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Crise financeira: 7.300 brasileiros perdem casa ou carro por dívidas

Entenda como evitar o leilão de bens por dívidas e veja os riscos para compradores. Leia agora e proteja seu patrimônio!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Homem curvado com um saco nas costas escrito "Debt"

Nos últimos 12 meses, cerca de 7.300 capixabas perderam imóveis, carros ou motos em leilões judiciais ou extrajudiciais por não conseguirem pagar dívidas.

A informação, baseada em levantamento do economista Ricardo Paixão, revela uma tendência preocupante no Espírito Santo, ainda que a inadimplência geral no estado tenha diminuído no mesmo período.

Os dados, apurados com base em informações da Caixa Econômica Federal e da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), indicam que o número de leilões cresceu, impulsionado por dívidas relacionadas a IPTU, IPVA, taxas condominiais, financiamentos imobiliários e até empréstimos pessoais.

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Por que imóveis e veículos estão sendo leiloados?

IPVA
Imagem: Gena Melendrez / shutterstock.com

Dívidas que podem levar à perda de bens

Segundo o advogado Arnon Amorim, diversos tipos de dívida podem culminar na penhora e posterior leilão de bens. Entre elas:

  • Impostos atrasados: como IPTU e IPVA;
  • Dívidas condominiais;
  • Financiamentos imobiliários e de veículos não pagos;
  • Cheques sem fundo;
  • Dívidas trabalhistas e ações civis.

“Contanto que o credor consiga a penhora do bem por meio de ação judicial, ele pode ser leiloado”, explica Amorim.

Além disso, bens também podem ser leiloados em casos de divisão de bens em divórcios, heranças e falências.

Tipos de leilões: judicial e extrajudicial

O leiloeiro Mauro Colodete destaca a diferença entre os dois principais tipos de leilões:

Leilão judicial

  • Envolve processo judicial.
  • É necessário verificar o andamento do processo e visitar o bem, preferencialmente com um profissional habilitado.
  • Há risco de nulidade ou complicações legais.

Leilão extrajudicial

  • Mais comum em financiamentos com alienação fiduciária.
  • Não exige processo judicial.
  • A matrícula e o edital do imóvel estão disponíveis no site do leiloeiro.
  • Deve-se observar se o bem está ocupado, com débitos ou ônus.

Alienação fiduciária: o que é e como funciona

Financiamentos com garantia de bens

No Brasil, grande parte dos imóveis e veículos financiados utiliza o sistema de alienação fiduciária, em que o bem fica no nome do banco até o pagamento total da dívida.

  • Veículos: Se houver atraso, o banco pode solicitar busca e apreensão do carro e colocá-lo em leilão.
  • Imóveis: Se o comprador atrasar as parcelas, o cartório pode notificar e, caso a dívida não seja quitada, o imóvel pode ser leiloado extrajudicialmente, sem ação judicial.

Inadimplência no Espírito Santo: queda no número de devedores

Apesar do aumento dos leilões, o Espírito Santo registrou redução na inadimplência. De acordo com a Fecomércio-ES, o número de inadimplentes caiu em 86,5 mil pessoas em comparação com junho de 2024.

Números da inadimplência no ES:

  • 1,43 milhão de pessoas com contas em atraso.
  • Representa 34,2% da população do estado.
  • Média de 3,9 contas atrasadas por inadimplente.
  • Dívida média: R$ 5.827.
  • Valor total das dívidas: R$ 7,6 bilhões.
  • Cartão de crédito é o principal vilão.
  • 19% afirmam poder quitar as dívidas no próximo mês.

Como evitar o leilão de um bem

Atue logo nas primeiras semanas de atraso

A advogada civilista Rayane Rangel recomenda agir o quanto antes ao perceber dificuldades no pagamento:

“Negociar diretamente com o credor nas primeiras semanas pode evitar a execução.”

Além disso, em casos de cláusulas abusivas ou juros excessivos, é possível ajuizar uma ação revisional de contrato.

Purga da mora: uma saída legal

Nos contratos com alienação fiduciária, o devedor pode evitar o leilão pagando as parcelas vencidas mais encargos dentro do prazo legal, prática conhecida como purga da mora.

Riscos ao comprar bens em leilão

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

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Vantagens e perigos de adquirir imóveis ou veículos leiloados

Embora o preço dos bens em leilão possa ser consideravelmente mais baixo, o processo envolve riscos importantes:

1. Dívidas do bem

  • Débitos de IPTU, condomínio, IPVA ou multas de veículos podem ser transferidos ao comprador.

2. Imóveis ocupados

  • Pode ser necessário entrar com ação de despejo.
  • O processo pode ser lento e judicializado, com risco de resistência por parte dos ocupantes.

“É comum que famílias se recusem a desocupar, exigindo envolvimento da Justiça ou até da polícia”, explica Erivelton Moreira, presidente da Fenaci.

3. Responsabilidade pela desocupação

Em alguns contratos, a desocupação é de responsabilidade do comprador, segundo o advogado Raphael de Barros Coelho.

O que fazer se seu bem for penhorado

Etapas para tentar reverter a situação

  1. Negociação direta: tente acordo com o credor antes da execução judicial.
  2. Ação revisional: se houver irregularidades no contrato.
  3. Purga da mora: regularize os pagamentos dentro do prazo.
  4. Acompanhamento jurídico: essencial em qualquer fase do processo.

Considerações finais

A perda de imóveis e veículos por dívidas é uma realidade crescente, mesmo em meio à queda da inadimplência em alguns estados. O avanço de leilões judiciais e extrajudiciais revela a importância de:

  • Educação financeira para evitar o superendividamento.
  • Acompanhamento jurídico em negociações ou compras em leilão.
  • Agilidade na regularização de pendências financeiras.

Tanto para quem deseja proteger seu patrimônio, quanto para quem pretende arrematar bens em leilões, a informação precisa e o suporte legal são indispensáveis.

Imagem: William Potter / shutterstock.com

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Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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