Com mais de 15 milhões de formalizados no Brasil, os microempreendedores individuais (MEIs) conquistaram espaço definitivo na economia nacional. O modelo simplificado de legalização oferece acesso facilitado a direitos trabalhistas, como aposentadoria e benefícios do INSS. No entanto, muitos desconhecem que a contribuição padrão de 5% sobre o salário mínimo garante apenas a aposentadoria por idade com o piso previdenciário. Para quem deseja um valor maior na aposentadoria, a solução está na contribuição complementar via Guia de Previdência Social (GPS).
MEI: saiba como pagar mais ao INSS e garantir aposentadoria acima do mínimo
MEI que paga 20% ao INSS pode se aposentar com valor acima do salário mínimo. Saiba como fazer o complemento e garantir mais segurança.
A estratégia consiste em adicionar 15% à alíquota básica, totalizando 20% do salário mínimo vigente, o que permite o acesso à aposentadoria por tempo de contribuição. Essa medida, além de aumentar o valor do benefício, amplia a segurança financeira no futuro e atende a um planejamento previdenciário mais robusto.
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Como funciona a contribuição complementar do MEI

Padrão: 5% pelo DAS
O MEI paga mensalmente o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), que inclui uma contribuição de 5% sobre o salário mínimo. Em 2025, com o salário mínimo fixado em R$ 1.412, o valor da contribuição é de R$ 70,60, acrescido de R$ 1 de ICMS ou R$ 5 de ISS, conforme o setor de atividade.
Esse pagamento dá direito à aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão — desde que o contribuinte esteja em dia com os recolhimentos e cumpra os prazos de carência exigidos pelo INSS.
Complementar: 15% via Guia GPS
Para quem deseja se aposentar por tempo de contribuição e receber um valor superior ao mínimo, é necessário complementar a contribuição com mais 15%, chegando a um total de 20% sobre o salário mínimo. Em 2025, esse adicional representa R$ 211,80, elevando o total mensal pago para R$ 282,40.
Essa complementação deve ser feita utilizando a Guia de Previdência Social (GPS), com o código 1007, que identifica o contribuinte individual. A operação pode ser realizada online por meio do site ou aplicativo do Meu INSS, ou ainda em agências bancárias.
Planejamento previdenciário é essencial
MEI precisa comprovar atividade
O pagamento da contribuição complementar exige que o MEI comprove sua atividade autônoma, especialmente no momento da aposentadoria. Por isso, é fundamental manter organizados documentos como notas fiscais, recibos de pagamento por serviços prestados, contratos e até a Declaração do Imposto de Renda.
Essa documentação serve como respaldo para garantir que as contribuições adicionais sejam aceitas pelo INSS, evitando o risco de descarte desses valores no cálculo do benefício.
Ferramentas digitais auxiliam o MEI
O aplicativo Meu INSS é a principal plataforma de acompanhamento do histórico de contribuições. Nele, o MEI pode verificar se os pagamentos foram registrados corretamente, gerar a GPS complementar e simular a aposentadoria com diferentes cenários.
Essa organização digital é uma aliada poderosa no planejamento previdenciário e facilita a tomada de decisão sobre o melhor momento para iniciar os pagamentos adicionais.
Vantagens da aposentadoria por tempo de contribuição
Benefício acima do salário mínimo
A principal vantagem da contribuição de 20% é a possibilidade de se aposentar por tempo de contribuição e com um valor calculado com base na média de todas as contribuições desde julho de 1994.
Mesmo após a reforma da Previdência de 2019, essa média ainda resulta em benefícios significativamente maiores do que o salário mínimo — principalmente para quem tiver períodos de contribuição com valores superiores ao piso previdenciário.
Regras de transição favorecem quem já contribuía
A reforma previdenciária estabeleceu novas exigências para a aposentadoria. No caso da aposentadoria por idade, agora é necessário ter 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, com pelo menos 15 anos de contribuição (20 anos para homens que ingressaram no sistema após a reforma).
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Para quem já contribuía antes de 2019, regras de transição suavizam os impactos. Uma das opções é o pedágio de 50%, que exige trabalhar 50% a mais do tempo que faltava em 2019. Já o pedágio de 100% exige o dobro do tempo restante, mas garante benefício integral com base na média de todas as contribuições, sem aplicação do fator previdenciário.
Benefícios do INSS garantidos ao MEI

Além da aposentadoria, o MEI tem acesso a benefícios como:
- Auxílio-doença: exige 12 meses de contribuição.
- Salário-maternidade: necessário 10 meses de contribuição.
- Pensão por morte: disponível aos dependentes do MEI, se o mesmo estiver em dia com o INSS.
- Auxílio-reclusão: também pago aos dependentes, mediante critérios de renda.
Importante destacar que a contribuição complementar de 15% não interfere nas regras de acesso a esses benefícios, apenas melhora o cálculo da aposentadoria.
Vale a pena pagar a contribuição complementar?
A resposta depende do perfil do microempreendedor. Quem tem condições financeiras de arcar com os R$ 282,40 mensais e pretende se aposentar com valor superior ao salário mínimo, encontrará na complementação um caminho legítimo para fortalecer sua segurança no futuro.
Além disso, começar a pagar o quanto antes contribui para uma média de salário mais elevada no cálculo final da aposentadoria. Especialistas em previdência recomendam iniciar a complementação ainda na juventude, pois quanto maior o período de contribuição com 20%, maior tende a ser o benefício.
Conclusão
A possibilidade de garantir uma aposentadoria mais robusta representa uma oportunidade valiosa para o MEI. Apesar da alíquota padrão de 5% garantir acesso a benefícios básicos, a contribuição complementar de 15% é um investimento que pode mudar o futuro financeiro do trabalhador autônomo.
Planejamento, organização documental e uso das ferramentas digitais, como o Meu INSS, são fundamentais nesse processo. Ao entender e aplicar corretamente as regras da Previdência, o microempreendedor ganha em tranquilidade e estabilidade, construindo um caminho mais seguro até a aposentadoria.
Imagem: Freepik e Canva
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