Com um escândalo que abalou a confiança dos beneficiários do INSS, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a prioridade do governo é a apuração detalhada das irregularidades antes de definir qualquer devolução de valores.
Lula não define prazo para devolver valores do INSS e culpa governo Bolsonaro pelo impasse
Lula culpa governo Bolsonaro por fraude no INSS e afirma que apuração é prioridade antes de devolver valores.
O caso, que envolve descontos indevidos nos contracheques de aposentados e pensionistas, gerou uma série de consequências políticas e administrativas, incluindo exonerações e suspeitas de participação de antigos integrantes da administração federal.
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Fraude no INSS: um escândalo que atinge os mais vulneráveis

A investigação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou uma fraude estimada em R$ 6,3 bilhões. A prática envolvia a inclusão de aposentados e pensionistas em sindicatos e associações sem autorização, gerando descontos automáticos em seus benefícios.
Muitos sequer sabiam que estavam associados, o que caracterizou o golpe como sistemático e de grande alcance.
Apuração minuciosa antes de qualquer devolução, diz Lula
Em entrevista concedida na Rússia, Lula reforçou que o governo ainda não definiu um prazo para iniciar a devolução dos valores indevidamente retirados. Segundo ele, “devolver ou não vai depender de você constatar a quantidade de pessoas enganadas. A quantidade de pessoas que tiveram o seu nome numa lista sem que elas tivessem assinado. Porque aqueles que assinaram já autorizaram”.
O presidente justificou a demora na resposta oficial como consequência do compromisso com a verdade e com uma investigação séria. “Poderíamos ter feito uma pirotecnia e não ter apurado (o escândalo)”, afirmou.
Gestão anterior sob suspeita: foco nas origens do esquema
Lula foi enfático ao apontar para o governo de Jair Bolsonaro (PL) como o responsável por permitir a criação do esquema fraudulento. “Nós desmontamos uma quadrilha que foi criada em 2019. E vocês sabem quem governava o Brasil em 2019”, declarou.
O presidente ainda destacou que pretende ir “a fundo para saber quem é quem nesse jogo”, sugerindo que integrantes da antiga gestão podem estar diretamente envolvidos nas irregularidades.
Bens serão congelados para ressarcir vítimas
Segundo Lula, o prejuízo causado não será cobrado dos aposentados e pensionistas afetados. O ressarcimento, conforme declarou, virá das entidades fraudulentas envolvidas: “As entidades que roubaram vão ter seus bens congelados. Nós vamos usar esses bens, repatriar o dinheiro, para que a gente possa pagar as pessoas”.
Ele ainda ressaltou que nem todas as entidades sindicais ou associativas estão implicadas. “Tem entidades sérias no meio que certamente não cometeram nenhum crime, e tem entidades que foram criadas para cometer crime”, disse o presidente.
Críticas à lentidão e resposta do governo
Diante da ausência de um cronograma para devolução dos valores, críticas têm surgido sobre a lentidão da resposta do governo federal. Lula rebateu: “A gente não quer uma manchete de jornal, a gente quer apurar […] e é por isso que tem a crítica de que ainda demora, é apurar com seriedade. Tanto a CGU como a Polícia Federal foram a fundo para chegar ao coração da quadrilha”.
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A fala indica que a prioridade do Planalto é garantir que os responsáveis sejam identificados e que o processo de restituição seja realizado com base em provas concretas.
Queda de autoridades reforça impacto da fraude

O escândalo já provocou a saída de nomes importantes da administração pública. Seis servidores foram afastados, e o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, renunciou ao cargo. Logo depois, o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), também deixou o comando da pasta, após uma reunião com Lula.
As mudanças revelam o impacto político da fraude, cuja origem remonta à flexibilização de regras e falta de controle durante o governo anterior, segundo acusa o atual presidente.
Caminho para a reparação: desafios à frente
Apesar da ausência de um prazo definido, o governo Lula tem adotado medidas legais para congelar bens das entidades envolvidas e recuperar valores por meio de ações judiciais. No entanto, o tamanho do prejuízo e a complexidade da identificação de todas as vítimas tornam o processo lento.
Enquanto isso, milhares de aposentados e pensionistas seguem aguardando um posicionamento oficial sobre quando e como serão ressarcidos.
Com informações de: CNN Brasil
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