O regime do Microempreendedor Individual (MEI) foi criado para formalizar pequenos negócios no Brasil, permitindo que milhões de brasileiros saiam da informalidade e conquistem estabilidade jurídica e previdenciária. Mas com o crescimento de seus empreendimentos, muitos MEIs acabam se aproximando ou mesmo ultrapassando o limite de faturamento anual estabelecido por lei.
Limite de faturamento do MEI: entenda o que acontece se ultrapassar
Entenda as consequências para o MEI ao ultrapassar o limite de faturamento em 2025 e as propostas de aumento para R$ 130 mil anuais.
Em 2025, esse limite continua sendo de R$ 81 mil anuais, com uma margem de tolerância de até 20% — ou seja, R$ 97,2 mil. O que poucos empreendedores sabem, porém, é o que realmente acontece ao ultrapassar esse teto, e como isso afeta o negócio.
Neste artigo, vamos explicar detalhadamente o que ocorre quando o MEI ultrapassa o limite de faturamento, as possíveis penalidades, as propostas para elevar esse teto e o futuro do MEI no cenário econômico brasileiro.
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O que é o MEI e quais são suas vantagens?

Regime simplificado e benefícios ao trabalhador autônomo
Criado pela Lei Complementar nº 128/2008, o MEI visa desburocratizar o processo de formalização de pequenos empreendedores, com regime tributário simplificado, carga reduzida de impostos e acesso a benefícios previdenciários.
O MEI paga uma contribuição mensal que varia entre R$ 70 e R$ 80, dependendo da atividade exercida. Em troca, tem direito a:
- Aposentadoria por idade
- Auxílio-doença
- Salário-maternidade
- Emissão de notas fiscais
- Abertura de conta bancária empresarial
- Acesso a crédito com juros reduzidos
Contudo, esse modelo tem como condição principal um teto de faturamento, que atualmente limita o crescimento de muitos negócios.
Limite de faturamento do MEI em 2025
Valor atual e margem de tolerância
Em 2025, o limite de faturamento anual do MEI permanece em R$ 81 mil. Contudo, a legislação permite uma margem de tolerância de 20%, elevando o valor para até R$ 97.200 ao ano — o que equivale a R$ 8.100 por mês.
Essa margem é válida para situações em que o empreendedor ultrapassa o limite pontualmente e não intencionalmente. Acima desse valor, o MEI é obrigado a se desenquadrar do regime e migrar para outra categoria empresarial, como a Microempresa (ME).
O que acontece se o MEI ultrapassar o limite de faturamento?
Consequências e obrigatoriedades legais
O desenquadramento do MEI pode ocorrer de forma automática ou por comunicação voluntária do empreendedor. Veja abaixo o que pode acontecer de acordo com o valor faturado:
Até R$ 97,2 mil
Se o faturamento exceder os R$ 81 mil, mas não ultrapassar os R$ 97,2 mil, o MEI deverá:
- Pagar retroativamente os tributos como ME (Simples Nacional) sobre o valor que ultrapassar os R$ 81 mil;
- Continuar como MEI até o final do ano-calendário vigente;
- Solicitar o desenquadramento a partir do ano seguinte.
Acima de R$ 97,2 mil
Caso o MEI ultrapasse a margem de tolerância:
- Perde o enquadramento como MEI imediatamente;
- O CNPJ é automaticamente transferido para o regime de Microempresa;
- Todos os tributos passam a ser calculados pelo Simples Nacional com alíquotas maiores;
- Deve-se regularizar a situação junto à Receita Federal e atualizar a contabilidade.
Em ambos os casos, é obrigatório emitir notas fiscais e manter os registros organizados para eventual fiscalização.
Aumento do limite de faturamento: o que está em debate?

Proposta de reajuste para R$ 130 mil anuais
Atualmente, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021, que propõe o aumento do teto de faturamento do MEI para R$ 130 mil anuais.
Esse reajuste é uma demanda antiga dos empreendedores e entidades de classe, que argumentam que o limite atual não reflete mais a realidade econômica do país, especialmente diante da inflação acumulada nos últimos anos.
Benefícios do novo limite
- Permite ao microempreendedor expandir suas atividades sem sair do regime;
- Reduz a informalidade, ao evitar que pequenos empresários deixem de emitir notas para não ultrapassar o teto;
- Gera maior arrecadação para o governo, já que mais empreendedores continuarão formalizados;
- Possibilita a contratação de até dois funcionários, incentivando a geração de empregos.
Apesar do apoio político e empresarial, a proposta ainda não foi aprovada e segue em análise nas comissões.
Diferença entre MEI, ME e EPP
O que muda na transição entre os regimes
Ao ultrapassar o limite do MEI, o empreendedor deve migrar para uma das seguintes categorias:
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Microempresa (ME)
- Faturamento anual de até R$ 360 mil;
- Tributação pelo Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real;
- Obrigações acessórias mais complexas;
- Possibilidade de contratação de mais funcionários.
Empresa de Pequeno Porte (EPP)
- Faturamento entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões;
- Enquadramento tributário semelhante ao da ME;
- Mais burocracia e carga tributária mais elevada.
Essa transição exige o apoio de um contador, planejamento financeiro e organização documental. Por isso, muitos MEIs evitam esse passo, o que pode limitar o crescimento do negócio.
Como se preparar para não ultrapassar o limite?

Boas práticas de gestão e controle financeiro
A melhor forma de evitar surpresas com o faturamento é manter uma gestão financeira organizada. Algumas dicas incluem:
- Registrar todas as vendas, mesmo as informais;
- Emitir notas fiscais para acompanhar a receita mensal;
- Utilizar aplicativos de gestão financeira para MEIs;
- Reavaliar preços e estratégias de venda para manter o crescimento sustentável.
Além disso, é importante contar com orientação contábil, especialmente para empreendedores que já se aproximam do limite permitido.
O futuro do MEI no Brasil
Expansão, formalização e apoio aos pequenos negócios
O MEI tem se consolidado como uma das principais políticas públicas de formalização de pequenos empreendedores. Em 2024, segundo o Sebrae, mais de 15 milhões de brasileiros estavam registrados como MEI — número que tende a crescer ainda mais caso o novo limite de R$ 130 mil seja aprovado.
O futuro do MEI depende de políticas públicas que acompanhem a evolução econômica do país. A flexibilização do limite de faturamento e a ampliação de benefícios são passos fundamentais para que o Brasil continue incentivando a formalização e o crescimento de pequenos negócios.
Conclusão
O limite de faturamento do MEI é uma das principais preocupações dos pequenos empreendedores no Brasil. Ultrapassá-lo pode significar custos mais altos, aumento de burocracia e mudanças na forma de operar o negócio. Por isso, entender como funciona o regime, quais são as consequências do desenquadramento e como se preparar para o crescimento é essencial.
As discussões sobre o aumento do teto para R$ 130 mil são um sinal de que o modelo do MEI pode se tornar ainda mais inclusivo e eficiente. Com planejamento e informação, o microempreendedor pode crescer de forma segura, sem abrir mão dos benefícios da formalização.
Imagem: Freepik e Canva
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