O governo federal voltou a colocar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) no centro do debate econômico e trabalhista. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), afirmou que pretende propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no primeiro trimestre de 2026, a liberação dos valores retidos de 13 milhões de trabalhadores demitidos em 2025 que haviam aderido ao saque-aniversário. Segundo Marinho, a medida atenderia a uma demanda recorrente de trabalhadores que perderam o emprego, mas continuam impossibilitados de sacar o saldo integral de suas contas do fundo.
Saque-Aniversário FGTS: ministro prevê nova liberação bilionária em 2026; veja quem pode sacar
Governo avalia liberar FGTS retido de 13 milhões de trabalhadores demitidos após adesão ao saque-aniversário.
A sinalização reacende a discussão sobre os efeitos do saque-aniversário, criado em 2019, e que passou por mudanças significativas em 2024 e 2025. Para o Ministério do Trabalho, a atual retenção dos valores após a demissão prejudica famílias que enfrentam dificuldades financeiras, além de comprometer o objetivo social do fundo, que é proteger o trabalhador em situações de vulnerabilidade.
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O saque-aniversário permite que trabalhadores retirem anualmente uma parte do saldo do FGTS, de acordo com a faixa de valores disponível na conta. No entanto, essa modalidade traz uma contrapartida significativa: em caso de demissão sem justa causa, o trabalhador perde o direito de sacar o saldo integral, podendo retirar somente a multa rescisória de 40%.
Consequências para quem aderiu e foi demitido em 2025
Ao aderir à modalidade, milhões de brasileiros foram surpreendidos com a retenção dos valores após a dispensa. Mesmo demitidos, eles permanecem com o saldo bloqueado, salvo em hipóteses excepcionais previstas em lei, como:
- aposentadoria
- doença grave
- compra da casa própria
- situações enquadradas como calamidade pública
A regra é considerada por especialistas como uma limitação que fragiliza a proteção ao trabalhador no momento em que ele mais precisa do recurso.
O que diz o ministro Luiz Marinho
O ministro afirmou que há um pedido legítimo de liberação dos trabalhadores que estão com o saldo retido. Para Marinho, o trabalhador demitido deve ter acesso ao valor acumulado, já que o saldo pertence a ele.
Ele declarou:
“Tem um pedido de trabalhadores, hoje, com seu fundo de garantia retido, mesmo que demitidos. Teríamos 13 milhões de trabalhadores com seu fundo de garantia retido. Seu saldo é dele, é dela, por conta da lei do saque-aniversário. Tem a possibilidade de, no começo do ano, a gente conversar com o presidente para liberar esses recursos para essas famílias.”
Liberação do FGTS retido não afeta sustentabilidade do fundo
Impacto financeiro do FGTS
Segundo Marinho, liberar o montante não prejudicaria as operações de habitação, saneamento e infraestrutura mantidas com recursos do fundo. Ele ressaltou que estudos internos mostram que a medida é possível sem comprometer o orçamento do FGTS.
Marinho frisou que a proposta dependeria de avaliação técnica e política do governo, especialmente por ter ocorrido uma Medida Provisória sobre o tema em 2025. Por isso, outra MP não poderia ser reapresentada no mesmo ano.
Quando a proposta será levada ao presidente Lula
De acordo com o ministro:
- a proposta será apresentada no primeiro trimestre de 2026
- será avaliada como forma de colaborar com a economia
- tem potencial de estimular a circulação de recursos no mercado
A liberação poderia funcionar como uma medida de estímulo econômico, ampliando o consumo e permitindo que famílias endividadas regularizem suas finanças.
Mudanças recentes no crédito baseado no saque-aniversário
Além da discussão sobre a liberação do saldo retido após demissão, o governo também implementou mudanças importantes nas regras de antecipação do saque-aniversário em 2024 e 2025. Essas medidas visam reduzir o risco de endividamento do trabalhador e proteger a sustentabilidade do FGTS.
Nova limitação de parcelas antecipadas
Regras de transição
No primeiro ano da mudança, os trabalhadores podem antecipar até cinco parcelas do saque-aniversário. Essa é considerada uma fase de adaptação às novas normas.
