Em outubro, o apresentador Luciano Huck deu início a tratativas para adquirir o Will Bank, banco digital pertencente ao Banco Master. O movimento marca a entrada do comunicador no competitivo mercado financeiro digital, que vem crescendo rapidamente no Brasil e atraindo investidores institucionais e celebridades interessadas em fintechs. As negociações, ainda em estágio preliminar, têm chamado atenção do setor econômico e da mídia especializada, já que Huck não apenas é apresentador de televisão, mas também figura pública com forte apelo junto a investidores e anunciantes.
Luciano Huck mira banco digital para entrar com força no mercado financeiro
Luciano Huck lidera negociações para adquirir o Will Bank, banco digital do Banco Master, em movimento para entrar no mercado financeiro brasileiro.
Leia mais:
Mudanças na lei das autoescolas podem reduzir preço da CNH em 2026
O que é o Will Bank?

Criado em 2017, o Will Bank surge como uma instituição financeira digital focada em democratizar o acesso a produtos bancários para clientes das classes C e D, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste. Com uma plataforma voltada para mobile banking, o banco oferece contas digitais, cartões de crédito e serviços de pagamentos, em linha com as tendências de digitalização financeira observadas em todo o país.
Em abril de 2025, o banco contava com cerca de 9 milhões de clientes, mostrando forte crescimento desde sua fundação. No entanto, o Will Bank ainda enfrentava desafios operacionais, registrando prejuízo de R$ 244,7 milhões no primeiro semestre de 2025, embora mantivesse ativos de R$ 14,4 bilhões e patrimônio líquido de aproximadamente R$ 300 milhões, segundo dados do Banco Central.
A relação entre Huck e o Will Bank
O Will Bank é um dos principais anunciantes do programa dominical “Domingão com Huck”, exibido na TV Globo. Além disso, o banco patrocina o quadro “Willimpíadas”, que será lançado em breve e premiará o vencedor com R$ 1 milhão em barras de ouro. A parceria estreita entre Huck e a instituição financeira digital coloca o apresentador em posição estratégica para conduzir negociações, já que ele possui conhecimento direto sobre a marca e a forma como ela se comunica com o público.
Este tipo de relacionamento entre mídia e fintech não é raro. Vários apresentadores e influenciadores globais têm se associado a bancos digitais e startups financeiras como forma de capitalizar a confiança do público e impulsionar negócios estratégicos. No caso de Huck, o envolvimento direto com o Will Bank combina publicidade e potencial aquisição, criando sinergias que podem favorecer o sucesso do negócio.
Histórico financeiro do Banco Master
O Will Bank pertence ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, que enfrentou dificuldades financeiras nos últimos anos. Para honrar suas obrigações, o banco precisou solicitar R$ 4,5 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura até R$ 250 mil por investidor em caso de liquidação da instituição. O empréstimo do FGC venceu em 1º de outubro de 2025, e o Banco Master segue buscando alternativas para reduzir seu endividamento e estabilizar suas operações.
Em março de 2025, o Banco de Brasília (BRB) tentou adquirir o Banco Master, mas a negociação foi interrompida pelo Banco Central em setembro, após mais de cinco meses de discussões. A autoridade monetária apontou falta de documentação que comprovasse a “viabilidade econômico-financeira” da operação. Esse histórico mostra que o Banco Master tem buscado há meses alternativas estratégicas, das quais a venda do Will Bank é considerada uma das mais relevantes.
Quem são os interessados na aquisição

Além do grupo liderado por Luciano Huck, outros interessados surgiram no mercado. Fundos de private equity, com experiência em aquisição e gestão de fintechs, demonstraram interesse, assim como o BRB, embora sua participação direta possa ser limitada pelo histórico de negociação anterior.
A entrada de Luciano Huck, portanto, representa não apenas uma transação financeira, mas também uma movimentação estratégica de marketing e posicionamento pessoal. Huck, ao entrar no mercado de fintechs, amplia sua presença no setor econômico e financeiro, consolidando sua marca pessoal como investidor e empresário.
Contexto do mercado financeiro digital no Brasil
O mercado de bancos digitais no Brasil tem crescido aceleradamente nos últimos anos, impulsionado pela digitalização, aumento do acesso à internet e mudança nos hábitos financeiros da população. Instituições como Nubank, C6 Bank, Banco Inter e Will Bank disputam clientes oferecendo contas digitais sem tarifas, cartões de crédito acessíveis e serviços de investimento integrados.
Apesar do crescimento, o setor é desafiador. A competição intensa força as fintechs a manterem inovação constante e controle rigoroso de custos. O interesse de investidores, celebridades e fundos especializados reflete a percepção de que essas instituições têm potencial de escalabilidade e rentabilidade a médio e longo prazo, mesmo diante de prejuízos operacionais temporários.
Impactos da aquisição para o mercado e para o público
Caso a aquisição seja concretizada, Luciano Huck e seu grupo teriam oportunidade de implementar novas estratégias no Will Bank, incluindo campanhas publicitárias, expansão de produtos e melhorias tecnológicas. A presença de Huck pode atrair novos clientes, especialmente entre o público que já acompanha o “Domingão com Huck” e se identifica com sua imagem de comunicador engajado em causas sociais.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Para o Banco Master, a venda representa uma forma de reduzir dívidas e liberar capital, fortalecendo sua posição no mercado financeiro. A operação também pode servir como referência para futuras aquisições de fintechs no país, indicando caminhos de reestruturação e valorização de ativos digitais.
Desafios regulatórios e financeiros
A concretização da aquisição dependerá da aprovação do Banco Central e do cumprimento de normas regulatórias, incluindo a comprovação da viabilidade econômico-financeira do negócio. A experiência prévia do BRB, que não conseguiu concluir a compra do Banco Master, mostra que o processo é complexo e exige atenção a detalhes jurídicos, financeiros e regulatórios.
Além disso, o grupo de investidores de Huck precisará apresentar um plano sólido de gestão e expansão do Will Bank, considerando o prejuízo operacional recente e a competitividade do setor. Estratégias de marketing, captação de clientes e melhoria de serviços serão fundamentais para transformar a aquisição em sucesso comercial.
Possíveis cenários para o futuro

Se a negociação avançar, o Will Bank poderá se beneficiar de investimentos em tecnologia, publicidade e produtos financeiros inovadores, tornando-se uma referência ainda maior no mercado de fintechs. Por outro lado, a operação envolve riscos, como integração da gestão, manutenção da base de clientes e enfrentamento de concorrentes fortes como Nubank e Banco Inter.
A entrada de celebridades e investidores individuais no setor financeiro brasileiro também pode abrir portas para outras movimentações estratégicas, estimulando maior interesse de fundos internacionais e ampliando a visibilidade do mercado de fintechs no país.
Conclusão
A possível aquisição do Will Bank por Luciano Huck e seu grupo de investidores representa uma movimentação estratégica de grande relevância para o mercado financeiro digital brasileiro. As negociações ainda estão em estágio inicial, mas já indicam a intenção de consolidar presença em um setor competitivo e em expansão. Com impactos potenciais tanto para o público quanto para o Banco Master, o desfecho desta operação será acompanhado de perto por investidores, reguladores e mídia especializada.
