O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, na última sexta-feira (5), uma Medida Provisória (MP) que libera R$ 12 bilhões para a renegociação de dívidas rurais em condições especiais. A iniciativa deve beneficiar até 100 mil produtores rurais, especialmente pequenos e médios agricultores que enfrentaram perdas severas com secas e enchentes nos últimos cinco anos.
Lula sanciona MP com recursos para facilitar pagamento de dívidas rurais
Medida Provisória de R$ 12 bi vai facilitar renegociação de dívidas rurais com prazos estendidos e juros reduzidos.
Segundo Lula, trata-se de uma medida de apoio responsável, que busca garantir segurança financeira e continuidade da produção agrícola no Brasil. “Não é perdão, é renegociação responsável. Os produtores terão até nove anos para pagar, com um ano de carência, para se reorganizar e seguir plantando”, declarou em vídeo publicado nas redes sociais.
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Dívidas rurais: Quem será beneficiado pela MP

A MP contempla agricultores vinculados a programas como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural) e demais produtores que atendam aos critérios estabelecidos.
O governo calcula que até 96% dos pequenos e médios agricultores endividados poderão ser atendidos. Muitos deles estavam com crédito bloqueado em razão de dívidas acumuladas, situação que prejudicava a preparação da nova safra.
Lula destacou que o impacto das mudanças climáticas foi determinante para a criação da medida. “Nos últimos anos, secas prolongadas e fortes enchentes causaram grandes perdas aos agricultores, gerando dívidas e travando o crédito. Por isso, tomei a decisão de darmos mais uma garantia ao setor”, explicou.
Critérios para adesão
Para acessar a renegociação, o produtor rural deve:
- Comprovar perdas relevantes de safra nos últimos cinco anos;
- Estar localizado em municípios que decretaram estado de calamidade ao menos duas vezes no mesmo período;
- Possuir dívidas vinculadas a operações de crédito agrícola.
As condições incluem prazo de até nove anos para pagamento, sendo o primeiro ano de carência para reorganização da produção.
Condições financeiras da renegociação
A medida oferece condições diferenciadas em relação ao mercado:
- Juros anuais de cerca de 6% para pequenos produtores;
- 8% para médios;
- 10% para os demais agricultores.
Os limites de crédito variam conforme o porte do produtor:
- Até R$ 250 mil para operações no Pronaf;
- Até R$ 1,5 milhão para produtores do Pronamp;
- Até R$ 3 milhões para os demais.
As regras finais e os parâmetros de regulamentação serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Como será financiada a medida
O financiamento das renegociações será viabilizado da seguinte forma:
- R$ 12 bilhões em recursos do Tesouro Nacional, repassados a bancos públicos, privados e cooperativas de crédito;
- Estruturação via BNDES, que organiza as operações financeiras;
- Estímulo à participação de bancos, que poderão incluir recursos próprios estimados em R$ 20 bilhões, incentivados por benefícios tributários.
O risco de crédito, no entanto, ficará integralmente com as instituições financeiras, sem transferência de responsabilidade para o Tesouro.
Impactos esperados no campo
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A iniciativa traz reflexos não apenas para os agricultores, mas também para toda a cadeia produtiva e para os consumidores. Entre os benefícios, destacam-se:
- Recuperação do crédito para produtores rurais;
- Segurança no plantio da nova safra;
- Estabilidade no abastecimento de alimentos;
- Prevenção da inflação causada por restrição de oferta;
- Manutenção de empregos na cadeia agroindustrial.
“O produtor recupera crédito e volta a plantar com segurança. O consumidor ganha com mais oferta e preços estáveis, enquanto o Brasil fortalece sua agricultura e resiliência diante de eventos climáticos”, afirmou Lula.
Renegociação como estímulo à economia
Além de aliviar o endividamento, a MP deve estimular os bancos a renegociar dívidas com recursos próprios, já que terão incentivo fiscal para isso. Esse movimento pode:
- Reduzir a inadimplência do setor;
- Reabrir espaço para novos financiamentos;
- Fortalecer a agricultura nacional como motor de estabilidade econômica;
- Ampliar a confiança do mercado de crédito rural.
Contexto e importância da medida

O agronegócio brasileiro tem enfrentado desafios crescentes devido às mudanças climáticas, como secas prolongadas e chuvas intensas que afetam a produção. O cenário resultou em prejuízos financeiros e aumentou a dependência de políticas de crédito para manter a competitividade do setor.
Ao sancionar a MP, o governo busca equilibrar a sustentabilidade econômica dos produtores com a estabilidade alimentar do país. O impacto esperado vai além da renegociação individual, abrangendo a proteção da produção agrícola nacional e o controle da inflação dos alimentos.
Com informações de: Agência Gov
