Nos últimos 12 meses, cerca de 7.300 capixabas perderam imóveis, carros ou motos em leilões judiciais ou extrajudiciais por não conseguirem pagar dívidas.
Crise financeira: 7.300 brasileiros perdem casa ou carro por dívidas
Entenda como evitar o leilão de bens por dívidas e veja os riscos para compradores. Leia agora e proteja seu patrimônio!
A informação, baseada em levantamento do economista Ricardo Paixão, revela uma tendência preocupante no Espírito Santo, ainda que a inadimplência geral no estado tenha diminuído no mesmo período.
Os dados, apurados com base em informações da Caixa Econômica Federal e da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), indicam que o número de leilões cresceu, impulsionado por dívidas relacionadas a IPTU, IPVA, taxas condominiais, financiamentos imobiliários e até empréstimos pessoais.
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Dívidas que podem levar à perda de bens
Segundo o advogado Arnon Amorim, diversos tipos de dívida podem culminar na penhora e posterior leilão de bens. Entre elas:
- Impostos atrasados: como IPTU e IPVA;
- Dívidas condominiais;
- Financiamentos imobiliários e de veículos não pagos;
- Cheques sem fundo;
- Dívidas trabalhistas e ações civis.
“Contanto que o credor consiga a penhora do bem por meio de ação judicial, ele pode ser leiloado”, explica Amorim.
Além disso, bens também podem ser leiloados em casos de divisão de bens em divórcios, heranças e falências.
Tipos de leilões: judicial e extrajudicial
O leiloeiro Mauro Colodete destaca a diferença entre os dois principais tipos de leilões:
Leilão judicial
- Envolve processo judicial.
- É necessário verificar o andamento do processo e visitar o bem, preferencialmente com um profissional habilitado.
- Há risco de nulidade ou complicações legais.
Leilão extrajudicial
- Mais comum em financiamentos com alienação fiduciária.
- Não exige processo judicial.
- A matrícula e o edital do imóvel estão disponíveis no site do leiloeiro.
- Deve-se observar se o bem está ocupado, com débitos ou ônus.
Alienação fiduciária: o que é e como funciona
Financiamentos com garantia de bens
No Brasil, grande parte dos imóveis e veículos financiados utiliza o sistema de alienação fiduciária, em que o bem fica no nome do banco até o pagamento total da dívida.
- Veículos: Se houver atraso, o banco pode solicitar busca e apreensão do carro e colocá-lo em leilão.
- Imóveis: Se o comprador atrasar as parcelas, o cartório pode notificar e, caso a dívida não seja quitada, o imóvel pode ser leiloado extrajudicialmente, sem ação judicial.
Inadimplência no Espírito Santo: queda no número de devedores
Apesar do aumento dos leilões, o Espírito Santo registrou redução na inadimplência. De acordo com a Fecomércio-ES, o número de inadimplentes caiu em 86,5 mil pessoas em comparação com junho de 2024.
Números da inadimplência no ES:
- 1,43 milhão de pessoas com contas em atraso.
- Representa 34,2% da população do estado.
- Média de 3,9 contas atrasadas por inadimplente.
- Dívida média: R$ 5.827.
- Valor total das dívidas: R$ 7,6 bilhões.
- Cartão de crédito é o principal vilão.
- 19% afirmam poder quitar as dívidas no próximo mês.
Como evitar o leilão de um bem
Atue logo nas primeiras semanas de atraso
A advogada civilista Rayane Rangel recomenda agir o quanto antes ao perceber dificuldades no pagamento:
“Negociar diretamente com o credor nas primeiras semanas pode evitar a execução.”
Além disso, em casos de cláusulas abusivas ou juros excessivos, é possível ajuizar uma ação revisional de contrato.
Purga da mora: uma saída legal
Nos contratos com alienação fiduciária, o devedor pode evitar o leilão pagando as parcelas vencidas mais encargos dentro do prazo legal, prática conhecida como purga da mora.
Riscos ao comprar bens em leilão

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Vantagens e perigos de adquirir imóveis ou veículos leiloados
Embora o preço dos bens em leilão possa ser consideravelmente mais baixo, o processo envolve riscos importantes:
1. Dívidas do bem
- Débitos de IPTU, condomínio, IPVA ou multas de veículos podem ser transferidos ao comprador.
2. Imóveis ocupados
- Pode ser necessário entrar com ação de despejo.
- O processo pode ser lento e judicializado, com risco de resistência por parte dos ocupantes.
“É comum que famílias se recusem a desocupar, exigindo envolvimento da Justiça ou até da polícia”, explica Erivelton Moreira, presidente da Fenaci.
3. Responsabilidade pela desocupação
Em alguns contratos, a desocupação é de responsabilidade do comprador, segundo o advogado Raphael de Barros Coelho.
O que fazer se seu bem for penhorado
Etapas para tentar reverter a situação
- Negociação direta: tente acordo com o credor antes da execução judicial.
- Ação revisional: se houver irregularidades no contrato.
- Purga da mora: regularize os pagamentos dentro do prazo.
- Acompanhamento jurídico: essencial em qualquer fase do processo.
Considerações finais
A perda de imóveis e veículos por dívidas é uma realidade crescente, mesmo em meio à queda da inadimplência em alguns estados. O avanço de leilões judiciais e extrajudiciais revela a importância de:
- Educação financeira para evitar o superendividamento.
- Acompanhamento jurídico em negociações ou compras em leilão.
- Agilidade na regularização de pendências financeiras.
Tanto para quem deseja proteger seu patrimônio, quanto para quem pretende arrematar bens em leilões, a informação precisa e o suporte legal são indispensáveis.
Imagem: William Potter / shutterstock.com
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