O leilão on-line que reuniu 391 lotes de produtos da Casas Bahia terminou nesta quinta-feira (20), com ofertas de celulares, televisores, notebooks, fogões, geladeiras, máquinas de lavar e eletroportáteis. Os maiores descontos efetivamente registrados chegaram a 68% em relação aos valores de referência.
A disputa aconteceu pela internet e atraiu principalmente compradores interessados em lotes coletivos, que reuniam dezenas de produtos. Para quem pretendia comprar apenas um item para uso próprio, porém, as condições do leilão exigiam atenção: as mercadorias foram vendidas no estado em que se encontravam, sem garantia de funcionamento e sem possibilidade de troca ou devolução.
O certame também ganhou repercussão por ocorrer durante o processo de recuperação judicial da Casas Bahia, que envolve R$ 17,3 bilhões em dívidas. A empresa, no entanto, afirma que leilões desse tipo são uma prática recorrente e estão relacionados a produtos do Departamento de Assistência Técnica (DAT).
Leia mais:
NIS final 4 recebe Bolsa Família de agosto nesta sexta-feira, 21
Quais foram os maiores descontos do leilão?

Os descontos mais expressivos apareceram principalmente nos lotes coletivos. Um dos destaques foi um conjunto com 24 eletroportáteis das marcas Mondial, Britânia, Arno, Elgin e Electrolux.
O lote foi arrematado por R$ 1.256, com desconto de 68% em relação ao valor considerado para a negociação.
Outro lote, com sete televisores de marcas como LG, AOC, TCL, Samsung e Philco, foi vendido por R$ 5.082, com desconto de 67%.
Entre os eletrodomésticos, dois fogões Itatiaia de cinco bocas também ficaram entre os maiores abatimentos. Um deles foi arrematado por R$ 407,70, com desconto de 67%, enquanto outro saiu por R$ 422,10, com redução de 66%.
Confira alguns dos principais resultados:
- 24 eletroportáteis: R$ 1.256, com 68% de desconto;
- 7 televisores: R$ 5.082, com 67% de desconto;
- Fogão Itatiaia de cinco bocas: R$ 407,70, com 67% de desconto;
- Outro fogão Itatiaia de cinco bocas: R$ 422,10, com 66% de desconto;
- 25 eletroportáteis: R$ 1.370,10, com 62% de desconto;
- 25 eletrodomésticos: R$ 1.935, com 62% de desconto;
- Samsung Galaxy A36, 128 GB: desconto de 61%;
- Samsung Galaxy A34, 128 GB: desconto de 61%;
- Motorola Moto G35, 256 GB: desconto de 61%.
O desconto chegou a 86%?
A plataforma responsável pelo pregão chegou a apresentar descontos de até 86%, mas esse número precisa ser interpretado com cuidado.
O percentual de 86% comparava o lance inicial com o valor de avaliação do lote. Conforme os participantes aumentavam as ofertas, o preço de arrematação subia e o desconto efetivo diminuía.
Por isso, considerando os valores finais dos lotes, os maiores descontos ficaram na faixa dos 60%, chegando a 68%.
Por que os maiores descontos ficaram nos lotes coletivos?
Uma das características do leilão foi a quantidade de produtos reunidos em determinados lotes.
Em vez de comprar apenas uma televisão ou um celular, o interessado poderia disputar um conjunto com vários aparelhos. Esse formato tende a ser mais interessante para revendedores e comerciantes, que conseguem distribuir o custo entre diferentes mercadorias.
Para o consumidor comum, entretanto, é necessário fazer outra conta. Um lote com 20 ou 25 produtos pode parecer barato pelo valor individual de cada item, mas exige espaço para armazenamento, transporte e, dependendo da condição dos produtos, dinheiro para eventuais reparos.
Os produtos tinham garantia?
Não.
Os itens foram vendidos no estado em que se encontravam, sem garantia de funcionamento e sem direito a troca ou devolução.
As imagens e descrições disponíveis na plataforma também não funcionavam como garantia da condição dos produtos. Por isso, quem participou do leilão assumiu o risco relacionado ao estado real das mercadorias.
Essa condição é especialmente importante no caso de eletrônicos e eletrodomésticos, já que um produto adquirido por um valor muito abaixo do mercado pode precisar de manutenção ou apresentar falta de peças.
Os produtos eram novos ou usados?
Não é possível classificar todos os itens de uma mesma maneira.
O edital identificava os produtos como itens de logística reversa. Essa categoria pode envolver mercadorias que retornaram à cadeia de distribuição por diferentes motivos, como devoluções, assistência técnica, trocas ou outros processos logísticos.
Por isso, estar incluído no leilão não significa necessariamente que um produto seja novo ou usado. A condição deve ser analisada conforme as informações disponíveis para cada lote.
O que a Casas Bahia diz sobre o leilão?
A empresa afirmou que os leilões são uma prática recorrente e estão relacionados a produtos do Departamento de Assistência Técnica (DAT).
