Desde a última quarta-feira (18), lojistas da Americanas passaram a aumentar de forma significativa seus preços no marketplace da companhia para evitar que seja realizada uma compra de maior valor e, assim, os recebíveis de cartões fiquem presos na empresa.
Lojistas não querem mais vender na Americanas.com e um notebook chega a custar R$ 40 mil
Lojistas da Americanas passaram a aumentar de forma significativa seus preços no marketplace. Veja mais detalhes.
Dessa forma, o Valor Econômico identificou a alteração nos preços de produtos, como eletrônicos. Além disso, obteve informações dos próprios vendedores, que confirmaram a decisão de aumentar os preços, que foi tomada em um grupo de mensagens onde é discutida a crise da Americanas.
Recuperação judicial
Assim, a atitude dos lojistas é um reflexo da decisão da Americanas informar antecipadamente que iria entrar com um pedido de recuperação judicial. Pois, via de regra, as companhias não avisam ao mercado que pretendem pedir recuperação judicial justamente para evitar esse tipo de situação.
“Há ‘sellers’ [lojistas] colocando preços absurdos para não vender. Ele não desliga a loja, mas também não corre o risco de vender lá”, afirmou uma fonte ao Valor.
Aumento dos preços
À vista disso, em um dos anúncios que teve um aumento considerável está um notebook da Dell, top de linha, que está sendo vendido no site da Americanas a pouco mais de R$ 19,2 mil. Sendo que, no KaBuM!, que pertence ao Magazine Luiza, o mesmo produto custa R$ 11,1 mil, pontua a fonte.
Outro lojista está vendendo notebooks importados por até R$ 40 mil no aplicativo da Americanas. Sendo que é possível encontrar os mesmos aparelhos por até R$ 20 mil na Amazon.
Marketplace
Em síntese, o marketplace da Americanas, que vende produtos de terceiros, corresponde a cerca de 65% das vendas totais brutas da companhia. De modo que a porcentagem restante é referente ao estoque próprio.
Assim, os lojistas que vendem eletrodomésticos e portáteis também têm demonstrado preocupação. “Meu medo é bloquearem meus créditos e eu não receber com uma recuperação judicial”, disse um lojista de São Paulo, em um grupo no WhatsApp.
Recebíveis
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A princípio, esses créditos ficaram de fora da recuperação judicial. No entanto, no processo de recuperação judicial da Livraria Cultura, a Justiça de São Paulo decidiu que a livraria poderia reter parte dos recebíveis de suas vendas com cartões de crédito, embora estivessem fora da recuperação judicial, o que acendeu um alerta ao mercado.
Processo complexo
Por ser um processo complexo, os vendedores têm dificuldade de fechar de forma imediata suas contas no marketplace. Dessa forma, inicialmente, a única alternativa é alterar os preços ou condições de frete, para que não sejam realizadas vendas por meio da plataforma.
As informações são do Valor Econômico.
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock
