O segundo semestre de 2025 promete movimentações significativas no Congresso Nacional com relação à licença-paternidade no Brasil.
Licença-paternidade maior pode ser aprovada ainda este semestre
Congresso avalia ampliar licença-paternidade. Descubra como isso impacta trabalhadores.
A discussão sobre a ampliação do período de afastamento para pais trabalhadores volta à pauta após o vencimento do prazo estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em dezembro de 2023, a Corte Suprema determinou que o Congresso regulamentasse o direito à licença-paternidade, concedendo 18 meses para a aprovação de uma lei definitiva.
Com o prazo encerrado em julho deste ano, parlamentares devem analisar propostas que buscam aumentar os dias de afastamento além dos atuais cinco previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
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Histórico da licença-paternidade no Brasil

A licença-paternidade no Brasil tem origem na Constituição de 1988, quando foi instituído o direito dos trabalhadores ao afastamento remunerado por cinco dias consecutivos em caso de nascimento de filho, adoção ou guarda compartilhada.
Segundo o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), o período de cinco dias permaneceria válido até que o Congresso aprovasse uma lei complementar definindo regras mais detalhadas. No entanto, desde a promulgação da Constituição, o Parlamento não chegou a concluir nenhuma lei definitiva sobre o tema.
Tentativas de ampliação
Ao longo de 37 anos, diversos projetos de lei foram apresentados propondo aumentos significativos na licença-paternidade. Entre as sugestões, estavam períodos de 15, 20 e até 60 dias. Apesar da pressão de sindicatos e entidades de defesa dos direitos dos trabalhadores, essas iniciativas não avançaram para votação final.
Entre os argumentos a favor da ampliação, especialistas destacam a importância do envolvimento do pai nos primeiros dias de vida do bebê, que contribui para a saúde emocional da criança e para a divisão equitativa de responsabilidades no lar.
STF pressiona o Congresso
A decisão do STF que estabeleceu o prazo de 18 meses para regulamentação do direito à licença-paternidade resultou de uma ação da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde (CNTS). A Corte considerou que a ausência de regulamentação legislativa prolongava uma situação de insegurança jurídica para pais e empresas.
Com o prazo expirado em julho, o Congresso enfrenta agora a urgência de debater novas regras que atendam tanto aos trabalhadores quanto às empresas, evitando impactos econômicos negativos e promovendo igualdade de direitos.
Propostas atuais para aumento da licença-paternidade
Atualmente, existem diferentes projetos em tramitação que propõem a ampliação da licença-paternidade. Entre as mais discutidas estão:
15 dias de licença
Essa proposta busca conciliar a necessidade de tempo para os pais acompanharem o nascimento do filho sem gerar grande impacto financeiro para as empresas. A ideia é que um período de duas semanas permita que os pais participem ativamente do início da vida da criança.
20 a 30 dias de licença
Outros projetos sugerem a ampliação para até 30 dias, seguindo o modelo adotado em países da América Latina e Europa. Especialistas em direito trabalhista defendem que esse período promove benefícios emocionais e sociais significativos para famílias brasileiras.
Licença estendida de 60 dias
A proposta mais abrangente sugere a concessão de 60 dias de licença-paternidade, aproximando-se do modelo de licença-maternidade. Advocacia de sindicatos e entidades de classe argumenta que a equiparação de direitos é fundamental para reduzir desigualdades de gênero e fortalecer vínculos familiares.
Impactos da ampliação da licença-paternidade
A ampliação da licença-paternidade traria impactos diretos e indiretos para diferentes setores da sociedade:
Para os trabalhadores
Um aumento no período de licença oferece mais tempo para que os pais participem dos primeiros momentos do desenvolvimento do bebê, fortalecendo vínculos familiares e melhorando a saúde emocional da criança. Além disso, contribui para a divisão mais justa das responsabilidades domésticas.
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Para as empresas
O setor empresarial precisa se adaptar à possibilidade de afastamentos mais longos. Embora algumas empresas considerem que a ampliação pode gerar custos adicionais, outras enxergam a medida como um investimento em bem-estar, que pode resultar em maior engajamento e produtividade a longo prazo.
Para a sociedade
O fortalecimento do papel paterno nos cuidados iniciais da criança pode impactar positivamente indicadores sociais, como redução da mortalidade infantil e aumento da participação masculina em atividades domésticas e parentais.
Obstáculos políticos e econômicos
Apesar do consenso entre especialistas sobre os benefícios da ampliação da licença-paternidade, o tema ainda enfrenta barreiras políticas e econômicas. Parlamentares precisam equilibrar interesses de trabalhadores e empregadores, além de considerar impactos financeiros para o setor público e privado.
O debate inclui ainda a criação de políticas de compensação e incentivos para pequenas e médias empresas que possam ser afetadas por afastamentos prolongados de seus funcionários.
Perspectivas para 2025

Especialistas em direito trabalhista apontam que este semestre será decisivo para definir a regulamentação da licença-paternidade. A expectativa é que, com o prazo do STF vencido, haja maior pressão sobre parlamentares para aprovar uma lei que aumente o período de afastamento, estabelecendo regras claras e beneficiando milhares de famílias brasileiras.
A tendência é que a proposta aprovada considere um equilíbrio entre os interesses econômicos e sociais, promovendo maior participação dos pais na criação dos filhos sem prejudicar a operação das empresas.
Conclusão
A discussão sobre a ampliação da licença-paternidade no Brasil, impulsionada pela decisão do STF, representa um passo importante para o fortalecimento dos direitos dos trabalhadores e a valorização da paternidade responsável.
Com o Congresso agora diante da urgência de regulamentar o tema, o segundo semestre de 2025 será decisivo para definir novas regras que podem transformar a realidade de milhares de famílias brasileiras.
Imagem: Freepik
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