O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, foi ouvido nesta quarta-feira (18) em um tribunal de Los Angeles, nos Estados Unidos, em um processo considerado histórico sobre o suposto vício de crianças e adolescentes em redes sociais. A ação envolve também o Google, dono do YouTube, e pode estabelecer um precedente global sobre a responsabilização de plataformas digitais.
Decisão nos EUA pode mudar funcionamento das redes sociais
CEO da Meta depõe em ação histórica sobre vício de jovens em redes sociais e possível responsabilização global.
No centro do debate está a acusação de que empresas como Instagram, TikTok e Snapchat teriam projetado seus aplicativos para maximizar o engajamento de usuários jovens por meio de algoritmos altamente personalizados, notificações constantes e sistemas de recomendação capazes de estimular uso compulsivo.
Para o leitor brasileiro, o tema não é distante: o Brasil está entre os países que mais consomem redes sociais no mundo, segundo dados da DataReportal e do IBGE. A discussão que começa nos EUA pode influenciar futuras regulações no Congresso Nacional e decisões do Judiciário brasileiro.
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O que está em julgamento nos Estados Unidos
A acusação central
A ação foi movida por uma jovem identificada como K.G.M., hoje com 20 anos, que afirma ter desenvolvido ansiedade, depressão e problemas de autoimagem após criar contas em redes sociais aos 8 anos de idade. O argumento dos advogados é direto: as plataformas não apenas permitiram o acesso precoce, como teriam desenhado seus sistemas para estimular dependência — comparando os aplicativos a cigarros ou máquinas caça-níqueis.
Os autores do processo sustentam que as empresas tinham conhecimento dos possíveis danos à saúde mental de crianças e adolescentes, mas mantiveram práticas voltadas à retenção máxima de usuários.
A defesa das plataformas
As empresas negam que haja evidência científica conclusiva de que redes sociais causem dependência comparável a substâncias químicas. Também se amparam na legislação americana, especialmente na chamada Seção 230 do Communications Decency Act, que limita a responsabilidade das plataformas pelo conteúdo publicado por terceiros.
Além disso, Snapchat e TikTok teriam firmado acordo para encerrar as acusações nesse processo específico.
O ponto sensível: menores de 13 anos no Instagram
Durante o depoimento, Zuckerberg lamentou a demora do Instagram em identificar com eficácia usuários menores de 13 anos — faixa etária que, em tese, é proibida de criar contas na plataforma. Ele reiterou que “menores não têm permissão para usar o Instagram”, mas reconheceu desafios na verificação de idade.
Esse é um ponto crucial também no Brasil. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante proteção integral aos menores, e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados já publicou diretrizes específicas sobre tratamento de dados de crianças e adolescentes com base na LGPD.
Na prática, no entanto, a fiscalização é limitada, e muitas crianças brasileiras conseguem criar perfis usando datas de nascimento falsas.
Comparação com a indústria do tabaco
O caso vem sendo comparado aos processos movidos contra grandes fabricantes de cigarro nos anos 1990, quando empresas foram acusadas de ocultar informações sobre os riscos do tabagismo.
Se a Justiça americana entender que houve projeto intencional para gerar dependência, o impacto pode ser semelhante: indenizações bilionárias, exigência de mudanças estruturais no design dos aplicativos e maior regulação estatal.
Nos Estados Unidos, milhares de ações semelhantes já foram protocoladas por famílias, distritos escolares e procuradores-gerais estaduais.
Impactos globais e possíveis reflexos no Brasil
O julgamento é visto como parâmetro para dezenas de ações em andamento. Em diversos países, cresce o debate sobre limitar ou proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos. O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou estar aberto a discutir restrições.
No Brasil, o tema também avança. Projetos de lei discutem verificação obrigatória de idade e responsabilidade das plataformas por danos à saúde mental de jovens. Além disso, o Supremo Tribunal Federal analisa casos sobre responsabilidade de plataformas digitais por conteúdos nocivos.
Para pais brasileiros, o debate reforça a importância de:
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O que pode mudar se houver condenação
Se as empresas forem condenadas, três impactos principais são esperados:
1. Mudanças no design dos aplicativos
Redução de notificações automáticas, limitação de algoritmos de recomendação para menores e maior transparência.
2. Fortalecimento da regulação internacional
Outros países podem adotar normas mais rígidas inspiradas na decisão americana.
3. Indenizações e responsabilização civil
Abertura de precedentes para ações individuais em diferentes países.
O caso vai além de um processo judicial: trata-se de um debate global sobre saúde mental, tecnologia e responsabilidade corporativa.
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Imagem: mundissima / shutterstock.com
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