O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Nova York para realizar seu décimo discurso de abertura na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O evento, que chega à 80ª edição, ocorre em um momento de grande tensão entre Brasil e Estados Unidos. A crise diplomática foi agravada após o governo americano anunciar novas sanções contra autoridades brasileiras e impor tarifas de 50% a produtos nacionais.
Lula pode transformar discurso na ONU em resposta direta a Trump
Em meio a sanções americanas e tarifas contra o Brasil, Lula prepara discurso na ONU que pode servir como resposta indireta a Donald Trump.
Em um ambiente de incertezas, Lula prepara um pronunciamento que poderá ser moldado até o último minuto. Diplomatas avaliam que o discurso do brasileiro pode se transformar em uma resposta indireta — mas contundente — à postura do presidente Donald Trump, que retorna à ONU em tom mais agressivo após reassumir a Casa Branca.
Contexto da crise entre Brasil e Estados Unidos

As sanções recentes
Na véspera do discurso, Washington anunciou a inclusão da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na chamada Lei Magnitsky, que pune pessoas acusadas de corrupção ou violações de direitos humanos. O ministro já havia sido alvo de medidas semelhantes em julho.
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A decisão somou-se ao tarifaço de 50% imposto a diversos produtos brasileiros, considerado pela diplomacia nacional a pior crise em mais de dois séculos de relações bilaterais.
Declarações de Washington
O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou recentemente que “o estado de direito está se rompendo no Brasil” após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
O papel de Lula na Assembleia da ONU
Um espaço estratégico
A tradição de o Brasil abrir os trabalhos da Assembleia Geral da ONU oferece a Lula uma vitrine global. O presidente pretende defender a soberania nacional e o respeito às instituições brasileiras, temas que vêm sendo questionados pelo governo Trump.
Evitar citar Trump nominalmente
Embora o confronto político seja evidente, interlocutores próximos ao Planalto avaliam que Lula evitará mencionar diretamente o presidente americano. A estratégia busca manter o tom diplomático, mas sem deixar de marcar posição sobre ataques à democracia brasileira.
A incógnita do discurso de Trump
O risco de menções ao Brasil
Trump falará poucos minutos depois de Lula. A grande dúvida é se o republicano fará referência ao Brasil ou a Bolsonaro em sua fala. Caso mencione, a repercussão poderá elevar ainda mais a tensão entre os países.
A expectativa de confronto indireto
Para diplomatas, um embate direto é improvável. Porém, a simples possibilidade de os dois discursos soarem como respostas mútuas já aumenta a atenção internacional sobre os corredores da ONU.
Encontro improvável, mas não impossível
Aperto de mãos nos bastidores
Há a possibilidade de Lula e Trump se encontrarem nos corredores da sede das Nações Unidas. Assessores não descartam um cumprimento protocolar, mas negam que haja previsão de reunião bilateral.
Ausência de agenda oficial
O Brasil não solicitou encontro com os EUA, e a Casa Branca tampouco manifestou interesse em uma conversa. A prioridade de Lula será articular alianças multilaterais com outros países em defesa da democracia.
O evento paralelo em defesa da democracia
EUA ficam de fora
Na quarta-feira (24), Lula organiza em Nova York a segunda edição do evento “Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo”, em parceria com líderes de Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha. Pela primeira vez, os Estados Unidos não foram convidados.
Coerência política
Segundo diplomatas brasileiros, a exclusão dos EUA reflete a atual postura de Trump, considerada incompatível com um fórum que busca promover instituições democráticas. No ano passado, sob a gestão Biden, Washington participou da primeira edição do encontro.
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As mensagens que Lula pretende levar ao mundo

Defesa da soberania nacional
Lula deve reafirmar que o Brasil não aceitará interferências externas em seus assuntos internos, especialmente no que diz respeito ao sistema judiciário e ao processo eleitoral.
O papel do Brasil no Sul Global
Além da resposta a Trump, o presidente brasileiro deve reforçar a necessidade de uma nova governança global, com maior representatividade de países em desenvolvimento em fóruns como o Conselho de Segurança da ONU.
Meio ambiente e desenvolvimento
Outro eixo central será a transição ecológica. Lula deve defender investimentos internacionais na preservação da Amazônia e ressaltar o compromisso brasileiro com o combate às mudanças climáticas.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Lula vai citar Trump em seu discurso na ONU?
A expectativa é que Lula evite mencionar Trump nominalmente, mas reforce críticas a ações que afetam a democracia brasileira.
2. Por que os EUA foram excluídos do evento paralelo sobre democracia?
A decisão reflete a postura da gestão Trump, considerada incompatível com o objetivo do encontro, que é combater o extremismo.
3. Qual a importância do discurso de abertura do Brasil na ONU?
Desde 1947, o Brasil tem a tradição de abrir os debates, o que dá grande visibilidade internacional ao presidente brasileiro.
4. Há chance de encontro entre Lula e Trump em Nova York?
Não há agenda oficial prevista, mas é possível que ocorra um cumprimento breve nos bastidores da ONU.
5. Quais são os principais temas que Lula deve abordar em seu discurso?
Soberania nacional, defesa da democracia, mudanças climáticas, preservação da Amazônia e governança global mais inclusiva.
Considerações finais
Em síntese, o discurso e as ações de Lula na ONU não apenas visam responder a pressões externas, mas também projetar o Brasil como protagonista global, capaz de dialogar com múltiplos atores internacionais e defender seus interesses de forma firme e diplomática.
