O nome do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, voltou ao centro do debate político em Brasília. O motivo é a atuação de seu filho, o advogado Enrique Lewandowski, que aparece como um dos possíveis convocados a prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
CPMI do INSS: Filho de Lewandowski é suspeito de blindagem em esquemas de fraudes
Ministro Ricardo Lewandowski nega conflito de interesses após defesa do filho em caso de fraude no INSS. Entenda acusações, investigações e pontos da CPMI.
A controvérsia gira em torno da defesa prestada por Enrique a entidades acusadas de comandar o maior esquema de fraude previdenciária da história do Brasil, responsável pelo desvio de cerca de R$ 730 milhões de aposentados e pensionistas.
O episódio levanta suspeitas de conflito de interesses e tráfico de influência, dado o cargo ocupado pelo pai. Ricardo Lewandowski, por sua vez, nega qualquer irregularidade e afirma que o trabalho do escritório de advocacia de seu filho foi “estritamente legal” e não envolveu o Ministério da Justiça.
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A defesa de Enrique Lewandowski

Quem são os clientes investigados?
Enrique Lewandowski foi contratado para defender duas entidades suspeitas:
- Ambec (Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos)
- Cebap (Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas)
Segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), ambas seriam “entidades de fachada”, usadas para operacionalizar fraudes contra beneficiários do INSS.
O contrato firmado
Documentos revelam que o contrato firmado pelo escritório de Enrique previa:
- Representação administrativa em órgãos federais, como a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor)
- Atuação em demandas de direito administrativo
- Defesa em processos envolvendo consumidores vinculados às entidades
A Senacon, no entanto, é vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado justamente por Ricardo Lewandowski, o que alimenta as suspeitas de conflito de interesse.
Operação Sem Desconto e o maior esquema de fraudes do INSS
A investigação da Polícia Federal
Em 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Desconto, considerada a maior já realizada contra fraudes previdenciárias. O esquema investigado envolvia descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, gerando perdas bilionárias para a população mais vulnerável.
Estrutura da fraude
- Uso de associações falsas para induzir descontos automáticos
- Criação de contratos com documentos irregulares
- Blindagem jurídico-política para evitar investigações
Ambec e Cebap aparecem como protagonistas desse esquema, com ramificações em todo o país.
O que diz Ricardo Lewandowski
Declaração oficial
Em 29 de abril de 2025, o ministro Ricardo Lewandowski negou qualquer conflito envolvendo a atuação de seu filho. Durante audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, afirmou que:
- O trabalho do escritório é “perfeitamente legal”
- Não houve nenhuma petição, audiência ou requerimento vinculando o caso ao Ministério da Justiça
- A autonomia da pasta foi preservada integralmente
Posição da pasta
Em nota à imprensa, o Ministério da Justiça declarou:
“Não há, nem houve, nenhuma atuação do referido escritório no âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O contrato em questão foi estritamente particular, sem interferência na atuação da pasta ou de seus órgãos vinculados.”
As críticas do senador Izalci Lucas
Requerimento de convocação
O senador Izalci Lucas (PL-DF) apresentou requerimento para convocar Enrique Lewandowski à CPMI do INSS. Em sua justificativa, destacou:
- Indícios de tráfico de influência
- Suspeita de que honorários possam ter vindo do dinheiro desviado
- Possíveis contatos formais ou informais com autoridades públicas
Declaração do senador
“O depoimento do convocado é peça-chave para desvendar a arquitetura completa da organização criminosa. Ignorar sua convocação seria uma falha indesculpável desta comissão”, afirmou Izalci.
Documentos e reuniões suspeitas
Ata de reunião com presidente do INSS
O jornal O Estado de S. Paulo revelou a existência de uma ata de reunião de dezembro de 2024, onde Enrique Lewandowski teria se encontrado com Alessandro Stefanutto, então presidente do INSS.
O documento reforça a suspeita de que a atuação do advogado não se limitava à esfera administrativa, mas alcançava interlocutores diretos da autarquia envolvida no escândalo.
Desvinculação posterior
Em entrevista, Enrique disse ter se desvinculado do Cebap após o início das investigações da Polícia Federal.
O peso político do sobrenome Lewandowski

Uma ligação simbólica
Para parlamentares da oposição, o fato de o advogado ser filho do ministro da Justiça é um elemento que não pode ser ignorado.
- A Polícia Federal, principal órgão responsável pela investigação, está subordinada ao ministério comandado por Ricardo Lewandowski.
- O “peso simbólico” do sobrenome, segundo a oposição, pode ter sido usado como forma de pressão indireta sobre autoridades.
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A defesa do ministro
Lewandowski rejeita essa leitura, alegando que as instituições brasileiras funcionam com autonomia e que não houve qualquer tentativa de interferência política.
O que a CPMI do INSS quer esclarecer
Perguntas centrais
A comissão pretende ouvir Enrique Lewandowski para responder questões como:
- Origem dos recursos usados para pagar os honorários advocatícios.
- Trato com operadores do esquema, como o empresário Maurício Camisotti.
- Contatos com agentes públicos em defesa das entidades investigadas.
Relevância do depoimento
Deputados e senadores avaliam que a presença de Enrique é “indispensável” para elucidar como funcionava a engrenagem de blindagem política e jurídica do esquema.
Oposição x Governo: embate político
Argumentos da oposição
- Há fortes indícios de conflito de interesses
- A defesa das entidades investigadas foi além do campo jurídico
- É necessário investigar se houve tentativa de blindagem política
Argumentos do governo
- O contrato é privado e não envolve a pasta do ministro
- O trabalho do advogado foi limitado ao campo administrativo
- A atuação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União ocorreu de forma independente
A repercussão no meio jurídico

Posição da OAB
Ricardo Lewandowski afirmou que a atuação do filho está amparada pelas regras da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e respeita os parâmetros éticos da profissão.
Reação da sociedade civil
Entidades de aposentados e pensionistas, no entanto, cobram mais transparência e defendem que a convocação seja aprovada para evitar dúvidas sobre favorecimentos.
Considerações finais
O caso envolvendo Enrique Lewandowski e a defesa de entidades acusadas de fraudar o INSS expõe a delicada interseção entre jurídico, político e institucional no Brasil.
Se, de um lado, o ministro Ricardo Lewandowski insiste na legalidade da atuação do filho e nega qualquer conflito, de outro, a oposição vê a situação como uma oportunidade para investigar possíveis vínculos de blindagem e tráfico de influência.
Com a CPMI em andamento, a expectativa é que os próximos depoimentos possam esclarecer se a defesa foi apenas um trabalho técnico ou parte de uma engrenagem maior de proteção a um dos maiores esquemas de fraude previdenciária já descobertos no país.
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