O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou no domingo, 21, para Nova York, onde fará o discurso de abertura da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), na terça-feira, 23. A fala é considerada uma das mais aguardadas da cúpula global, já que o Brasil tradicionalmente abre os pronunciamentos dos chefes de Estado.
Em meio a tensão, Lula defende democracia e acusações contra sanções dos EUA na ONU
O presidente Lula abre a 80ª Assembleia Geral da ONU em meio a tensões com os EUA, defendendo a democracia brasileira e mais.
A viagem ocorre em meio à pior crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos nas últimas décadas, marcada por tarifas comerciais e sanções contra autoridades brasileiras. Lula pretende transformar o palco da ONU em espaço de defesa da democracia e resposta às acusações norte-americanas, ao mesmo tempo em que busca fortalecer a liderança internacional do Brasil.
Importância da Assembleia Geral da ONU

Brasil na abertura dos debates
Desde 1947, o Brasil é o país responsável por abrir os debates de alto nível da ONU, seguido pelos Estados Unidos. Essa tradição garante grande visibilidade ao discurso presidencial brasileiro, que costuma dar o tom dos principais debates internacionais.
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Expectativa para a fala de Lula
Com a presença de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, no mesmo evento, cresce a expectativa sobre um possível encontro entre os dois líderes, mesmo que apenas nos corredores da sede da ONU.
Relação Brasil-Estados Unidos em crise
Sobretaxas e barreiras comerciais
O governo americano impôs tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, medida que atingiu setores estratégicos como aço, alumínio, soja e carne bovina. A decisão foi interpretada em Brasília como um gesto político, em represália à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Sanções contra autoridades brasileiras
Além das barreiras econômicas, Washington aplicou sanções contra ministros brasileiros. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, foi alvo da Lei Magnitsky, que prevê congelamento de bens e bloqueio de transações financeiras em solo americano. Outros magistrados e membros do governo também tiveram vistos cassados.
Resposta do governo Lula
Em artigo publicado no New York Times, Lula afirmou que o Brasil está “aberto a negociar pontos que tragam benefícios mútuos”, mas deixou claro que a democracia e a soberania nacional “não estão em pauta”.
Agenda internacional de Lula em Nova York
Comitiva presidencial
O presidente viaja acompanhado pelo chanceler Mauro Vieira e assessores próximos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deixou de integrar a delegação após ser alvo de restrições nos EUA. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, optou por permanecer no Brasil para acompanhar votações no Congresso.
Encontros multilaterais
Além do discurso de abertura, Lula terá intensa agenda de reuniões multilaterais sobre temas considerados prioritários: Palestina, democracia e crise climática.
Palestina: busca pelo reconhecimento internacional
Encontro de alto nível
Na segunda-feira, 22, Lula participa da segunda sessão da Confederação Internacional para Resolução Pacífica da Questão Palestina, convocada por França e Arábia Saudita.
Brasil e a defesa da solução de dois Estados
O Brasil apoia a criação de um Estado palestino ao lado de Israel e busca ampliar o reconhecimento internacional da Palestina, que hoje conta com apoio de 147 países. França, Reino Unido, Canadá e Portugal sinalizaram interesse em aderir à proposta.
Democracia e combate ao extremismo
Evento internacional pela democracia
Na quarta-feira, 24, Lula participará do encontro Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo, ao lado de líderes como Gabriel Boric (Chile) e Pedro Sánchez (Espanha).
Prioridades da agenda democrática
O evento reunirá representantes de 30 países para debater estratégias de combate à desinformação, proteção das instituições e enfrentamento das desigualdades sociais — pontos que Lula considera centrais para a estabilidade global.
Crise climática e COP30
Evento copresidido por Lula e Guterres
Ainda no dia 24, Lula dividirá a presidência de um encontro sobre mudança climática com António Guterres, secretário-geral da ONU.
Financiamento e preservação ambiental
O Brasil apresentará avanços nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e reforçará a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa que será lançada em Belém durante a COP30, em novembro.
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Semana do Clima em Nova York
A delegação brasileira também participará da Semana do Clima, que ocorre em paralelo à Assembleia, com cerca de 500 eventos e fóruns preparatórios para a conferência climática.
O discurso de Lula: expectativas e repercussões

Defesa da democracia brasileira
A fala do presidente deve destacar a decisão do STF contra Jair Bolsonaro como um marco na preservação do sistema democrático, em resposta às críticas de Washington.
Mensagem contra sanções
Espera-se ainda que Lula use o púlpito da ONU para criticar as sanções econômicas impostas pelos EUA, classificando-as como medidas unilaterais que prejudicam não apenas o Brasil, mas o comércio internacional.
Projeção internacional do Brasil
Analistas avaliam que o discurso será uma oportunidade para reforçar a imagem do Brasil como mediador global, sobretudo em temas como paz, democracia e meio ambiente.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Quando Lula fará o discurso na ONU?
O discurso de abertura será na terça-feira, 23 de setembro, na sede da ONU em Nova York.
2. Por que o Brasil sempre abre a Assembleia Geral da ONU?
Desde 1947, o Brasil é tradicionalmente o primeiro país a discursar, seguido pelos Estados Unidos.
3. Quais sanções os EUA aplicaram contra o Brasil?
Os EUA impuseram sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros e sanções contra ministros do STF, incluindo bloqueio de bens e vistos.
4. Qual será o foco do discurso de Lula?
O presidente deve defender a democracia, criticar sanções unilaterais e destacar o compromisso brasileiro com a paz e o combate às mudanças climáticas.
5. Lula terá encontros bilaterais durante a viagem?
Sim, além do discurso, ele participará de encontros multilaterais sobre Palestina, democracia e crise climática.
Considerações finais
A participação de Lula na 80ª Assembleia Geral da ONU ocorre em um cenário de elevada tensão diplomática. Entre críticas às sanções norte-americanas e a defesa enfática da democracia brasileira, o presidente aposta no palco global para reafirmar a soberania nacional e projetar o Brasil como ator central nos debates internacionais.
