O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem acelerado a elaboração e o anúncio de pelo menos seis novos projetos sociais e econômicos, com o objetivo de fortalecer sua popularidade até as eleições presidenciais de 2026. Com base nas regras da Justiça Eleitoral, qualquer medida com fins eleitorais precisa ser anunciada até 4 de julho daquele ano. Por isso, o governo tem pressa em aprovar e colocar em prática iniciativas voltadas a camadas estratégicas da população.
Governo Lula planeja 6 novos programas sociais voltados a classe média e periferia antes das eleições
Lula pretende lançar ao menos seis novos programas até julho de 2026, incluindo isenção de IR e subsídios sociais, saiba mais!
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Governo Lula anuncia planos para seis novos programas sociais até 2026

Foco na isenção do Imposto de Renda
Entre as principais propostas em fase de articulação no Congresso está a promessa de campanha: a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5.000 mensais. A medida inclui também a redução da alíquota para quem recebe entre R$ 5.001 e R$ 7.350. Essa faixa intermediária, geralmente pertencente à classe média, também é uma base eleitoral relevante que o governo pretende reconquistar.
Projeção de impacto fiscal
Inicialmente, a Receita Federal estimava uma renúncia de R$ 25,8 bilhões com a isenção, mas o parecer do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), elevou a projeção para R$ 31,3 bilhões em 2026. Ainda assim, o Palácio do Planalto considera que o retorno econômico, político e social da medida compensaria o impacto orçamentário.
Linha de crédito popular e incentivo à economia
Outro pilar da estratégia de Lula envolve o crédito subsidiado para impulsionar setores da economia considerados estratégicos. Estão no radar:
- financiamento para reformas residenciais;
- crédito facilitado para aquisição de motos elétricas por entregadores de aplicativos;
- possível aumento do teto do programa Minha Casa, Minha Vida, visando também a classe média.
Essas medidas dialogam diretamente com o discurso recorrente do presidente: “pouco dinheiro na mão de muitos é o que traz prosperidade”.
O Gás para Todos: nova versão de programa já conhecido
Um dos anúncios mais aguardados para agosto de 2025 é o programa Gás para Todos, desenvolvido pelo Ministério de Minas e Energia. A nova proposta busca triplicar o alcance do atual Auxílio Gás, passando de 5,4 milhões para 16,6 milhões de famílias beneficiadas.
Detalhes da nova proposta
O Gás para Todos deve ser lançado via Medida Provisória no dia 5 de agosto. O objetivo é ampliar o acesso ao gás de cozinha, principalmente entre famílias de baixa renda em regiões periféricas e rurais. Além de cumprir uma função social essencial, o programa também visa gerar impactos diretos no consumo doméstico e na popularidade do governo.
O desafio do pente-fino no Bolsa Família

Apesar da ampliação de benefícios, o governo tem enfrentado críticas por conta dos cortes promovidos no Bolsa Família. Só entre junho e julho de 2025, 855 mil famílias deixaram de receber o auxílio – a maior exclusão em um único mês desde a criação do programa.
Explicação oficial e expectativa
O Ministério do Desenvolvimento Social afirma que muitos beneficiários tiveram aumento de renda e, por isso, saíram do programa. Ainda assim, há dúvidas sobre a real natureza dos cortes. O ministro Wellington Dias afirma que cerca de 2 milhões de pessoas devem ser incluídas até 2026, mas o número de beneficiários atingiu o menor patamar em três anos.
Popularidade em recuperação e enfrentamento com Trump
A melhora na avaliação do governo Lula coincide com o embate diplomático recente com os Estados Unidos. O presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano) anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025, sob justificativas políticas envolvendo Jair Bolsonaro.
Reação do governo e capitalização política
Lula utilizou o episódio para reforçar um discurso de defesa da soberania nacional e combate a desigualdades globais. A narrativa “nós contra eles” voltou a ganhar força, principalmente nas redes sociais e entre as bases eleitorais mais distantes do lulismo tradicional.
Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a melhora na popularidade de Lula foi observada em regiões e grupos onde o governo enfrentava maior resistência. A pesquisa da Quaest, encomendada pela Genial Investimentos, mostra que:
- a desaprovação caiu de 57% para 53% de maio a julho;
- a aprovação subiu de 40% para 43% no mesmo período.
Percepção sobre as tarifas de Trump
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A pesquisa revela ainda que 79% dos entrevistados acreditam que a tarifa de 50% vai prejudicar suas vidas, e 72% consideram que Donald Trump errou ao impor a medida. Esses dados reforçam que o episódio teve impacto simbólico relevante na percepção pública.
Estratégia eleitoral e comparação com 2022
Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticaram ao longo dos últimos dois anos o uso de pacotes de benefícios em ano eleitoral, fazendo alusão à campanha de Jair Bolsonaro em 2022. Na época, R$ 27 bilhões foram liberados em programas como Auxílio Brasil turbinado, auxílio para caminhoneiros, taxistas e vale-gás.
Ainda assim, o petista parece seguir um caminho similar ao preparar um conjunto robusto de ações sociais, econômicas e tributárias para os próximos 12 meses.
Diferença no discurso
A diferença, segundo integrantes do governo, é que os programas de Lula têm foco em médio e longo prazo, com justificativas de política pública e não apenas de apelo eleitoral imediato. No entanto, a coincidência com o calendário eleitoral torna inevitável a comparação.
Expectativa para os próximos meses

Entre agosto de 2025 e abril de 2026, o Planalto deverá anunciar todos os seis programas e aprovar pelo menos três deles até o fim de setembro. A meta é que estejam operando plenamente antes do prazo da Justiça Eleitoral de 4 de julho.
Os principais projetos em destaque são:
- Isenção do IR até R$ 5.000 e desconto até R$ 7.350
- Crédito para reforma residencial
- Financiamento para motos elétricas para entregadores
- Ampliação do Minha Casa, Minha Vida
- Lançamento do Gás para Todos
- Revisão e reinclusão de beneficiários no Bolsa Família
Essas medidas podem redefinir a paisagem eleitoral de 2026, especialmente se forem acompanhadas de indicadores econômicos positivos como queda da inflação, crescimento do PIB e estabilidade do câmbio.
Imagem: Ricardo Stuckert / PR