Regras definitivas
Após os primeiros doze meses:
- a antecipação fica limitada a três parcelas
- isso equivale a três anos futuros de saques
A mudança reduz a prática de operações de crédito excessivas, que comprometiam o saldo das contas do FGTS por longos períodos.
Limite de valor de antecipação
Outra mudança significativa foi a criação de um limite para o valor antecipado.
Valores permitidos
- valor mínimo: R$ 100 por parcela
- valor máximo: R$ 500 por parcela
Antes, o trabalhador podia antecipar praticamente todo o saldo do FGTS, o que levou a um aumento no número de contratos simultâneos e elevação no risco de inadimplência.
Segundo o governo, com a nova regra, o trabalhador poderá antecipar até cinco parcelas de R$ 500, totalizando R$ 2.500 na fase inicial.
Limite anual para contratar a linha de crédito
Outra mudança expressiva diz respeito à quantidade de vezes em que o trabalhador pode contratar crédito baseado no saque-aniversário.
Antes
- era possível fazer várias operações simultâneas
- trabalhadores realizavam antecipações múltiplas no mesmo ano
Agora
- é permitido contratar essa linha de crédito apenas uma vez por ano
O objetivo é evitar o superendividamento e reduzir o comprometimento excessivo do saldo do FGTS.
Prazo mínimo de 90 dias para liberar crédito
O governo também estabeleceu um intervalo mínimo para contratação da linha de crédito com garantia do saque-aniversário.
Regra atual
- os bancos só podem liberar crédito após 90 dias da adesão ao saque-aniversário
Situação anterior
- não havia prazo mínimo
- cerca de 26% dos trabalhadores contratavam antecipação no mesmo dia da adesão
O governo entende que esse prazo reduz decisões impulsivas e aumenta o tempo para o trabalhador avaliar se realmente deseja aderir à modalidade.
Impacto econômico da possível liberação do FGTS retido
Injeção imediata de recursos
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Se a proposta for aprovada, 13 milhões de trabalhadores poderão sacar valores que, somados, representam uma injeção bilionária na economia. Esse movimento tende a:
- aumentar o consumo
- aliviar dívidas
- melhorar o fluxo no varejo
- fortalecer a arrecadação indireta
Alívio financeiro para famílias endividadas
Grande parte dos trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos em 2025 enfrenta dificuldades financeiras, sobretudo diante de juros elevados e queda de renda. A liberação do FGTS poderia:
- permitir pagamento de dívidas em atraso
- reduzir o uso de crédito caro
- garantir segurança financeira no curto prazo
Estímulo ao emprego e atividades produtivas
Com maior liquidez no mercado, setores como construção civil, comércio e serviços podem observar aumento da demanda, impactando positivamente a geração de empregos.
Como seria feita a liberação do FGTS retido
Possível modelo adotado pelo governo
Ainda não há definições oficiais, mas especialistas apontam dois caminhos prováveis:
Liberação total do saldo
- permitiria ao trabalhador sacar todo o valor disponível
- semelhante ao que ocorre em casos de demissão sem adesão ao saque-aniversário
Liberação parcial em faixas
- permitiria sacar parte do saldo de acordo com critérios sociais
- poderia priorizar trabalhadores com renda mais baixa
Papel da Caixa Econômica Federal
Como operadora do FGTS, a Caixa seria responsável por:
- atualizar o aplicativo FGTS
- divulgar calendários de pagamento
- autorizar saques nas agências e canais digitais
A instituição também deve atuar na transição para as novas regras do crédito consignado vinculado ao saque-aniversário.
Próximos passos e expectativa do mercado
Avaliação política e econômica
O tema deve ser analisado pela Casa Civil, Ministério da Fazenda, Ministério do Planejamento e Conselho Curador do FGTS. Entre os pontos avaliados estarão:
- impacto fiscal
- impacto nos financiamentos habitacionais
- efeito sobre o mercado de crédito
- repercussão para trabalhadores e empresas
Expectativa dos trabalhadores
Setores sindicais e organizações trabalhistas defendem a liberação como medida urgente, sobretudo diante da alta taxa de desemprego e da queda no poder de compra.
Discussão deve ganhar força em 2026
Com a proximidade das eleições municipais de 2026, o tema tende a ganhar ainda mais atenção do governo e do Congresso Nacional.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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