Nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição conhecida no mercado como Will https://www.willfinanceira.com.br/Bank e que era controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A.
A medida ocorre em meio à sequência de eventos que atingiram o conglomerado Master desde 2025, em um cenário de deterioração financeira, pressão operacional e falhas na tentativa de reestruturação. Com o anúncio, o Banco Central confirma que não houve condições de continuidade para a instituição, abrindo caminho para um processo formal de encerramento, verificação de ativos e passivos e eventual pagamento de credores conforme as regras previstas.
A seguir, entenda o que motivou a decisão, o que significa a liquidação extrajudicial, quais medidas costumam ser aplicadas imediatamente, e o que clientes, credores e o mercado devem observar.
Leia mais:
Pagamentos do Bolsa Família avançam com novos depósitos nesta quarta (21)
O que aconteceu com o Will Bank
O Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial da Will Financeira em 21/01/2026, após período em que a instituição operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET).
Em linhas gerais, a Will Financeira continuava em atividade sob monitoramento e intervenção, o que indicava que havia possibilidade de uma saída organizada, envolvendo reorganização administrativa, busca por solução de mercado ou medidas para preservar parcialmente o funcionamento do negócio.
No entanto, o cenário mudou. Com o avanço das dificuldades e a ausência de alternativa considerada viável, o Banco Central adotou o caminho mais severo de intervenção: encerrar oficialmente as atividades por meio da liquidação extrajudicial.
Relação direta com a crise do Banco Master
Para entender o caso, é essencial observar que o Will Bank estava ligado ao Banco Master Múltiplo S/A, instituição que se tornou foco de atenção do mercado desde 2025.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, o que inaugurou um processo de crise e reestruturação que impactou empresas conectadas ao grupo. O Will Financeira, por sua vez, passou a operar em regime especial e com expectativa de solução que pudesse preservar alguma estrutura.
A liquidação anunciada em janeiro de 2026, portanto, não é um evento isolado. Ela compõe um processo maior de colapso institucional dentro do conglomerado.
Por que o Banco Central tomou essa decisão agora
Nos bastidores do sistema financeiro, o processo de intervenção regulatória costuma seguir etapas.
No primeiro momento, quando há risco, mas ainda existe possibilidade de recuperação, o Banco Central pode adotar medidas de controle e administração temporária. Esse é o caso do RAET: uma tentativa de preservar o funcionamento, reorganizar e evitar uma quebra desordenada.
Entretanto, quando o regulador conclui que a instituição está insolvente, sem viabilidade e sem perspectiva real de estabilização, o passo seguinte costuma ser a liquidação extrajudicial.
O papel do RAET nesse processo
O RAET é conhecido por funcionar como uma “última chance” antes do encerramento. Ele permite ao Banco Central:
- substituir ou supervisionar a administração
- restringir decisões
- controlar operações e fluxos
- monitorar evolução patrimonial
- conduzir tentativas de solução
Se o RAET não produz os resultados necessários, o cenário se encaminha para a liquidação.
No caso do Will Financeira, o Banco Central optou por encerrar a operação sob a justificativa de que as condições se tornaram incompatíveis com continuidade.
Suspensão de cartões e impactos no arranjo de pagamentos
Um dos pontos que costuma agravar rapidamente a percepção de crise em bancos digitais é a interrupção de serviços essenciais, especialmente meios de pagamento.
Quando cartões são bloqueados, atrasos surgem na liquidação de pagamentos e limitações operacionais aparecem, o efeito não é apenas técnico: ele afeta diretamente o dia a dia dos clientes e amplia a desconfiança no mercado.
Em casos como esse, há risco de corrida operacional: clientes tentam sacar, transferir, cancelar, interromper vínculo, enquanto parceiros e fornecedores se afastam, acelerando a perda de capacidade de funcionamento.
O que é liquidação extrajudicial e por que ela é grave
A liquidação extrajudicial é um procedimento administrativo aplicado pelo Banco Central a instituições financeiras quando há comprometimento grave da situação econômico-financeira.
O processo tem como objetivo:
- interromper as atividades regulares
- apurar de forma detalhada ativos e dívidas
- organizar pagamentos conforme prioridade legal
- garantir transparência e segurança jurídica
- impedir dilapidação patrimonial
Ao contrário de uma simples interrupção de serviço, a liquidação extrajudicial dá início a um processo formal de encerramento e redistribuição de obrigações.
O que acontece na prática
Com a liquidação, a instituição deixa de operar normalmente. Isso pode envolver:
- suspensão de novas operações
- paralisação ou limitação de serviços
- revisão de contratos
- comunicação com credores e clientes
Além disso, o liquidante passa a centralizar decisões e definir procedimentos.
Por que o termo assusta
A liquidação extrajudicial é grave porque ela indica que o Banco Central não vê possibilidade de recuperação.
Ou seja: não se trata apenas de “pausa” ou “instabilidade”. Trata-se de um encerramento institucional, com reorganização de obrigações para pagamento conforme ordem de prioridade.
Diferença entre RAET e liquidação extrajudicial
Mesmo parecendo termos técnicos semelhantes, RAET e liquidação são medidas bem diferentes.
RAET: tentativa de reorganização
O Regime Especial de Administração Temporária:
- mantém tentativa de continuidade
- permite reestruturação
- abre caminho para negociação, venda ou reorganização
- preserva parcialmente a rotina operacional (quando possível)
Liquidação extrajudicial: encerramento
Já a liquidação:
- encerra a operação
- tem como foco inventariar ativos e passivos
- define credores e prioridades
- prevê medidas de proteção patrimonial
Em resumo: o RAET busca salvar. A liquidação encerra.
