Os agricultores do Vale do São Francisco (BA/PE) receberam uma boa notícia nesta semana: a manga tommy, uma das variedades mais populares no Brasil e no exterior, registrou uma valorização expressiva de 24%, alcançando média de R$ 2,23/kg.
Manga tommy registra salto de 24% no preço e anima agricultores
Manga tommy sobe 24% no Vale do São Francisco, animando agricultores e refletindo oferta restrita no mercado.
O dado foi divulgado em levantamento do Hortifrúti/Cepea, que atribuiu o movimento principalmente à redução na oferta da fruta. Essa escassez já vinha sendo observada em outras áreas produtoras, como Livramento de Nossa Senhora (BA), reforçando a tendência de alta.
A recuperação dos preços traz alívio a produtores que enfrentaram meses de pressão sobre a rentabilidade, em um cenário marcado por custos elevados e competição acirrada no mercado interno e externo.
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Diferenças entre as variedades
Embora a manga tommy tenha liderado a recuperação, o comportamento da manga palmer foi distinto.
- No Vale do São Francisco, a cotação permaneceu estável em torno de R$ 1,49/kg.
- Em Livramento de Nossa Senhora, onde a disponibilidade também foi reduzida, a variedade registrou alta de 22%, chegando a R$ 1,65/kg.
Segundo pesquisadores do Cepea, a dinâmica demonstra como a oferta restrita influencia diretamente na formação de preços, mas com intensidades diferentes a depender da praça produtora e do perfil de consumo da variedade.
Atacado mostra estabilidade

Apesar da disparada nos valores pagos aos produtores, o mercado atacadista não refletiu com a mesma intensidade essa valorização.
Na Ceagesp, um dos principais polos de distribuição do país:
- A manga palmer foi comercializada a R$ 4,00/kg.
- A tommy registrou média de R$ 4,39/kg.
As variações foram discretas em comparação com o salto verificado nas áreas de origem. Para especialistas, isso evidencia a complexidade da cadeia de distribuição: fatores como logística, estoques reguladores e repasse ao consumidor final contribuem para manter certa estabilidade nos centros urbanos.
Um mercado em constante oscilação
O caso da manga ilustra bem como o mercado de hortifrúti é sensível a variações de oferta. Quando há queda na produção — seja por clima, sazonalidade ou decisões de colheita — os preços podem disparar.
Por outro lado, em períodos de safra cheia, a superoferta costuma pressionar as cotações para baixo, reduzindo a margem de lucro do produtor. Essa dinâmica reforça a importância de estratégias de escoamento, contratos de exportação e planejamento logístico para mitigar riscos.
Exportação e impacto internacional
O Vale do São Francisco é reconhecido como um dos maiores polos exportadores de frutas do Brasil, especialmente de manga e uva. Com o dólar em patamar elevado e a demanda crescente em mercados como Europa e Estados Unidos, o aumento de preços internos também pode refletir nas negociações externas.
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Segundo exportadores, a valorização da tommy tende a aumentar a competitividade da fruta brasileira nos contratos internacionais, já que o câmbio favorece o produtor. Contudo, há o desafio de equilibrar o fornecimento ao mercado interno, que absorve grande parte da produção.
Perspectivas para os próximos meses
A expectativa é de que o preço da manga tommy se mantenha valorizado enquanto a oferta seguir restrita. Contudo, a entrada gradual de novas safras pode equilibrar o mercado, reduzindo a pressão sobre os preços.
Além disso, fatores como clima, custos de insumos e demanda externa devem seguir no radar dos produtores. Especialistas do setor reforçam a importância de monitorar os indicadores do Cepea, que oferecem uma leitura precisa sobre as tendências de curto e médio prazo.
Agricultura familiar e grandes produtores

Outro ponto de destaque é o impacto diferenciado nas cadeias produtivas. Para pequenos agricultores familiares, a alta de 24% representa um alívio imediato, permitindo maior margem para cobrir custos e investir em melhorias.
Já para grandes exportadores, o movimento positivo ajuda a fortalecer contratos internacionais, mas também exige ajustes na logística de fornecimento. Em ambos os casos, o aumento reforça a relevância do Vale do São Francisco como motor da fruticultura nacional.
Com informações de: Cepea via Capitalist
