O Ministério da Educação (MEC) enviou ao Tribunal de Contas da União (TCU), na quarta-feira (2), documentos que comprovam o repasse de R$ 3 bilhões do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para o programa Pé‑de‑Meia, via Fipem (Fundo de Incentivo à Permanência e Conclusão Escolar). A medida atende a exigência da Corte de que o programa seja custeado dentro do Orçamento federal.
MEC transfere R$ 3 bi para Pé‑de‑Meia e apresenta documentos ao TCU
MEC enviou ao TCU documentos que comprovam aporte de R$ 3 bilhões do Fundo Garantidor de Operações para o Pé-de-Meia.
O aporte, realizado em 11 de junho, atende à determinação do TCU, que estabeleceu um prazo de 120 dias — encerrado recentemente — para regularizar a execução financeira do programa, diante de bloqueio de recursos identificado em janeiro.
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Por que o TCU bloqueou recursos do Pé‑de‑Meia?
Em janeiro de 2025, o TCU bloqueou R$ 6,4 bilhões destinados ao programa, após constatar irregularidades no financiamento, considerado fora do Orçamento da União. A Corte então liberou os valores com a condição de que o governo encaminhasse ao Congresso projeto que garantisse a sustentação orçamentária do Pé‑de‑Meia.
O uso de recursos de fundos privados, como FGO e FG‑Educ, para custear política pública foi considerado pelo TCU um desvio das regras do arcabouço fiscal, que dispõe sobre limites de gastos e transparência. O tribunal alertou que tal prática enfraquece a credibilidade do Orçamento e pode afastar investidores.
O que diz o governo sobre o aporte de R$ 3 bilhões?
Para responder à exigência do TCU, o MEC e o Ministério do Planejamento declararam que a transferência do FGO para o Fipem segue a legalidade e previsão Legislativa, e que, caso o tribunal julgue necessário, o governo já enviou ao Congresso o PLN 5/2025, que abre R$ 686 milhões em crédito suplementar.
Essa quantia, no entanto, é inferior ao custo anual total do programa, estimado em R$ 12 bilhões, conforme dados do UOL.
O que é o Pé‑de‑Meia e como funciona?
Objetivo do programa
Criado pela Lei nº 14.818/2024, o programa Pé‑de‑Meia incentiva a permanência e conclusão do ensino médio entre estudantes de baixa renda, integrantes do Cadastro Único (CadÚnico).
Benefícios oferecidos
- R$ 200 mensais durante o ano letivo (incentivo-frequência);
- R$ 200 na matrícula (incentivo-matrícula);
- R$ 1.000 anuais, depositados em poupança e liberados no fim do ano letivo (incentivo-conclusão);
- Bônus de R$ 200 para conclusão do Ensino Médio via Enem;
- Total que pode alcançar R$ 9.200 por aluno ao final do ciclo.
Quantos estudantes são atendidos?
Cerca de 4 milhões de estudantes do ensino médio estão recebendo o benefício.
Cronologia do impasse orçamentário
Janeiro de 2025
- TCU bloqueia R$ 6,4 bilhões do programa, temendo uso indevido de fundos externos.
Fevereiro de 2025
- Decisão do TCU libera provisoriamente os recursos, condicionados à tramitação legislativa de forma a incorporar o programa no Orçamento.
Junho de 2025
- MEC transfere R$ 3 bilhões do FGO para o Fipem, e envia documentação ao TCU.
Julho de 2025
- Governo solicita R$ 686 milhões adicionais via crédito suplementar ao Congresso.
- TCU aguarda análise do uso do FGO como fonte válida; recursos suplementares estão abaixo da necessidade total.
Principais desafios e críticas
Financiamento paralelo
TCU critica uso de fundos privados para políticas públicas sem planejamento orçamentário e sem trâmite Legislativo específico, que pode comprometer transparência e limites fiscais.
Transparência e controle social
O portal Transparência falhou em divulgar informações dos beneficiários até acionado pelas reportagens do UOL. Isso gerou preocupações sobre monitoramento e acesso à base de dados.
Orçamento insuficiente
Os R$ 686 milhões solicitados são insuficientes para cobrir custos de 2025, apontando a necessidade de suplementação adicional para integrar o programa no Orçamento, conforme recomendação do TCU.
Prazos e urgência
TCU concedeu prazo de 120 dias (encerrou nesta semana) para regularização orçamentária. A transferência dos R$ 3 bilhões buscou atender parcialmente essa exigência, mas ainda depende da aprovação dos recursos suplementares e validação formal.
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Próximos passos para a regularização
Análise do TCU
O Tribunal avaliará:
- Se o uso do FGO foi legal;
- Se o PLN 5 cumpre requisitos orçamentários;
- A adequação dos recursos suplementares e se há necessidade de novos cortes ou remanejamentos.
Congresso Nacional
O parlamento deve deliberar sobre:
- A aprovação dos R$ 686 milhões em crédito suplementar;
- Eventuais ajustes adicionais no Orçamento para acomodar o programa até 2026.
Execução administrativa
Se aprovados e validados judicialmente, inicia-se:
- Liberação dos recursos suplementares;
- Primeiro lote de pagamentos a partir de 24 de julho (caso o TCU homologue junto com outras ações legais relacionadas);
- Coordenação entre MEC, Caixa (gestora do Fipem) e TCU para garantir a continuidade e rastreabilidade.
Impactos na educação e na inclusão social

Combate à evasão
Pé-de-Meia é considerado um dos pilares da estratégia de combate à evasão escolar no Ensino Médio, com estimativa de redução de abandono em escolas públicas.
Inclusão de jovens vulneráveis
É um importante mecanismo de inclusão social, beneficiando jovens de famílias em situação de pobreza e integrados ao CadÚnico .
Confiança nas contas públicas
A regularização orçamentária fortalece a credibilidade do governo e das instituições, especialmente em relação ao cumprimento das normas fiscais e limites de gastos.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
