Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Laudêmio: entenda o que é a taxa e quais os tipos de cobrança

O laudêmio é um tipo de arrendamento, isto é, é pago um tributo para usufruir do território e no Brasil há dois tipos

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins4 min de leitura
duas pessoas calculando finanças, uma segurando uma calculadora e a outra segurando um lápis, enquanto uma casa em miniatura está pousada na mesa.

Como consequência das fortes chuvas na cidade de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, centenas de pessoas perderam suas vidas e muitas outras ficaram desalojadas. Com isso o debate sobre o laudêmio veio à tona novamente. 

A taxa para transações imobiliárias é cobrada na cidade e foi instituída na época colonial. O valor é repassado aos descendentes da família imperial até hoje, mesmo após 130 anos do fim da monarquia no Brasil.

O laudêmio é um tipo de arrendamento, isto é, é pago um tributo para usufruir do território. Em nosso país há dois tipos, vejamos:

Território de Marinha

Geralmente, na costa litorânea brasileira o laudêmio é pago à União pelos proprietários que possuem imóvel em área tida como “de marinha”. Quando uma propriedade é vendida, é cobrada uma taxa de 5% sobre o valor.

Além da taxa sobre a venda, os moradores devem pagar anualmente 0,6% do valor da propriedade a título de foro.

Taxa do príncipe

O laudêmio conhecido como “taxa do príncipe” foi criado em 1847 e é pago, por aqueles que residem na área onde seria a Fazenda Córrego Seco, aos herdeiros de Dom Pedro I.

A Fazendo Córrego Seco foi comprada pelo imperador em 1830, por vinte mil réis e foi herdada por Pedro II, que construiu ali seu palácio de verão, o que deu origem à ocupação de Petrópolis. 

É abrangida pelo terreno grande parte da região central de Petrópolis, onde estão localizados algumas das residências de maior valor na cidade e também onde aconteceu a tragédia que ceifou mais de 180 vidas em decorrência das chuvas.

Não se sabe ao certo quanto o laudêmio arrecada por ano, mas a taxa de 2,5% cobrada sobre o valor dos imóveis em operações de compra e venda é revertida para a empresa imobiliária criada pelos descendentes do imperador.

Numa transação de uma mansão localizada próximo a casa da princesa Isabel no valor de R$ 7 milhões, o valor do laudêmio seria, por exemplo, R$ 175 mil.

A “taxa do príncipe” é destinada a Companhia Imobiliária de Petrópolis (CIP), que tem sua sede na antiga residência de verão da princesa Isabel e é gerida pelos descendentes de Dom Pedro I.

Não há muitas informações a respeito da companhia, nem mesmo um site. Na Receita Federal, ela está com o CNPJ ativo e se enquadra como “Sociedade Anônima Fechada”, com o “aluguel de imóveis próprios” como sua principal atividade. Entretanto, o nome do responsável não aparece.

A família imperial entrou na Justiça por causa a divisão de quem ganha a taxa remanescente da monarquia, onde os sócios minoritários discutem a administração e distribuição dos valores.

A promessa feita por Bolsonaro, do fim do laudêmio, ainda não foi cumprida

Na justiça, várias ações tramitam para acabar com a “taxa do príncipe”. 

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Em 2020, chegou ao fim o processo mais longo do Brasil, que foi iniciado pela princesa Isabel. Depois de 125 anos de disputa judicial, o Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu a posse do Palácio Guanabara à União.

O presidente Jair Bolsonaro já chegou a afirmar que o governo federal propõe-se a acabar com a cobrança do laudêmio, o que, segundo ele, beneficiaria mais de 600 mil imóveis.

Foi lançado em agosto de 2021, pela Secretaria de Patrimônio da União, do Ministério da Economia, e pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), um aplicativo – SPUApp (disponível para Android e iOS) – que simplifica a desobrigação de foro através da compra dessa parte do imóvel da União, quando a propriedade localiza-se em áreas de marinha.

Quem optar por realizar esse procedimento ficará livre dessas taxas, passando a ser proprietário do imóvel integralmente.

Recentemente, o deputado federal (PSB-RJ) Marcelo Freixo criou um projeto de lei que acaba com a “taxa do príncipe” e propõe usar o valor, que atualmente é destinado ao laudêmio, para promover políticas públicas de prevenção e combate a desastres ambientais.

Enfim, quer ficar por dentro de tudo o que acontece no mundo das finanças?

Então, siga-nos no canal no YouTube e em nossas redes sociais, como o  Facebook, Twitter, Instagram, e Twitch. Assim, você acompanhará tudo sobre bancos digitais, cartões de crédito, empréstimos, fintechs e matérias relacionadas ao mundo das finanças.

Imagem: 89stocker / Shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

Topicos relacionados