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Limite de faturamento do MEI: entenda o que acontece se ultrapassar

Entenda as consequências para o MEI ao ultrapassar o limite de faturamento em 2025 e as propostas de aumento para R$ 130 mil anuais.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
MEI

O regime do Microempreendedor Individual (MEI) foi criado para formalizar pequenos negócios no Brasil, permitindo que milhões de brasileiros saiam da informalidade e conquistem estabilidade jurídica e previdenciária. Mas com o crescimento de seus empreendimentos, muitos MEIs acabam se aproximando ou mesmo ultrapassando o limite de faturamento anual estabelecido por lei.

Em 2025, esse limite continua sendo de R$ 81 mil anuais, com uma margem de tolerância de até 20% — ou seja, R$ 97,2 mil. O que poucos empreendedores sabem, porém, é o que realmente acontece ao ultrapassar esse teto, e como isso afeta o negócio.

Neste artigo, vamos explicar detalhadamente o que ocorre quando o MEI ultrapassa o limite de faturamento, as possíveis penalidades, as propostas para elevar esse teto e o futuro do MEI no cenário econômico brasileiro.

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O que é o MEI e quais são suas vantagens?

Imagem: Freepik e Canva

Regime simplificado e benefícios ao trabalhador autônomo

Criado pela Lei Complementar nº 128/2008, o MEI visa desburocratizar o processo de formalização de pequenos empreendedores, com regime tributário simplificado, carga reduzida de impostos e acesso a benefícios previdenciários.

O MEI paga uma contribuição mensal que varia entre R$ 70 e R$ 80, dependendo da atividade exercida. Em troca, tem direito a:

  • Aposentadoria por idade
  • Auxílio-doença
  • Salário-maternidade
  • Emissão de notas fiscais
  • Abertura de conta bancária empresarial
  • Acesso a crédito com juros reduzidos

Contudo, esse modelo tem como condição principal um teto de faturamento, que atualmente limita o crescimento de muitos negócios.


Limite de faturamento do MEI em 2025

Valor atual e margem de tolerância

Em 2025, o limite de faturamento anual do MEI permanece em R$ 81 mil. Contudo, a legislação permite uma margem de tolerância de 20%, elevando o valor para até R$ 97.200 ao ano — o que equivale a R$ 8.100 por mês.

Essa margem é válida para situações em que o empreendedor ultrapassa o limite pontualmente e não intencionalmente. Acima desse valor, o MEI é obrigado a se desenquadrar do regime e migrar para outra categoria empresarial, como a Microempresa (ME).


O que acontece se o MEI ultrapassar o limite de faturamento?

Consequências e obrigatoriedades legais

O desenquadramento do MEI pode ocorrer de forma automática ou por comunicação voluntária do empreendedor. Veja abaixo o que pode acontecer de acordo com o valor faturado:

Até R$ 97,2 mil

Se o faturamento exceder os R$ 81 mil, mas não ultrapassar os R$ 97,2 mil, o MEI deverá:

  • Pagar retroativamente os tributos como ME (Simples Nacional) sobre o valor que ultrapassar os R$ 81 mil;
  • Continuar como MEI até o final do ano-calendário vigente;
  • Solicitar o desenquadramento a partir do ano seguinte.

Acima de R$ 97,2 mil

Caso o MEI ultrapasse a margem de tolerância:

  • Perde o enquadramento como MEI imediatamente;
  • O CNPJ é automaticamente transferido para o regime de Microempresa;
  • Todos os tributos passam a ser calculados pelo Simples Nacional com alíquotas maiores;
  • Deve-se regularizar a situação junto à Receita Federal e atualizar a contabilidade.

Em ambos os casos, é obrigatório emitir notas fiscais e manter os registros organizados para eventual fiscalização.


Aumento do limite de faturamento: o que está em debate?

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Proposta de reajuste para R$ 130 mil anuais

Atualmente, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021, que propõe o aumento do teto de faturamento do MEI para R$ 130 mil anuais.

Esse reajuste é uma demanda antiga dos empreendedores e entidades de classe, que argumentam que o limite atual não reflete mais a realidade econômica do país, especialmente diante da inflação acumulada nos últimos anos.

Benefícios do novo limite

  • Permite ao microempreendedor expandir suas atividades sem sair do regime;
  • Reduz a informalidade, ao evitar que pequenos empresários deixem de emitir notas para não ultrapassar o teto;
  • Gera maior arrecadação para o governo, já que mais empreendedores continuarão formalizados;
  • Possibilita a contratação de até dois funcionários, incentivando a geração de empregos.

Apesar do apoio político e empresarial, a proposta ainda não foi aprovada e segue em análise nas comissões.


Diferença entre MEI, ME e EPP

O que muda na transição entre os regimes

Ao ultrapassar o limite do MEI, o empreendedor deve migrar para uma das seguintes categorias:

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Microempresa (ME)

  • Faturamento anual de até R$ 360 mil;
  • Tributação pelo Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real;
  • Obrigações acessórias mais complexas;
  • Possibilidade de contratação de mais funcionários.

Empresa de Pequeno Porte (EPP)

  • Faturamento entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões;
  • Enquadramento tributário semelhante ao da ME;
  • Mais burocracia e carga tributária mais elevada.

Essa transição exige o apoio de um contador, planejamento financeiro e organização documental. Por isso, muitos MEIs evitam esse passo, o que pode limitar o crescimento do negócio.


Como se preparar para não ultrapassar o limite?

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Imagem: Freepik e Canva

Boas práticas de gestão e controle financeiro

A melhor forma de evitar surpresas com o faturamento é manter uma gestão financeira organizada. Algumas dicas incluem:

  • Registrar todas as vendas, mesmo as informais;
  • Emitir notas fiscais para acompanhar a receita mensal;
  • Utilizar aplicativos de gestão financeira para MEIs;
  • Reavaliar preços e estratégias de venda para manter o crescimento sustentável.

Além disso, é importante contar com orientação contábil, especialmente para empreendedores que já se aproximam do limite permitido.


O futuro do MEI no Brasil

Expansão, formalização e apoio aos pequenos negócios

O MEI tem se consolidado como uma das principais políticas públicas de formalização de pequenos empreendedores. Em 2024, segundo o Sebrae, mais de 15 milhões de brasileiros estavam registrados como MEI — número que tende a crescer ainda mais caso o novo limite de R$ 130 mil seja aprovado.

O futuro do MEI depende de políticas públicas que acompanhem a evolução econômica do país. A flexibilização do limite de faturamento e a ampliação de benefícios são passos fundamentais para que o Brasil continue incentivando a formalização e o crescimento de pequenos negócios.


Conclusão

O limite de faturamento do MEI é uma das principais preocupações dos pequenos empreendedores no Brasil. Ultrapassá-lo pode significar custos mais altos, aumento de burocracia e mudanças na forma de operar o negócio. Por isso, entender como funciona o regime, quais são as consequências do desenquadramento e como se preparar para o crescimento é essencial.

As discussões sobre o aumento do teto para R$ 130 mil são um sinal de que o modelo do MEI pode se tornar ainda mais inclusivo e eficiente. Com planejamento e informação, o microempreendedor pode crescer de forma segura, sem abrir mão dos benefícios da formalização.

Imagem: Freepik e Canva

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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