Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Segurança em bancos digitais: sinais de alerta e como se proteger

A liquidação extrajudicial do Will Bank, determinada pelo Banco Central na quarta-feira (21), provocou um efeito imediato no comportamento dos consumidores brasileiros. Clientes de bancos digitais passaram a buscar alternativas, enquanto cresceu o receio de que essas instituições possam “sumir do dia para a noite”. O episódio reacendeu um debate recorrente: bancos digitais são realmente […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
bancos digitais (1)

A liquidação extrajudicial do Will Bank, determinada pelo Banco Central na quarta-feira (21), provocou um efeito imediato no comportamento dos consumidores brasileiros. Clientes de bancos digitais passaram a buscar alternativas, enquanto cresceu o receio de que essas instituições possam “sumir do dia para a noite”. O episódio reacendeu um debate recorrente: bancos digitais são realmente mais frágeis do que os tradicionais?

O aumento nas buscas por informações e a circulação de boatos nas redes sociais mostram que, apesar da consolidação das fintechs no Brasil, ainda há dúvidas sobre a solidez desse modelo de operação. Para entender se esse medo faz sentido do ponto de vista técnico e quais sinais realmente indicam risco, o contador, administrador e mestre em Governança Corporativa Marcello Marin comentou o caso e trouxe esclarecimentos importantes.

Leia mais:

Ifood anuncia que lançará banco digital em breve

Banco digital é mais arriscado?

A ideia de que bancos digitais seriam mais frágeis costuma surgir quando uma instituição enfrenta dificuldades e o episódio ganha grande repercussão. No entanto, segundo Marcello Marin, o modelo de operação — digital ou físico — não é o fator determinante para medir riscos no sistema financeiro.

O que realmente define a solidez de um banco

De acordo com o especialista, o que diferencia uma instituição sólida de uma vulnerável está na forma como ela administra capital, controla riscos e mantém sua governança. A fragilidade, portanto, não está ligada ao formato do banco, mas à qualidade da gestão.

“Fragilidade não tem a ver com ser digital ou físico, mas com gestão, capital, controle de risco e governança. Existem bancos digitais muito bem estruturados e bancos tradicionais mal geridos. O modelo digital reduz custos, mas exige disciplina financeira. Quando isso falha, o problema aparece”, afirma Marin.

Essa visão desmonta o senso comum de que o simples fato de um banco operar de forma digital representa maior risco para o consumidor.

Crescimento rápido não significa solidez

No mercado financeiro, crescimento acelerado costuma ser visto como sinal de sucesso, mas nem sempre isso se traduz em sustentabilidade. Segundo Marin, instituições sólidas não são aquelas que crescem mais rápido, e sim as que crescem com controle.

Capital, liquidez e governança importam mais

Quando se fala em solidez financeira, o modelo de operação pesa menos do que muita gente imagina. O que sustenta uma instituição ao longo do tempo está ligado a fatores estruturais.

“Capital suficiente, boa gestão de risco, liquidez, diversificação de receitas e governança séria”, resume Marin.

Ele complementa destacando que transparência e aderência às regras do Banco Central são elementos essenciais para a estabilidade de qualquer instituição financeira.

“Banco sólido não é o que cresce rápido, é o que cresce com controle. Além disso, transparência e aderência às regras do Banco Central pesam muito”, completa.

O papel do Banco Central na proteção do sistema

Embora muitas vezes passe despercebida pelo público, a atuação do Banco Central do Brasil é um dos principais pilares de estabilidade do sistema financeiro nacional. É o órgão responsável por autorizar, fiscalizar e, quando necessário, intervir nas instituições financeiras.

Fiscalização constante e intervenção preventiva

Segundo Marin, o Banco Central atua como um verdadeiro guardião do sistema, acompanhando indicadores de risco e exigindo capital mínimo das instituições.

“O Banco Central funciona como um guardião do sistema. Ele fiscaliza, exige capital mínimo e acompanha indicadores de risco”, explica.

Além disso, o BC pode agir antes que dificuldades pontuais se transformem em crises mais amplas, evitando efeitos em cadeia que poderiam afetar clientes e o mercado como um todo.

“Quando necessário, [o BC] intervém antes que o problema vire um efeito dominó. Nem sempre o público vê, mas muita crise é evitada antes de chegar ao cliente”, pontua.

Como o cliente deve reagir em momentos de incerteza

Diante de notícias negativas, a reação imediata de sacar dinheiro ou encerrar contas nem sempre é a melhor decisão. Para Marin, agir por impulso pode aumentar riscos, inclusive de cair em golpes.

Verificações essenciais antes de tomar decisões

O especialista orienta que o consumidor siga alguns passos básicos para avaliar a situação de forma racional.

“Primeiro, se o banco é autorizado e supervisionado pelo Banco Central. Segundo, se os valores estão dentro do limite garantido pelo FGC”, afirma.

O Fundo Garantidor de Créditos protege depósitos e investimentos até o limite estabelecido por CPF ou CNPJ, funcionando como uma rede de segurança importante para os clientes.

Cuidado com boatos e redes sociais

Outro ponto de atenção é o excesso de informações desencontradas que circulam em momentos de crise.

“Terceiro, evitar decisões por boatos ou redes sociais. Pânico costuma causar mais prejuízo do que o problema em si”, conclui Marin.

Sinais de alerta que merecem atenção

Nem toda notícia negativa indica um risco iminente, mas alguns comportamentos das instituições financeiras devem acender o sinal de alerta para os clientes.

Comunicação falha e mudanças repentinas

Segundo Marin, é importante observar mudanças bruscas nas regras e problemas recorrentes na comunicação com os clientes.

“Mudanças bruscas nas regras, restrições frequentes de saque, atrasos incomuns, comunicação confusa e falta de transparência. Banco saudável explica, comunica e antecipa. Quando o silêncio aparece, aí sim vale ligar o alerta”, explica.

A transparência, nesse cenário, é um dos principais indicadores de saúde institucional.

Digital ou tradicional: onde está o verdadeiro risco?

Ao final, o especialista reforça que o foco do consumidor não deve estar no rótulo “digital” ou “tradicional”, mas na forma como a instituição administra seus recursos e estrutura sua governança.

“Devemos entender que o problema não é o banco digital, o problema é uma instituição que trabalha de forma indevida com o capital, pode ser digital ou não, precisa ter boa governança e ter uma boa gestão, independente de ser digital ou físico”, conclui.

O caso do Will Bank, portanto, serve como alerta, mas não como sentença contra todo o setor de bancos digitais, que continua sendo uma parte relevante e regulada do sistema financeiro brasileiro.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Imagem: ZinetroN | Shutterstock

Compartilhar
Seu Crédito Digital

Descubra tudo que você tem direito

Benefícios, crédito e dinheiro esquecido: veja as ofertas e ferramentas que separamos para o seu perfil.