De olho no eleitorado que mais reprova sua gestão, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou em 2025 um conjunto de medidas econômicas voltadas à classe média. O objetivo é aliviar o custo de vida, ampliar o crédito e reaquecer o consumo interno.
Lula anuncia mudanças que afetará toda classe média baixa e alta
Lula anunciou sete programas voltados à classe média, com destaque para o novo crédito imobiliário e a proposta de isenção do IR.
A estratégia ganhou força em outubro, com o anúncio de novos programas habitacionais e de financiamento destinados às famílias que ficam entre o teto do Minha Casa, Minha Vida e as taxas elevadas dos bancos privados — ou seja, com renda entre R$ 8 mil e R$ 20 mil.
Novo crédito imobiliário mira famílias de renda média-alta

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Entre as medidas mais expressivas está o novo modelo de crédito imobiliário. O programa amplia o limite de financiamento e reduz os juros para famílias com renda de R$ 12 mil a R$ 20 mil mensais.
- Teto de financiamento: imóveis de até R$ 2,25 milhões;
- Taxa de juros máxima: 12% ao ano, inferior à média praticada no mercado;
- Meta do governo: impulsionar o setor de construção civil e atender a um público que ficava “sem espaço” entre os programas sociais e o crédito bancário tradicional.
Durante a cerimônia de lançamento em São Paulo, Lula destacou que o foco da iniciativa foi uma solicitação direta à Caixa Econômica Federal. Segundo o presidente da instituição, Carlos Vieira, a orientação foi “fortalecer a classe média como motor do desenvolvimento econômico”.
Reforma Casa Brasil
Na esteira do pacote habitacional, o governo lançou também o Reforma Casa Brasil, um programa de crédito voltado a melhorias residenciais.
- Valor total do programa: R$ 40 bilhões;
- Destinação específica: R$ 10 bilhões reservados a famílias com renda acima de R$ 9.600;
- Objetivo: aquecer o setor de construção e gerar empregos diretos e indiretos na economia doméstica.
O governo estima que o programa possa beneficiar até 2 milhões de famílias e movimentar a cadeia produtiva da construção civil, que representa cerca de 6% do PIB nacional.0,,,
O que é considerado “classe média” no Brasil?
| Classe | Faixa de renda familiar mensal | Perfil |
|---|---|---|
| D e E | até R$ 3.400 | vulneráveis e dependentes de programas sociais |
| C | R$ 3.400 a R$ 8.100 | média-baixa, sustentáculo do consumo interno |
| B | R$ 8.100 a R$ 25.200 | média-alta, profissionais e empreendedores consolidados |
| A | acima de R$ 25.200 | alta renda, dependente de capital e investimentos |
Para Lula, brasileiros com renda até R$ 5.000 não podem ser considerados classe média, mas sim trabalhadores que “lutam para sobreviver”.
Isenção do IR
Um dos pontos mais aguardados do pacote é o projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais. A medida faz parte das promessas de campanha de Lula e já foi aprovada na Câmara dos Deputados, aguardando votação no Senado.
Caso receba aval ainda em 2025, a nova faixa de isenção passará a valer em janeiro de 2026. A proposta é vista como fundamental para recompor o poder de compra das famílias e reequilibrar a carga tributária sobre os trabalhadores.
Economistas apontam que a medida pode beneficiar diretamente 13 milhões de contribuintes, sobretudo da classe média-baixa, que hoje paga entre 7,5% e 15% de IR sobre a renda.
Crédito do Trabalhador
Outra aposta do governo é o Crédito do Trabalhador, programa de empréstimos consignados privados com taxas de juros menores.
A iniciativa utiliza a carteira digital do governo federal como intermediária e permite que empresas privadas firmem convênios diretos para oferecer crédito com desconto em folha.
Com isso, o governo tenta expandir o acesso ao crédito a trabalhadores formais de renda média, reduzindo a dependência de empréstimos pessoais com juros superiores a 20% ao ano.
“Agora Tem Especialistas”
Em outra frente, o governo lançou o “Agora Tem Especialistas”, um programa que credencia clínicas e hospitais privados para reduzir as filas do SUS.
A proposta prevê que instituições particulares recebam abatimento de dívidas com a União em troca da realização de consultas e cirurgias especializadas.
Embora voltado ao sistema público, o programa também deve beneficiar a classe média, que frequentemente utiliza o SUS para atendimentos de média e alta complexidade, mesmo mantendo planos de saúde privados.
Financiamento de motos
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O governo estuda lançar ainda um programa de crédito subsidiado para motociclistas que trabalham com aplicativos de entrega.
A proposta deve contemplar trabalhadores autônomos com renda entre R$ 3 mil e R$ 8 mil — público que não se enquadra em programas tradicionais de crédito, mas enfrenta dificuldades para financiar veículos de trabalho.
Lula tenta reconquistar eleitorado da classe média

Desde seus primeiros mandatos, Lula enfrenta resistência entre a chamada classe média tradicional — grupo sensível à carga tributária, ao custo de vida e à eficiência dos serviços públicos.
A faixa etária entre 25 e 44 anos, mais afetada pelo desemprego e pelo alto endividamento, também apresenta os maiores índices de rejeição.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quando deve valer a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil?
Se o Senado aprovar ainda em 2025, a nova faixa de isenção passa a valer em janeiro de 2026.
Quem será beneficiado pelo novo crédito imobiliário?
Famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil, que ficavam fora tanto do Minha Casa, Minha Vida quanto das linhas tradicionais de crédito de mercado.
O que é o Reforma Casa Brasil?
Programa federal que destina R$ 40 bilhões em crédito para reformas residenciais, dos quais R$ 10 bilhões são voltados à classe média.
Qual o impacto político dessas medidas?
As iniciativas buscam reconquistar o eleitorado da classe média, faixa onde Lula ainda enfrenta alta desaprovação e que será decisiva nas eleições de 2026.
Considerações finais
Se as medidas conseguirem equilibrar crescimento econômico e justiça tributária, o governo poderá não apenas fortalecer sua base eleitoral, mas também reescrever o papel da classe média brasileira como protagonista no novo ciclo de desenvolvimento do país.