A Casas Bahia também declarou que a operação das lojas físicas e do comércio eletrônico continua normalmente, com foco na continuidade do atendimento aos consumidores.
A explicação foi dada em meio à repercussão do leilão nas redes sociais, principalmente pela proximidade com o pedido de recuperação judicial da companhia.
O leilão tem relação com a recuperação judicial?
A realização do pregão ocorreu durante um período de forte reorganização financeira da Casas Bahia.
A companhia entrou com pedido de recuperação judicial envolvendo cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. A empresa também anunciou o fechamento de 298 lojas como parte de sua estratégia de redução de custos e reorganização da operação.
Apesar da proximidade dos acontecimentos, a Casas Bahia afirma que os leilões não são uma iniciativa criada especificamente por causa da recuperação judicial. Segundo a empresa, esse tipo de operação já ocorre regularmente por meio do DAT.
O que significa logística reversa?
Logística reversa é o processo pelo qual produtos retornam ao ciclo de distribuição depois de deixarem o fluxo tradicional de venda.
Isso pode acontecer por devolução de clientes, troca, assistência técnica ou outras situações relacionadas ao pós-venda.
Na prática, isso explica por que um centro de distribuição pode ter um estoque formado por produtos que não serão necessariamente colocados novamente à venda nas lojas convencionais.
Quais custos o comprador precisava considerar?
O valor do lance não representava o custo final da aquisição.
Além do valor pago pelo lote, o comprador precisava considerar:
- comissão do leiloeiro;
- taxas administrativas;
- transporte;
- desmontagem, quando necessária;
- embalagem;
- possíveis reparos;
- peças eventualmente necessárias para colocar o produto em funcionamento.
A comissão do leiloeiro era de 5%, enquanto as despesas administrativas correspondiam a 15% do valor de arrematação, conforme as condições divulgadas para o certame.
Isso significa que um lote arrematado por R$ 1.000, por exemplo, não custaria necessariamente apenas R$ 1.000 ao comprador.
Quem comprou precisava retirar os produtos em Duque de Caxias?
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Sim.
A retirada dos produtos ficou sob responsabilidade dos compradores e deveria ser feita no centro de distribuição da Casas Bahia em Duque de Caxias, mediante agendamento.
O comprador também precisava cuidar da desmontagem, embalagem e transporte dos itens.
Para quem mora fora da Baixada Fluminense, o frete poderia representar uma despesa relevante e precisava entrar no cálculo antes do lance.
O maior lance garantia a compra?
Não necessariamente.
Alguns lotes estavam sujeitos à modalidade de lance condicional. Nesses casos, o maior lance não significava automaticamente que a venda estava aprovada.
A proposta ainda poderia ser analisada pelo vendedor dentro do prazo estabelecido nas regras do leilão.
Essa é outra diferença importante em relação a uma compra tradicional: vencer a disputa de um lote não significa necessariamente concluir a aquisição de forma imediata.
Vale a pena comprar produtos em leilão?
Depende do perfil do comprador.
Para revendedores ou pessoas que têm conhecimento técnico para avaliar eletrônicos e eletrodomésticos, um lote com desconto elevado pode representar uma oportunidade.
Já para quem procura um único produto para uso pessoal, o risco pode ser maior. A ausência de garantia, a impossibilidade de devolução, os custos adicionais e a necessidade de retirar o produto podem reduzir bastante a vantagem do preço.
A melhor forma de avaliar um lote é calcular o custo total da compra, e não apenas observar o percentual de desconto anunciado.
Um celular comprado por um valor muito abaixo do mercado, por exemplo, pode deixar de ser vantajoso caso precise de reparo. Da mesma forma, um lote barato de eletrodomésticos pode ficar caro depois da inclusão do transporte.
O que acontece depois do encerramento do leilão?

O encerramento das disputas não significa que todos os lotes condicionais foram automaticamente aprovados.
As propostas que dependiam de análise ainda precisavam passar pelo procedimento previsto no edital. Depois disso, os compradores aprovados deveriam cumprir as etapas de pagamento e retirada estabelecidas para cada lote.
O leilão ocorre enquanto a Casas Bahia passa por uma fase mais ampla de reorganização financeira, marcada pelo pedido de recuperação judicial e pelo fechamento de centenas de lojas.
Para o consumidor, a principal conclusão é que o pregão não funcionou como uma liquidação convencional. Os preços poderiam ser bastante inferiores aos praticados no varejo, mas os riscos também foram transferidos para quem arrematou os produtos.
Conclusão
O leilão da Casas Bahia terminou com descontos de até 68%, mas os preços baixos vieram acompanhados de riscos. Os produtos foram vendidos sem garantia e sem possibilidade de troca, além de custos extras com taxas e transporte.
Para quem participou, é preciso acompanhar a aprovação dos lotes e organizar a retirada. Já em futuros leilões, o ideal é calcular todos os custos antes de dar um lance.



