O avanço das tecnologias de inteligência artificial começa a alterar profundamente a estrutura de trabalho dentro da indústria de games. Um dos casos mais recentes e significativos envolve a King, estúdio responsável pelo popular jogo Candy Crush, que está substituindo cerca de 200 funcionários por ferramentas de IA desenvolvidas internamente.
Funcionários do estúdio de Candy Crush são substituídos por IA criada pela empresa
O estúdio King, criador de Candy Crush, está demitindo cerca de 200 funcionários e substituindo equipes por ferramentas de inteligência artificial.
A decisão faz parte de uma onda maior de cortes promovida pela Microsoft, que comprou a King por meio da aquisição da Activision Blizzard. Os desligamentos ocorreram mesmo após anos de contribuição direta dos funcionários no desenvolvimento das ferramentas que agora tomam seus lugares.

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Parte de uma reestruturação maior da Microsoft
Em outubro de 2023, a Microsoft concluiu a compra da Activision Blizzard, incorporando também a King ao seu portfólio. Desde então, a empresa tem promovido cortes significativos de pessoal. Em julho de 2025, a Microsoft anunciou oficialmente a demissão de aproximadamente 9 mil funcionários, impactando diversas divisões, incluindo o setor de games, com destaque para o Xbox.
Agora, a King também aparece como uma das afetadas, embora as motivações no caso do estúdio tenham um peso adicional: a substituição dos trabalhadores pelas próprias ferramentas de IA que ajudaram a criar.
Ferramentas internas de IA assumem funções criativas
As demissões na King impactaram especialmente áreas criativas e técnicas, como design de níveis, experiência do usuário (UX) e pesquisa com usuários. De acordo com fontes ligadas à empresa, ouvidas pelo portal MobileGamer.biz, a maior parte do time de design de níveis foi eliminada. Muitos desses profissionais passaram meses desenvolvendo ferramentas de IA que agora realizam as tarefas antes atribuídas a eles.
Uma das fontes destacou a ironia da situação, afirmando que “as ferramentas que os funcionários desenvolveram para tornar o trabalho mais rápido agora são utilizadas para substituí-los”.
Além disso, a equipe de redação da empresa também teria sido dissolvida completamente, substituída pelas soluções automatizadas desenvolvidas ao longo do tempo. A equipe responsável pelo jogo Farm Heroes Saga teria sido a mais afetada, com cerca de 50 cortes que representam, segundo relatos, metade da força de trabalho dedicada ao game.
Candy Crush segue ativo, mas equipe reduzida
Apesar da redução significativa de pessoal, a King continua operando seus principais títulos, como Candy Crush Saga, um dos jogos mobile mais bem-sucedidos do mundo. No entanto, o impacto dos cortes levanta questões sobre como a qualidade e a inovação dos jogos da empresa serão mantidas diante da nova realidade operacional baseada em IA.
Especialistas alertam que, embora a automação possa aumentar a eficiência em algumas tarefas, a criatividade humana ainda é essencial em áreas como narrativa, design interativo e empatia com o jogador.
Impactos para o mercado de trabalho na indústria de games
A substituição de trabalhadores por IA, especialmente em uma empresa do porte da King, levanta preocupações mais amplas sobre o futuro do mercado de trabalho no setor de tecnologia e entretenimento. Muitos profissionais da indústria de jogos veem a situação como um alerta sobre os riscos da automação descontrolada.
Embora o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de jogos venha crescendo nos últimos anos, inclusive com geração automática de níveis, animações e roteiros, essa é uma das primeiras vezes em que uma empresa demite em massa funcionários criativos e técnicos para substituí-los diretamente pelas ferramentas que eles mesmos criaram.
Microsoft e King não se manifestam
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A reportagem do MobileGamer.biz tentou contato com a Microsoft e a King para obter esclarecimentos sobre os cortes e a adoção da IA nas funções antes exercidas por humanos. Até o momento, nenhuma das empresas respondeu aos questionamentos.
O silêncio das companhias reforça o clima de incerteza que paira sobre os estúdios de games pertencentes ao conglomerado da Microsoft, que já enfrenta críticas por outras decisões corporativas semelhantes em outras divisões.
O dilema entre inovação e responsabilidade social
A adoção de inteligência artificial é vista como um caminho inevitável para muitas empresas do setor de tecnologia. No entanto, o caso da King reacende o debate sobre os limites éticos da automação e a responsabilidade das empresas em relação aos seus colaboradores.
Especialistas defendem que a transição para um modelo mais automatizado precisa ser feita de maneira equilibrada, oferecendo requalificação e novas oportunidades aos profissionais impactados, ao invés de simplesmente substituí-los por ferramentas criadas para “agilizar” o trabalho.
Conclusão

O caso da King mostra um retrato preocupante do impacto que a inteligência artificial pode ter no mercado de trabalho, especialmente quando utilizada para substituir diretamente profissionais qualificados. Embora a tecnologia prometa eficiência e economia de recursos, seu uso indiscriminado pode comprometer a criatividade, a diversidade e a sustentabilidade da indústria de games.
O futuro da King, e da própria indústria de jogos, dependerá da forma como as empresas escolhem equilibrar inovação tecnológica e responsabilidade social com seus funcionários.
