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Lula diz na ONU que “Brasil não cabe no quintal de ninguém” e ganha destaque internacional

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu na terça-feira (22) o Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Como ocorre tradicionalmente desde 1955, o Brasil foi o primeiro país a discursar na sessão que reúne chefes de Estado e de governo dos 193 países-membros da organização.

O discurso ocorreu em um cenário internacional marcado por guerras, disputas comerciais, tensões geopolíticas, mudanças climáticas e debates sobre os limites da inteligência artificial. O tema oficial da Assembleia neste ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.

Ao longo da fala, Lula defendeu o fortalecimento do sistema multilateral, criticou a atual estrutura do Conselho de Segurança e tratou de conflitos no Oriente Médio e na Europa. Também dedicou espaço à soberania brasileira, às eleições de outubro, ao combate ao crime organizado, à questão climática e à regulamentação de novas tecnologias.

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Imagem: Ricardo Stuckert / PR

O que Lula defendeu na Assembleia Geral da ONU

Um dos principais eixos do pronunciamento foi a avaliação de que organismos internacionais precisam recuperar capacidade de negociação e representação. Lula afirmou que o modelo multilateral vem perdendo força e voltou a defender mudanças na estrutura da ONU.

A reforma do Conselho de Segurança aparece há décadas entre as prioridades diplomáticas brasileiras. O governo brasileiro sustenta que a composição atual não representa adequadamente a configuração política e demográfica do mundo contemporâneo.

A discussão ganha importância porque o Conselho de Segurança possui cinco membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — com poder de veto. Para o governo brasileiro, a ampliação da representação poderia aumentar a legitimidade das decisões internacionais.

A própria ONU vem discutindo a necessidade de adaptação de suas instituições diante das atuais crises globais. A 81ª Assembleia ocorre justamente sob uma agenda voltada à recuperação da confiança e ao fortalecimento da cooperação internacional.

Soberania e interferência estrangeira

Outro ponto de destaque foi a defesa da soberania dos países. Lula afirmou que as nações devem ter autonomia para definir seus próprios caminhos políticos e rejeitou a divisão do mundo em áreas de influência.

O presidente também relacionou o princípio da não interferência às eleições brasileiras de outubro. Segundo a Reuters, Lula alertou contra interferências externas e internas no processo eleitoral e associou a preservação da democracia à capacidade brasileira de conduzir suas próprias eleições.

Esse trecho ganhou atenção da imprensa internacional porque o discurso ocorre às vésperas das eleições brasileiras. A abordagem, portanto, combinou uma mensagem de política externa com um tema diretamente relacionado à política doméstica.

Guerras e crises internacionais estiveram no centro da fala

Os conflitos internacionais ocuparam parte significativa do discurso. Lula voltou a defender uma solução diplomática para a guerra entre Rússia e Ucrânia e criticou a incapacidade das instituições internacionais de impedir a continuidade de conflitos.

Sobre o Oriente Médio, o presidente condenou a situação humanitária em Gaza, defendeu a solução de dois Estados e voltou a classificar as ações israelenses no território palestino como genocídio. Essa classificação é uma posição política do governo brasileiro e permanece contestada pelo governo de Israel, que rejeita a acusação.

O presidente também mencionou outras tensões internacionais e defendeu que a diplomacia tenha prioridade sobre ações militares.

A agenda de conflitos é particularmente relevante nesta Assembleia. A ONU informou que a programação de 2026 ocorre em meio a guerras prolongadas, crises humanitárias e dificuldades de cooperação entre grandes potências.

Crime organizado e segurança também foram abordados

Lula levou para a tribuna da ONU um problema que tem impacto direto na América Latina: o avanço das organizações criminosas transnacionais.

O presidente defendeu maior cooperação entre os países para combater o tráfico de armas, a movimentação internacional de recursos financeiros e as estruturas utilizadas pelo crime organizado.

Ao mesmo tempo, rejeitou a ideia de que a resposta ao problema deva depender de intervenção militar estrangeira no território brasileiro. A proposta apresentada foi ampliar a cooperação internacional sem abrir mão da soberania nacional.

A posição está alinhada à defesa mais ampla feita por Lula de que problemas transnacionais, como tráfico de drogas e armas, exigem coordenação entre governos, mas devem respeitar as competências de cada Estado.

Clima, pobreza e inteligência artificial

Lula
Imagem: Ricardo Stuckert/PR

A questão climática também apareceu entre os temas centrais. Lula defendeu a retomada da cooperação internacional para combater as mudanças climáticas e citou iniciativas brasileiras voltadas à proteção das florestas tropicais.

Outro eixo foi o combate à fome e à pobreza. O presidente destacou a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante sua presidência do G20 e posteriormente incorporada à agenda internacional.

Na área tecnológica, Lula voltou a defender regras internacionais para inteligência artificial e plataformas digitais. A preocupação apresentada está relacionada à concentração tecnológica, ao poder das grandes empresas e aos impactos das novas ferramentas sobre direitos, informação e soberania.

A posição brasileira não surgiu apenas no discurso de 2026. Em pronunciamentos anteriores na ONU, o governo já havia defendido uma governança internacional da inteligência artificial, com participação dos países em desenvolvimento.

Imagem: Reprodução

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