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Aposentadoria do MEI pode crescer com recolhimento complementar

Descubra como o MEI pode aumentar a aposentadoria e a pensão com contribuição complementar ao INSS e planejamento previdenciário.

Julia FernandesPor Julia Fernandes5 min de leitura
MEI

Muitos microempreendedores individuais acreditam que contribuir como MEI significa, obrigatoriamente, receber apenas um salário mínimo na aposentadoria. Essa percepção é comum, mas não corresponde totalmente às regras da Previdência Social.

Na prática, existem alternativas legais que permitem aumentar o valor dos benefícios previdenciários, incluindo aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária e pensão por morte para dependentes. O tema ganhou destaque após especialistas alertarem que uma simples mudança na forma de contribuição pode elevar significativamente o valor futuro dos benefícios.

Neste artigo, você entenderá como funciona a contribuição do MEI ao INSS, quais são as limitações da alíquota padrão e quais estratégias podem ajudar a construir uma aposentadoria mais robusta no futuro.

Como funciona a contribuição previdenciária do MEI

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

Todo Microempreendedor Individual contribui para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS).

A parcela previdenciária corresponde a 5% do salário mínimo vigente. Essa contribuição garante acesso a benefícios importantes, como:

  • Aposentadoria por idade;
  • Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença);
  • Salário-maternidade;
  • Pensão por morte;
  • Auxílio-reclusão.

Entretanto, a contribuição reduzida possui uma limitação importante: os benefícios tendem a ficar vinculados ao piso previdenciário, ou seja, ao valor do salário mínimo.

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Por que a aposentadoria do MEI costuma ficar no salário mínimo?

O cálculo da aposentadoria considera o histórico de contribuições realizadas ao longo da vida profissional.

Como o MEI paga apenas 5% sobre o salário mínimo, o INSS entende que o segurado está contribuindo sobre a menor base possível. Consequentemente, o benefício tende a ser calculado próximo ao piso nacional.

Isso significa que um empreendedor que passar décadas contribuindo exclusivamente pelo DAS dificilmente terá uma aposentadoria muito superior ao salário mínimo.

É possível receber uma aposentadoria de R$ 3 mil ou mais?

Sim. Mas isso exige planejamento previdenciário e contribuições maiores ao longo dos anos.

Segundo especialistas, o caminho mais utilizado é complementar a contribuição do MEI para atingir a alíquota de 20%, percentual semelhante ao recolhido por contribuintes individuais do INSS.

Quanto maior for a base de contribuição utilizada durante a carreira, maior tende a ser a média salarial considerada pelo INSS no cálculo do benefício.

Por esse motivo, alguns especialistas apontam que um benefício próximo de R$ 3 mil pode ser alcançado por quem realiza contribuições compatíveis com essa renda durante um período significativo da vida laboral.

Como fazer a complementação da contribuição do MEI

O procedimento é relativamente simples.

O empreendedor continua pagando normalmente o DAS mensal e faz um recolhimento adicional por meio da Guia da Previdência Social (GPS).

Passo 1: continuar pagando o DAS

O pagamento do DAS mantém a regularidade do CNPJ e garante a cobertura previdenciária básica.

Passo 2: emitir a GPS complementar

O recolhimento complementar é realizado por meio da GPS, utilizando o código de pagamento específico para complementação do MEI.

Passo 3: complementar os 15% restantes

Como o DAS já recolhe 5%, o empreendedor paga mais 15% para alcançar os 20% exigidos nas regras tradicionais do INSS.

Como a complementação influencia a pensão por morte

Muitos empreendedores pensam apenas na aposentadoria, mas a contribuição maior também pode impactar outros benefícios.

A pensão por morte, por exemplo, é calculada com base na situação previdenciária do segurado falecido e pode refletir contribuições mais elevadas realizadas durante a vida laboral.

Isso significa que a complementação não beneficia apenas o próprio empreendedor, mas também pode representar uma proteção financeira adicional para a família.

Exemplo prático

Imagine dois profissionais que contribuem por 25 anos.

Cenário 1: apenas DAS

  • Contribuição de 5% sobre o salário mínimo;
  • Benefício normalmente próximo ao piso previdenciário.

Cenário 2: DAS + GPS complementar

  • Contribuição total de 20%;
  • Média contributiva maior;
  • Possibilidade de benefício superior ao salário mínimo.

Naturalmente, o valor final dependerá de fatores como idade, tempo de contribuição, histórico de recolhimentos e regras vigentes na data da aposentadoria.

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Erros que podem comprometer o valor da aposentadoria

Começar a complementar apenas perto da aposentadoria

O INSS utiliza a média das contribuições ao longo do tempo. Portanto, contribuir mais apenas nos últimos anos pode não produzir o resultado esperado.

Perder pagamentos

Atrasos podem gerar juros, multas e dificuldades na validação do período contributivo.

Não guardar comprovantes

Especialistas recomendam manter registros de todas as contribuições realizadas.

Não fazer planejamento previdenciário

Cada situação é diferente. Dependendo da idade, da renda e do histórico de trabalho, outras estratégias podem ser mais vantajosas.

Vale a pena complementar a contribuição?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A resposta depende dos objetivos financeiros de cada empreendedor.

Quem pretende contar exclusivamente com o INSS na aposentadoria costuma encontrar vantagens na complementação, especialmente quando ela é iniciada cedo.

Por outro lado, alguns especialistas defendem que a estratégia previdenciária seja combinada com investimentos privados, como previdência complementar, renda fixa e fundos de longo prazo, reduzindo a dependência de uma única fonte de renda futura.

O que dizem os especialistas

Profissionais da área previdenciária destacam que a aposentadoria do MEI não precisa ficar limitada ao salário mínimo. O fator decisivo é o valor efetivamente contribuído ao INSS durante a trajetória profissional. Quanto maior a base de contribuição e mais cedo ela for iniciada, maiores tendem a ser os reflexos nos benefícios futuros.

Conclusão

O modelo simplificado do MEI oferece praticidade e custo reduzido, mas também limita o valor dos benefícios previdenciários quando utilizado de forma isolada.

Para quem deseja construir uma aposentadoria mais confortável ou deixar uma proteção financeira maior para os dependentes, a complementação da contribuição pode ser uma alternativa relevante.

Antes de tomar qualquer decisão, o ideal é consultar um contador ou especialista em direito previdenciário para avaliar o histórico contributivo e definir a estratégia mais adequada para o seu caso.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Julia Fernandes

Autor

Julia Fernandes

Júlia Fernandes é redatora do portal Seu Crédito Digital, onde compartilha conteúdos atualizados sobre economia, finanças pessoais, benefícios sociais, oportunidades para o cidadão e as principais notícias que impactam o dia a dia dos brasileiros. Gaúcha, comunicadora nata e apaixonada por escrever com empatia, Júlia combina informação com sensibilidade e leveza, sempre buscando ajudar o leitor a tomar decisões mais conscientes e informadas.

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