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Novo malware permite controle total da webcam no Windows e câmeras no Android

O malware Stealit usa técnicas inéditas em Node.js para invadir Windows e Android, roubando dados e acessando webcams de vítimas.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Malware Stealit

Pesquisadores de cibersegurança alertam para uma nova ameaça digital que está se espalhando rapidamente pela internet. O malware Stealit, identificado pela Fortinet FortiGuard Labs, está sendo distribuído por meio de sites de compartilhamento de arquivos e servidores do Discord, mirando especialmente gamers e usuários de criptomoedas.

Com capacidade de acessar webcams, monitorar telas e roubar dados pessoais, o vírus representa um dos ataques mais sofisticados e perigosos de 2025.

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O que é o malware Stealit

Malware Stealit
Imagem: maxkabakov / Getty Images

O Stealit é uma nova variante de malware desenvolvida com base em Node.js, um ambiente de execução de JavaScript tradicionalmente usado em servidores e aplicações web. Essa escolha incomum torna o vírus altamente adaptável e difícil de detectar, já que ele se aproveita de um recurso experimental chamado Single Executable Application (SEA).

Esse recurso permite empacotar o código do Node.js em um único executável — o que significa que o malware pode rodar em qualquer máquina, mesmo sem o Node.js instalado.

Como o Stealit se espalha

Os criminosos por trás da campanha criam instaladores falsos de jogos populares e de aplicativos VPN. Esses arquivos maliciosos são distribuídos em plataformas como Mediafire e Discord, simulando downloads legítimos.

Assim que a vítima executa o arquivo, o vírus realiza uma verificação de segurança para identificar se está sendo analisado por especialistas. Caso perceba que está em um ambiente de teste, ele não executa suas funções maliciosas, o que dificulta sua detecção por laboratórios de segurança.

Estratégia por assinatura: o “Malware-as-a-Service”

Um dos aspectos mais alarmantes do Stealit é o seu modelo de negócio. Os desenvolvedores oferecem o malware por assinatura, em diferentes planos, com valores que variam de US$ 29,99 por semana até US$ 1.999,99 para acesso vitalício.

Os compradores recebem um painel de controle completo, que permite monitorar as vítimas em tempo real, extrair dados, acionar a webcam e até executar comandos remotamente.

Planos para Windows

  • Semanal: US$ 29,99
  • Mensal: US$ 49,99
  • Vitalício: US$ 499,99

Planos para Android

  • Semanal: US$ 99,99
  • Mensal: US$ 249,99
  • Vitalício: US$ 1.999,99

Essa abordagem transformou o cibercrime em um serviço, conhecido como Malware-as-a-Service (MaaS), que permite até mesmo a criminosos com pouca experiência lançar ataques sofisticados.

Como o Stealit age no sistema

Depois que o instalador é executado, o Stealit começa sua operação de forma silenciosa. O vírus cria um arquivo chamado cache.json na pasta temporária do Windows, contendo uma chave de autenticação codificada em Base64 — uma espécie de “CPF digital” da vítima dentro da rede criminosa.

Em seguida, o malware configura o Windows Defender para ignorar a pasta onde está instalado, impedindo a detecção automática. Após essa etapa, ele baixa três arquivos executáveis que cumprem funções distintas e complementares.

1. save_data.exe – o ladrão de senhas

Esse componente é especializado em roubar dados de navegadores baseados em Chromium, como Google Chrome, Edge, Brave e Opera. Ele coleta senhas salvas, cookies, histórico de navegação e até informações de cartões de crédito.

Contudo, ele só funciona completamente se o usuário tiver executado o instalador como administrador, o que concede privilégios adicionais ao vírus.

2. stats_db.exe – espionagem total

Essa parte do Stealit tem como alvo aplicativos de comunicação e carteiras digitais. O arquivo stats_db.exe busca informações de Telegram, WhatsApp, Steam, Epic Games e até carteiras de criptomoedas, como Atomic Wallet e Exodus.

