Quem nasceu nos anos 1980 provavelmente tem memórias afetivas com uma companhia que está à beira da falência. Seja para tirar uma foto ou para revelá-la, era preciso recorrer aos serviços da Kodak, uma gigante norte-americana fundada na década de 1880.
CEO de gigante à beira da falência admite: empresa pode encerrar operações por falta de liquidez
Kodak, icônica empresa de câmeras, enfrenta risco de falência após mais de um século, pressionada pelo avanço dos smartphones e mudanças tecnológicas.
Durante décadas, a marca se consolidou como referência no mundo da fotografia. De pioneira, a Kodak criou produtos inovadores, campanhas memoráveis e se tornou parte da vida de milhões de consumidores ao redor do mundo. No entanto, os tempos mudaram e, com eles, os hábitos e tecnologias que deram origem ao sucesso da empresa.
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O impacto dos smartphones na fotografia

O advento do smartphone rompeu com a tradição que grande parte da população tinha com as câmeras fotográficas. A empresa demorou a entender esse movimento e seguiu tentando se sobressair em um segmento que cada vez mais perdia força.
Com a democratização da fotografia digital e a facilidade de compartilhar imagens instantaneamente, a dependência de filmes e câmeras analógicas começou a declinar. A Kodak, que por anos reinou soberana, passou a ser vista como um elefante na sala, incapaz de acompanhar a inovação tecnológica de seu setor.
Prejuízos e comunicado recente
Nesta semana, a marca emitiu um comunicado dizendo que não tem liquidez suficiente para seguir em atividade. Dada a falta de recursos próprios, a qualquer momento, a empresa pode fechar as portas.
O relatório foi divulgado junto do balanço do segundo trimestre, quando a empresa reportou um prejuízo de US$ 26 milhões. Na separação por ação, o resultado foi negativo em US$ 0,36 aos investidores.
“A Kodak tem dívidas vencendo nos próximos 12 meses e não possui financiamento garantido ou liquidez disponível para cumprir tais obrigações de dívida, caso se tornem devidas de acordo com seus termos atuais”, disse a empresa. “Essas condições levantam dúvidas substanciais sobre a capacidade da Kodak de continuar em continuidade operacional”, completou.
Desempenho na bolsa de valores

Atualmente, a Kodak tem suas ações negociadas na bolsa de valores de Nova Iorque, onde contabiliza um valor de mercado de US$ 450 milhões. Nesta quarta-feira, cada ação operava por volta de US$ 5,50, com uma leve recuperação em relação à cotação da véspera.
No entanto, desde o começo do ano, os papéis acumulam uma desvalorização de quase 17% no mercado. Quem investiu na companhia quando ela chegou à bolsa, em 2013, perdeu uma quantia significativa, mostram os dados de NYSE.
Plano B para evitar colapso financeiro
De acordo com a marca, uma das saídas para quitar as dívidas é encerrar o plano de aposentadoria. A decisão sobre isso deve acontecer em breve, quando a empresa informará se há recursos suficientes para pagar os participantes do plano.
Além disso, a direção destacou que as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump não devem pressionar ainda mais os números da companhia. A produção da Kodak ocorre nos Estados Unidos, o que a mantém fora das tarifas aplicadas sobre importações.
Recuperações anteriores e novos caminhos
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A Kodak passou por uma recuperação em 2012, quando declarou ter mais de US$ 6,7 bilhões em dívidas. A proteção judicial permitiu que a empresa reorganizasse suas finanças momentaneamente.
Depois disso, a companhia diversificou suas atividades, incluindo a atuação na indústria farmacêutica em parceria com o governo americano. Atualmente, a Kodak busca aliar suas produções tradicionais a licenciamentos de marca para outras linhas de produtos, como smartphones e materiais tecnológicos.
Desafios e incertezas futuras

Mesmo com essas estratégias, o futuro da Kodak é incerto. A marca precisa encontrar um equilíbrio entre manter sua tradição no mundo da fotografia e se reinventar para permanecer relevante em um mercado dominado pela tecnologia digital.
Especialistas apontam que a capacidade de inovação, parcerias estratégicas e adaptação ao mercado serão cruciais para que a empresa sobreviva. Caso contrário, a Kodak corre o risco de se tornar mais um exemplo de uma gigante que não conseguiu acompanhar as mudanças tecnológicas.
Considerações finais
A história da Kodak é um reflexo de como a inovação constante é essencial para a sobrevivência de empresas centenárias. A marca, que marcou gerações e definiu padrões de fotografia, enfrenta agora um desafio que determinará seu futuro.
A lição é clara: no mundo dos negócios, tradição e nostalgia não garantem sustentabilidade, e a capacidade de adaptação é o que separa o sucesso do fracasso.
