de trabalho, especialmente nas indústrias criativas como a de games. A substituição de designers e redatores por algoritmos coloca em xeque não apenas os empregos, mas também a qualidade do conteúdo entregue aos jogadores.

Especialistas alertam que, embora ferramentas de IA possam acelerar processos, elas ainda carecem da sensibilidade humana necessária para criar experiências envolventes e memoráveis nos jogos. A remoção em massa de talentos pode comprometer a inovação e a identidade das franquias.

Microsoft e King não comentam oficialmente

Até o momento, nem a Microsoft nem a King se pronunciaram oficialmente sobre as alegações de substituição por IA. As empresas limitaram-se a confirmar que as demissões fazem parte de um “ajuste organizacional” pós-aquisição da Activision Blizzard, concluída em 2023, e que o foco está na integração das equipes e no alinhamento de estratégias.

A ausência de um posicionamento transparente aumenta a pressão sobre as companhias, que já enfrentam críticas de sindicatos, desenvolvedores independentes e consumidores.

O futuro da IA nos jogos

Com o avanço acelerado da inteligência artificial em diversas áreas da indústria de tecnologia, casos como o da King devem se tornar cada vez mais comuns. A automação de processos criativos, antes considerados exclusivamente humanos, gera uma nova realidade que exige regulamentações, debates éticos e novas formas de proteger os trabalhadores.

O caso da King não é isolado, mas serve como alerta. À medida que as empresas priorizam eficiência e margens de lucro, o risco de tornar invisíveis os profissionais que constroem os produtos de sucesso aumenta. E para o setor de games — cuja alma está na criatividade e na experiência do usuário — essa é uma fronteira que não pode ser ignorada.

Imagem: FOTOGRIN e Phonlamai Photo / Shutterstock –

Edição: SeuCréditoDigital

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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