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Lula anuncia mudanças que afetará toda classe média baixa e alta

Lula anunciou sete programas voltados à classe média, com destaque para o novo crédito imobiliário e a proposta de isenção do IR.

Avatar de Helena Serpa Helena Serpa · · 5 min de leitura
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De olho no eleitorado que mais reprova sua gestão, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou em 2025 um conjunto de medidas econômicas voltadas à classe média. O objetivo é aliviar o custo de vida, ampliar o crédito e reaquecer o consumo interno.

A estratégia ganhou força em outubro, com o anúncio de novos programas habitacionais e de financiamento destinados às famílias que ficam entre o teto do Minha Casa, Minha Vida e as taxas elevadas dos bancos privados — ou seja, com renda entre R$ 8 mil e R$ 20 mil.

Novo crédito imobiliário mira famílias de renda média-alta

Imóveis acima de R$ 2 milhões podem ser financiados: entenda as mudanças
Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil

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Entre as medidas mais expressivas está o novo modelo de crédito imobiliário. O programa amplia o limite de financiamento e reduz os juros para famílias com renda de R$ 12 mil a R$ 20 mil mensais.

  • Teto de financiamento: imóveis de até R$ 2,25 milhões;
  • Taxa de juros máxima: 12% ao ano, inferior à média praticada no mercado;
  • Meta do governo: impulsionar o setor de construção civil e atender a um público que ficava “sem espaço” entre os programas sociais e o crédito bancário tradicional.

Durante a cerimônia de lançamento em São Paulo, Lula destacou que o foco da iniciativa foi uma solicitação direta à Caixa Econômica Federal. Segundo o presidente da instituição, Carlos Vieira, a orientação foi “fortalecer a classe média como motor do desenvolvimento econômico”.

Reforma Casa Brasil

Na esteira do pacote habitacional, o governo lançou também o Reforma Casa Brasil, um programa de crédito voltado a melhorias residenciais.

  • Valor total do programa: R$ 40 bilhões;
  • Destinação específica: R$ 10 bilhões reservados a famílias com renda acima de R$ 9.600;
  • Objetivo: aquecer o setor de construção e gerar empregos diretos e indiretos na economia doméstica.

O governo estima que o programa possa beneficiar até 2 milhões de famílias e movimentar a cadeia produtiva da construção civil, que representa cerca de 6% do PIB nacional.0,,,

O que é considerado “classe média” no Brasil?

ClasseFaixa de renda familiar mensalPerfil
D e Eaté R$ 3.400vulneráveis e dependentes de programas sociais
CR$ 3.400 a R$ 8.100média-baixa, sustentáculo do consumo interno
BR$ 8.100 a R$ 25.200média-alta, profissionais e empreendedores consolidados
Aacima de R$ 25.200alta renda, dependente de capital e investimentos

Para Lula, brasileiros com renda até R$ 5.000 não podem ser considerados classe média, mas sim trabalhadores que “lutam para sobreviver”.

Isenção do IR

Um dos pontos mais aguardados do pacote é o projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais. A medida faz parte das promessas de campanha de Lula e já foi aprovada na Câmara dos Deputados, aguardando votação no Senado.

Caso receba aval ainda em 2025, a nova faixa de isenção passará a valer em janeiro de 2026. A proposta é vista como fundamental para recompor o poder de compra das famílias e reequilibrar a carga tributária sobre os trabalhadores.

Economistas apontam que a medida pode beneficiar diretamente 13 milhões de contribuintes, sobretudo da classe média-baixa, que hoje paga entre 7,5% e 15% de IR sobre a renda.

Crédito do Trabalhador

Outra aposta do governo é o Crédito do Trabalhador, programa de empréstimos consignados privados com taxas de juros menores.

A iniciativa utiliza a carteira digital do governo federal como intermediária e permite que empresas privadas firmem convênios diretos para oferecer crédito com desconto em folha.

Com isso, o governo tenta expandir o acesso ao crédito a trabalhadores formais de renda média, reduzindo a dependência de empréstimos pessoais com juros superiores a 20% ao ano.

“Agora Tem Especialistas”

Em outra frente, o governo lançou o “Agora Tem Especialistas”, um programa que credencia clínicas e hospitais privados para reduzir as filas do SUS.

A proposta prevê que instituições particulares recebam abatimento de dívidas com a União em troca da realização de consultas e cirurgias especializadas.

Embora voltado ao sistema público, o programa também deve beneficiar a classe média, que frequentemente utiliza o SUS para atendimentos de média e alta complexidade, mesmo mantendo planos de saúde privados.

Financiamento de motos

O governo estuda lançar ainda um programa de crédito subsidiado para motociclistas que trabalham com aplicativos de entrega.

A proposta deve contemplar trabalhadores autônomos com renda entre R$ 3 mil e R$ 8 mil — público que não se enquadra em programas tradicionais de crédito, mas enfrenta dificuldades para financiar veículos de trabalho.

Lula tenta reconquistar eleitorado da classe média

Lula
Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Desde seus primeiros mandatos, Lula enfrenta resistência entre a chamada classe média tradicional — grupo sensível à carga tributária, ao custo de vida e à eficiência dos serviços públicos.

A faixa etária entre 25 e 44 anos, mais afetada pelo desemprego e pelo alto endividamento, também apresenta os maiores índices de rejeição.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quando deve valer a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil?
Se o Senado aprovar ainda em 2025, a nova faixa de isenção passa a valer em janeiro de 2026.

Quem será beneficiado pelo novo crédito imobiliário?
Famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil, que ficavam fora tanto do Minha Casa, Minha Vida quanto das linhas tradicionais de crédito de mercado.

O que é o Reforma Casa Brasil?
Programa federal que destina R$ 40 bilhões em crédito para reformas residenciais, dos quais R$ 10 bilhões são voltados à classe média.

Qual o impacto político dessas medidas?
As iniciativas buscam reconquistar o eleitorado da classe média, faixa onde Lula ainda enfrenta alta desaprovação e que será decisiva nas eleições de 2026.

Considerações finais

Se as medidas conseguirem equilibrar crescimento econômico e justiça tributária, o governo poderá não apenas fortalecer sua base eleitoral, mas também reescrever o papel da classe média brasileira como protagonista no novo ciclo de desenvolvimento do país.

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