Quais medidas entram em vigor com a liquidação
Quando o Banco Central decreta a liquidação extrajudicial, medidas comuns incluem:
- nomeação de um liquidante
- restrição de gestão anterior
- apuração patrimonial detalhada
- controle centralizado sobre decisões
- limitação de movimentações financeiras
Nomeação de liquidante
O liquidante é a figura responsável por conduzir o processo. Ele atua como administrador da massa em liquidação, organizando:
- verificação de ativos e dívidas
- procedimentos de habilitação de crédito
- regras de atendimento ao público
- encaminhamento e execução do processo
Indisponibilidade de bens
Outra medida associada ao processo de liquidação pode ser a indisponibilidade de bens de controladores e ex-administradores, quando o Banco Central entende necessário proteger o patrimônio envolvido.
O objetivo é garantir que não existam movimentações patrimoniais que prejudiquem credores ou reduzam a capacidade de ressarcimento durante a apuração.
O que acontece com clientes do Will Bank na prática
O público mais impactado sempre é o cliente final. Quando uma instituição entra em liquidação, as dúvidas são imediatas:
- Meu saldo está seguro?
- Vou conseguir sacar?
- Meu cartão vai funcionar?
- Meu pagamento cai?
- Meu empréstimo continua?
Contas e movimentações: o que pode mudar
Em geral, a operação deixa de funcionar plenamente. Em alguns casos, ocorre:
- interrupção do app
- bloqueio de transferências
- limitação de saques
- suspensão do cartão
- cancelamento de serviços conectados
Mesmo quando há promessa de “organizar reembolsos”, tudo passa a depender do processo de liquidação e das regras do liquidante.
E se eu tinha boleto, PIX ou débito automático?
Pagamentos programados podem falhar ou ser interrompidos. Por isso, o cliente deve:
- verificar contas a vencer
- salvar comprovantes
- manter controle próprio
- evitar depender do app como única fonte de registro
E quem tem empréstimo ou financiamento?
Se houver contrato ativo com a Will Financeira, ele continua existindo.
O pagamento pode passar por mudança de canal ou orientações de cobrança. Por isso, é essencial:
- guardar o contrato
- reunir boletos e comprovantes
- confirmar para quem pagar
- evitar cair em golpes de falsos cobradores
Existe risco sistêmico para o mercado?
Casos de liquidação costumam gerar dúvidas sobre risco de contaminação.
O que costuma limitar esse risco são fatores como:
- tamanho relativo no sistema financeiro
- interconexão com outras instituições
- exposição do mercado a títulos e dívidas do grupo
- efeitos nos arranjos de pagamento
Mesmo que a liquidação não seja sistêmica, o caso é relevante, porque aumenta o alerta sobre governança e sustentabilidade de modelos financeiros digitais conectados a conglomerados fragilizados.
Tentativas de solução frustradas e fim da alternativa negociada
A etapa do RAET normalmente serve para buscar solução alternativa, como:
- venda de operações
- transferência de carteira
- reorganização societária
- fusão
- acordo com credores
Quando essa solução não aparece (ou falha), o Banco Central tende a concluir que a continuidade pode gerar mais prejuízo do que o encerramento organizado.
Foi exatamente esse o caminho observado no caso.
O que fazer agora: recomendações práticas ao consumidor
Para evitar prejuízo e se proteger, o cliente deve agir com estratégia.
1) Baixe e guarde documentos
- extratos
- saldo atual
- comprovantes de transferências
- histórico de faturas
- contratos
- prints do aplicativo
2) Desconfie de golpes
Crises bancárias geram terreno fértil para fraudes.
Os golpes mais comuns incluem:
- links falsos com “solicitação de reembolso”
- WhatsApp com “central de atendimento”
- cobranças falsas de contratos
- perfis se passando por Banco Central
Se alguém pedir senha, código ou selfie, não forneça.
3) Acompanhe comunicados oficiais
O consumidor deve priorizar informações oficiais, porque boatos se espalham rápido e geram decisões equivocadas.
4) Tenha controle paralelo de pagamentos
Se você usava o Will Bank para pagar contas, concentre imediatamente a organização em outro app/banco, evitando atrasos e juros.
Entenda o contexto: efeito dominó em conglomerados financeiros
Quando um grupo financeiro entra em colapso, o efeito dominó é provável.
Isso acontece porque instituições dentro do mesmo conglomerado podem compartilhar:
- estrutura
- gestão
- marca
- parcerias
- mecanismos de funding
Mesmo quando uma empresa “não é o foco”, ela pode ser afetada por:
- perda de confiança
- interrupção operacional
- bloqueio de parceiros (cartões, bandeiras)
- restrição de crédito
O caso do Will Financeira evidencia como vínculos societários e de controle se tornam determinantes em momentos de crise.
O que esperar nos próximos dias
O processo de liquidação deve ter desdobramentos importantes, como:
- comunicados operacionais aos clientes
- definição de atendimento oficial
- orientações para credores
- possíveis mudanças e atualizações contratuais
- repercussão no mercado financeiro e no setor de pagamentos
Para o consumidor, o ponto central é: documentação organizada e atenção máxima contra golpes.
Conclusão
A decisão do Banco Central de decretar, em 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial do Will Bank (Will Financeira) reforça o agravamento da crise do conglomerado Master e confirma que o regulador não visualizou saída viável para preservar a instituição.
O episódio impacta diretamente clientes e credores, e amplia o debate sobre governança, transparência e sustentabilidade financeira em operações digitais, sobretudo quando ligadas a grupos fragilizados. A liquidação inicia um processo formal, com apuração de ativos e passivos, condução por liquidante e medidas administrativas para preservar patrimônio e ordenar a dívida.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
