Muitos microempreendedores individuais acreditam que contribuir como MEI significa, obrigatoriamente, receber apenas um salário mínimo na aposentadoria. Essa percepção é comum, mas não corresponde totalmente às regras da Previdência Social.
Aposentadoria do MEI pode crescer com recolhimento complementar
Descubra como o MEI pode aumentar a aposentadoria e a pensão com contribuição complementar ao INSS e planejamento previdenciário.
Na prática, existem alternativas legais que permitem aumentar o valor dos benefícios previdenciários, incluindo aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária e pensão por morte para dependentes. O tema ganhou destaque após especialistas alertarem que uma simples mudança na forma de contribuição pode elevar significativamente o valor futuro dos benefícios.
Neste artigo, você entenderá como funciona a contribuição do MEI ao INSS, quais são as limitações da alíquota padrão e quais estratégias podem ajudar a construir uma aposentadoria mais robusta no futuro.
Como funciona a contribuição previdenciária do MEI

Todo Microempreendedor Individual contribui para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS).
A parcela previdenciária corresponde a 5% do salário mínimo vigente. Essa contribuição garante acesso a benefícios importantes, como:
- Aposentadoria por idade;
- Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença);
- Salário-maternidade;
- Pensão por morte;
- Auxílio-reclusão.
Entretanto, a contribuição reduzida possui uma limitação importante: os benefícios tendem a ficar vinculados ao piso previdenciário, ou seja, ao valor do salário mínimo.
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Por que a aposentadoria do MEI costuma ficar no salário mínimo?
O cálculo da aposentadoria considera o histórico de contribuições realizadas ao longo da vida profissional.
Como o MEI paga apenas 5% sobre o salário mínimo, o INSS entende que o segurado está contribuindo sobre a menor base possível. Consequentemente, o benefício tende a ser calculado próximo ao piso nacional.
Isso significa que um empreendedor que passar décadas contribuindo exclusivamente pelo DAS dificilmente terá uma aposentadoria muito superior ao salário mínimo.
É possível receber uma aposentadoria de R$ 3 mil ou mais?
Sim. Mas isso exige planejamento previdenciário e contribuições maiores ao longo dos anos.
Segundo especialistas, o caminho mais utilizado é complementar a contribuição do MEI para atingir a alíquota de 20%, percentual semelhante ao recolhido por contribuintes individuais do INSS.
Quanto maior for a base de contribuição utilizada durante a carreira, maior tende a ser a média salarial considerada pelo INSS no cálculo do benefício.
Por esse motivo, alguns especialistas apontam que um benefício próximo de R$ 3 mil pode ser alcançado por quem realiza contribuições compatíveis com essa renda durante um período significativo da vida laboral.
Como fazer a complementação da contribuição do MEI
O procedimento é relativamente simples.
O empreendedor continua pagando normalmente o DAS mensal e faz um recolhimento adicional por meio da Guia da Previdência Social (GPS).
Passo 1: continuar pagando o DAS
O pagamento do DAS mantém a regularidade do CNPJ e garante a cobertura previdenciária básica.
Passo 2: emitir a GPS complementar
O recolhimento complementar é realizado por meio da GPS, utilizando o código de pagamento específico para complementação do MEI.
Passo 3: complementar os 15% restantes
Como o DAS já recolhe 5%, o empreendedor paga mais 15% para alcançar os 20% exigidos nas regras tradicionais do INSS.
Como a complementação influencia a pensão por morte
Muitos empreendedores pensam apenas na aposentadoria, mas a contribuição maior também pode impactar outros benefícios.
A pensão por morte, por exemplo, é calculada com base na situação previdenciária do segurado falecido e pode refletir contribuições mais elevadas realizadas durante a vida laboral.
Isso significa que a complementação não beneficia apenas o próprio empreendedor, mas também pode representar uma proteção financeira adicional para a família.
Exemplo prático
Imagine dois profissionais que contribuem por 25 anos.
Cenário 1: apenas DAS
- Contribuição de 5% sobre o salário mínimo;
- Benefício normalmente próximo ao piso previdenciário.
Cenário 2: DAS + GPS complementar
- Contribuição total de 20%;
- Média contributiva maior;
- Possibilidade de benefício superior ao salário mínimo.
Naturalmente, o valor final dependerá de fatores como idade, tempo de contribuição, histórico de recolhimentos e regras vigentes na data da aposentadoria.
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Erros que podem comprometer o valor da aposentadoria
Começar a complementar apenas perto da aposentadoria
O INSS utiliza a média das contribuições ao longo do tempo. Portanto, contribuir mais apenas nos últimos anos pode não produzir o resultado esperado.
Perder pagamentos
Atrasos podem gerar juros, multas e dificuldades na validação do período contributivo.
Não guardar comprovantes
Especialistas recomendam manter registros de todas as contribuições realizadas.
Não fazer planejamento previdenciário
Cada situação é diferente. Dependendo da idade, da renda e do histórico de trabalho, outras estratégias podem ser mais vantajosas.
Vale a pena complementar a contribuição?

A resposta depende dos objetivos financeiros de cada empreendedor.
Quem pretende contar exclusivamente com o INSS na aposentadoria costuma encontrar vantagens na complementação, especialmente quando ela é iniciada cedo.
Por outro lado, alguns especialistas defendem que a estratégia previdenciária seja combinada com investimentos privados, como previdência complementar, renda fixa e fundos de longo prazo, reduzindo a dependência de uma única fonte de renda futura.
O que dizem os especialistas
Profissionais da área previdenciária destacam que a aposentadoria do MEI não precisa ficar limitada ao salário mínimo. O fator decisivo é o valor efetivamente contribuído ao INSS durante a trajetória profissional. Quanto maior a base de contribuição e mais cedo ela for iniciada, maiores tendem a ser os reflexos nos benefícios futuros.
Conclusão
O modelo simplificado do MEI oferece praticidade e custo reduzido, mas também limita o valor dos benefícios previdenciários quando utilizado de forma isolada.
Para quem deseja construir uma aposentadoria mais confortável ou deixar uma proteção financeira maior para os dependentes, a complementação da contribuição pode ser uma alternativa relevante.
Antes de tomar qualquer decisão, o ideal é consultar um contador ou especialista em direito previdenciário para avaliar o histórico contributivo e definir a estratégia mais adequada para o seu caso.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