Para quem joga online ou investe em criptoativos, esse tipo de roubo pode causar prejuízos financeiros irreversíveis.

3. game_cache.exe – persistência e controle remoto

O terceiro arquivo, game_cache.exe, é o mais perigoso. Ele garante que o malware seja iniciado toda vez que o computador é ligado e abre um canal direto de comunicação com os hackers.

Com isso, os criminosos podem:

  • Ver a tela da vítima em tempo real;
  • Executar comandos remotos;
  • Baixar e enviar arquivos;
  • Alterar configurações do sistema;
  • E até mudar o papel de parede do usuário.

Essa função transforma o computador em uma espécie de refém digital, totalmente sob o controle de terceiros.

Versão Android: controle total do celular

Malware Stealit
Imagem: depositphotos.com / rafapress

O Stealit também possui uma versão móvel para o sistema Android, que oferece recursos ainda mais invasivos. Entre as funções estão:

  • Acesso remoto à câmera;
  • Gravação da tela;
  • Monitoramento de chamadas e mensagens;
  • Rastreamento de localização em tempo real;
  • E até implantação de ransomware, bloqueando o celular e exigindo pagamento em criptomoedas.

Como o Node.js facilita a propagação

O uso do Node.js é uma inovação no mundo dos malwares. Tradicionalmente, esse ambiente é usado para desenvolver aplicações legítimas, como Discord e Slack.

Mas os cibercriminosos perceberam que o Node.js Single Executable Application (SEA) pode burlar antivírus. Por ser um recurso experimental, muitas soluções de segurança não reconhecem sua estrutura interna, permitindo que o Stealit atue de forma discreta e autossuficiente.

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Como se proteger contra o Stealit

Apesar da sofisticação do malware, há medidas simples e eficazes para evitar a infecção.

1. Baixe programas apenas de fontes oficiais

Nunca instale softwares vindos de Mediafire, Discord ou Telegram. Prefira sempre os sites oficiais dos desenvolvedores ou lojas reconhecidas como Steam e Google Play.

2. Desconfie de versões “gratuitas”

Se um jogo pago aparece em versão “free” em um servidor de terceiros, o risco é quase certo. Golpes desse tipo são comuns e geralmente escondem vírus como o Stealit.

3. Mantenha o antivírus atualizado

Mesmo que o malware seja novo, soluções de segurança atualizadas têm mais chances de detectar padrões suspeitos de comportamento e bloquear a ameaça.

4. Use autenticação de dois fatores (2FA)

Essa proteção extra impede que criminosos acessem suas contas, mesmo que consigam roubar suas senhas.

5. Verifique permissões de aplicativos

Desconfie se um instalador pedir acesso de administrador ou alterar configurações do Windows Defender. Esses são sinais claros de atividades maliciosas.

Impactos e riscos futuros

Malware Stealit
Imagem: sdx15 / shutterstock.com

O Stealit representa uma nova geração de ameaças digitais: discretas, comercializadas como serviço e multiplataforma. A possibilidade de controlar câmeras e microfones tanto em Windows quanto em Android levanta sérias preocupações de privacidade e espionagem digital.

Especialistas alertam que a tendência de malwares por assinatura tende a crescer, tornando o cibercrime mais acessível a qualquer pessoa com dinheiro e más intenções.

A Fortinet já está monitorando os domínios e bloqueando endereços IP associados ao Stealit, mas reforça que a vigilância individual ainda é o melhor escudo contra esse tipo de ameaça.

Conclusão

O surgimento do malware Stealit é um lembrete contundente de que o cibercrime está evoluindo rapidamente. Ao unir tecnologia experimental, modelo de assinatura e invasão multiplataforma, ele redefine os limites da espionagem digital.

Em um cenário onde até mesmo o antivírus pode ser enganado, a prevenção e a atenção se tornam as melhores defesas.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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