O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um dos direitos mais importantes do trabalhador brasileiro, servindo como uma reserva financeira para momentos de necessidade. Mas, além de situações como demissão sem justa causa e a compra de um imóvel, o FGTS pode ser liberado para fins de saúde, incluindo o tratamento de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
FGTS é liberado para autistas, confira seus direitos e como receber valor
Saiba como famílias com pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem acessar o FGTS para custear tratamentos e terapias, conforme o grau de autismo.
Neste artigo, vamos explicar como as famílias com autistas podem acessar o FGTS para custear tratamentos, destacando as diferenças entre os graus de autismo e as exigências legais para cada caso. Se você ou alguém de sua família convive com o autismo, é essencial conhecer seus direitos e saber como garantir o suporte financeiro necessário.
O que é o FGTS e como ele pode ajudar famílias com autistas?

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um direito dos trabalhadores com carteira assinada, no qual o empregador deposita mensalmente 8% do salário do funcionário em uma conta específica. Esse dinheiro fica à disposição do trabalhador em situações previstas em lei, como a demissão sem justa causa, aposentadoria, compra de imóvel e questões de saúde.
Quando se trata de famílias com pessoas com deficiência, incluindo o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o FGTS pode ser sacado para cobrir os custos de tratamentos médicos e terapias essenciais, que muitas vezes são de alto custo. No entanto, a liberação desse benefício varia de acordo com o grau de autismo da pessoa.
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Transtorno do Espectro Autista (TEA): Entendendo os Graus
O autismo é uma condição neurológica que afeta a comunicação, o comportamento e o desenvolvimento da pessoa. O diagnóstico é classificado em três graus, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-11):
- Grau 1 (leve): O autista necessita de um nível de suporte mínimo para realizar atividades do dia a dia.
- Grau 2 (moderado): O autista precisa de um nível significativo de suporte para realizar atividades cotidianas.
- Grau 3 (severo): O autista necessita de suporte substancial e contínuo, geralmente não conseguindo realizar atividades sem assistência.
Essa classificação é importante porque, dependendo do grau de autismo, o processo para liberação do FGTS pode ser mais simples ou exigir uma ação judicial.
Liberação do FGTS para autistas de grau 3 (processo administrativo)
Para pessoas com autismo de grau 3, a gravidade da condição já presume a necessidade de suporte financeiro para tratamentos e terapias. Por isso, o processo de liberação do FGTS é feito de maneira administrativa, ou seja, sem a necessidade de ingressar com uma ação judicial.
Como solicitar a liberação do FGTS para autistas de grau 3?
O procedimento administrativo é relativamente simples, e a família deve seguir os seguintes passos:
Documentação necessária:
- Laudo médico que comprove o diagnóstico de autismo de grau 3.
- Documentos pessoais do titular do FGTS (RG, CPF e Carteira de Trabalho).
- Certidão de nascimento ou documento que comprove o vínculo familiar com a pessoa autista.
- Comprovante de residência.
Solicitação junto à Caixa Econômica Federal:
O trabalhador titular da conta do FGTS deve comparecer a uma agência da Caixa Econômica Federal com toda a documentação necessária. Após a análise dos documentos, o FGTS é liberado em um prazo de até 5 dias úteis, dependendo da complexidade do caso.
Esse processo é mais rápido e simplificado para autistas de grau 3, pois a gravidade da condição já implica a necessidade de acompanhamento contínuo e tratamentos especializados.
Liberação do FGTS para autistas de grau 1 e 2 (via ação judicial)
Nos casos de autismo grau 1 (leve) e grau 2 (moderado), o processo de liberação do FGTS é mais complexo, pois não há uma presunção imediata de necessidade financeira. Nessas situações, a família precisa solicitar a liberação do FGTS por meio de uma ação judicial, demonstrando que os recursos serão usados para custear tratamentos e terapias essenciais.
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Como funciona o processo judicial para liberação do FGTS?
Para que o FGTS seja liberado, a família deve apresentar uma comprovação judicial da necessidade de usar o valor. Isso inclui:
Documentação necessária:
- Laudo médico que ateste o grau do autismo (grau 1 ou 2).
- Documentos pessoais do titular do FGTS e do autista.
- Provas da necessidade do uso do FGTS para tratamentos, como orçamentos de clínicas, receitas médicas e relatórios de profissionais de saúde recomendando tratamentos específicos.
Acompanhamento jurídico:

É fundamental contar com o suporte de um advogado especializado para conduzir o processo judicial. O advogado será responsável por reunir as provas necessárias, ingressar com a ação e garantir que os direitos da família sejam respeitados.
Em muitos casos, o juiz pode conceder uma decisão liminar, permitindo a liberação do FGTS de forma rápida, se a necessidade for comprovada.
Conclusão: Não deixe de garantir seus direitos
Se você tem um familiar diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista e precisa de recursos financeiros para custear tratamentos ou outras necessidades, não deixe de verificar a possibilidade de liberação do FGTS. Seja por meio do processo administrativo para autistas de grau 3 ou via ação judicial para graus 1 e 2, esse direito pode ser fundamental para garantir uma melhor qualidade de vida.
Procure a orientação de um advogado de confiança para garantir que todo o processo seja realizado corretamente. Além disso, continue acompanhando nossas atualizações para se manter informado sobre direitos e benefícios para pessoas com deficiência.
