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Banco Central determina liquidação do Banco Pleno

BC liquida Banco Pleno, ex-Voiter. Entenda motivos, impacto no sistema e quem é Augusto Lima.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
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O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do conglomerado prudencial do Banco Pleno S.A., instituição controlada por Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e ex-sócio do Banco Master.

Segundo nota oficial da autarquia, a decisão foi motivada pelo “comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez”, além de infrações às normas que regulam sua atividade e descumprimento de determinações do próprio BC.

A liquidação extrajudicial é um instrumento previsto na legislação do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e é aplicada quando a instituição perde condições de operar regularmente, exigindo intervenção para proteger credores e a estabilidade do sistema.

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Qual é o tamanho do Banco Pleno no sistema financeiro

De acordo com o Banco Central, o grupo é considerado de pequeno porte, com:

  • 0,04% do ativo total do SFN
  • 0,05% das captações totais do sistema

Na prática, isso significa que o impacto sistêmico tende a ser limitado. Ainda assim, o caso chama atenção pelo histórico recente envolvendo o antigo controlador e por conexões com episódios anteriores no mercado financeiro.

O que significa liquidação extrajudicial

A liquidação extrajudicial implica:

  • Encerramento das atividades da instituição
  • Nomeação de liquidante pelo Banco Central
  • Suspensão de ações e execuções contra o banco
  • Apuração de ativos e passivos
  • Pagamento de credores conforme ordem legal

Além disso, conforme previsto em lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e administradores da instituição, enquanto são apuradas responsabilidades.

O BC informou que continuará adotando medidas para investigar possíveis irregularidades, podendo aplicar sanções administrativas e comunicar autoridades competentes.

A trajetória do Banco Pleno: de Indusval a Voiter e depois Pleno

O banco tem origem no antigo Indusval, que passou a se chamar Voiter. Em 2024, o Banco Central aprovou a aquisição do Voiter pelo Banco Master.

Em julho de 2025, o BC autorizou que Augusto Ferreira Lima comprasse o Voiter de Daniel Vorcaro, rebatizando a instituição como Banco Pleno S.A.

A rápida sucessão de operações societárias e mudanças de controle ocorre em um ambiente regulatório rigoroso, no qual o Banco Central exige comprovação de capacidade financeira, governança e cumprimento de normas prudenciais.

Quem é Augusto Ferreira Lima

Augusto Ferreira Lima, conhecido como “Guga Lima”, ganhou notoriedade no mercado após investigações relacionadas à chamada Operação Compliance Zero.

Ele foi preso no contexto de apurações que investigaram a emissão de títulos de crédito falsos envolvendo o Banco Master. As suspeitas apontam para uma fraude estimada em cerca de R$ 12 bilhões.

O empresário tem trajetória empresarial ligada à Bahia. Em 2018, venceu licitação de venda da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos) e criou o CredCesta, cartão de crédito consignado com juros abaixo da média de mercado, voltado principalmente a servidores públicos.

O modelo foi expandido para outros estados e acabou integrando os ativos do Banco Master quando Lima entrou na sociedade, em 2020.

Reportagens apontaram que o nome de Lima gerou preocupação política devido a relações estabelecidas anteriormente com lideranças do PT na Bahia, incluindo o senador Jaques Wagner.

Impacto para investidores e clientes

Para clientes do Banco Pleno, o principal ponto de atenção é a proteção de depósitos e aplicações cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.

Estão cobertos produtos como:

  • Conta corrente
  • Poupança
  • CDB e RDB
  • LCI e LCA

Não são cobertos, por exemplo, ações, fundos de investimento e letras financeiras.

Os pagamentos dependem do envio da base de credores pelo liquidante ao FGC e posterior validação dos dados.

O que acontece agora

O processo seguirá etapas técnicas:

  1. Levantamento detalhado de ativos e passivos
  2. Consolidação da base oficial de credores
  3. Comunicação ao FGC para pagamento das garantias elegíveis
  4. Apuração de eventuais responsabilidades administrativas

A liquidação do Banco Pleno reforça um ponto essencial para o investidor brasileiro: retorno elevado deve sempre ser analisado à luz do risco da instituição emissora.

Consultar relatórios do Banco Central, verificar o enquadramento no FGC e diversificar entre emissores continuam sendo práticas fundamentais para proteção patrimonial.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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