Essa semana diversas polêmicas envolvendo o presidente Lula e o Banco Central (BC) aconteceram. Desde que assumiu a presidência, Lula tem questionado a política monetária do BC no que diz respeito à taxa Selic, que chegou a 13,75% ao ano.
Lula realmente pretende acabar com a autonomia do Banco Central?
Saiba se Lula tem a intenção de acabar com a autonomia do Banco Central e entenda melhor a discussão envolvendo as duas autoridades
Essas críticas ficaram mais explícitas durante a posse de Aloizio Mercadante, o novo presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) na última segunda-feira (6). Na ocasião, Lula se colocou contra a política monetária do BC.
Desse modo, nesta quarta-feira (8), o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) Alexandre Padilha alegou que o governo federal não pode interferir na autonomia do BC. Além disso, o ministro afirmou que não houve pressão alguma sobre os mandatos da atual diretoria de autoridade monetária.
Qual a importância da autonomia do BC?
A autonomia do Banco Central é garantida por uma lei sancionada por Bolsonaro em 2021. Desse modo, ela visa evitar que o Banco Central receba possíveis influências políticas.
Ou seja, o principal objetivo dessa lei é isolar o banco das pressões políticas. Isso porque o BC recebe as metas de inflação do Conselho Monetário Nacional e deve segui-las.
Além disso, essa autonomia possibilita ao controle de expectativas de inflação, de acordo com o professor Mauro Rodrigues, da USP.
“Não existe nenhuma iniciativa do governo de mudança da lei atual do Banco Central e nenhuma pressão sobre qualquer mandato de qualquer diretor. A lei estabelece claramente que mandados serão cumpridos”, destacou Padilha.
Atrito com o Banco Central
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Como dito antes, algumas situações ao longo dessa semana foram um pouco delicadas para Lula e o BC, já que Padilha não é o primeiro a vir a público para tentar amenizar a repercussão negativa da discussão.
Isso porque Haddad, ministro da Fazenda, elogiou na última terça-feira (7), durante a cerimônia de abertura da reunião de gestores da Caixa, o tom da ata do Copom (Comitê de Política Monetária) – que manteve a Selic em 13,75%.
Vale destacar que, de última hora, Lula não foi a esta reunião, o que causou polêmicas. Apesar de toda a situação, Padilha alega que não há “aquecimento nenhum, fervura nenhuma” entre o BC e Lula. Ele ainda destaca que existe “um debate e um grande esforço”.
Imagem: Isaac Fontana / Shutterstock
