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MEI pode ganhar regra de transição para quem ultrapassar o teto de faturamento

Governo prepara proposta para elevar o limite do MEI com menor impacto fiscal. Entenda o que pode mudar para os empreendedores.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
MEI pode ganhar regra de transição para quem ultrapassar o teto de faturamento

O limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) permanece em R$ 81 mil por ano desde 2018. Durante esse período, a inflação acumulada, o aumento dos custos operacionais e o crescimento de diversos setores da economia fizeram com que muitos empreendedores passassem a considerar o teto atual insuficiente para a realidade dos pequenos negócios.

Diante desse cenário, o governo federal estuda uma alternativa para atualizar as regras do regime simplificado sem provocar um impacto excessivo nas contas públicas. A discussão ocorre em paralelo à tramitação de projetos no Congresso Nacional que propõem mudanças mais amplas para o MEI e para empresas enquadradas no Simples Nacional.

A expectativa é que uma nova proposta seja apresentada nos próximos dias pelos ministérios envolvidos na discussão econômica e no incentivo ao empreendedorismo.

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Por que o limite do MEI virou alvo de debate

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Quando o teto anual de R$ 81 mil foi definido, ele representava uma realidade diferente da atual. Desde então, o valor não recebeu correção monetária, apesar da inflação acumulada ao longo dos anos.

Na prática, muitos microempreendedores acabam enfrentando dificuldades para permanecer no regime. Um pequeno aumento nas vendas pode levar ao desenquadramento, obrigando o empresário a migrar para outra categoria tributária com custos significativamente maiores.

Esse cenário é frequentemente apontado por entidades ligadas ao empreendedorismo como um dos fatores que limitam o crescimento de pequenos negócios formalizados.

Além disso, diversos profissionais que atuam como MEI relatam que precisam controlar o volume de vendas para evitar ultrapassar o limite anual, o que pode restringir oportunidades de expansão.

O que prevê o projeto já aprovado pelo Senado

Uma das propostas em análise no Congresso já recebeu aprovação do Senado e prevê mudanças importantes para os microempreendedores.

Entre os principais pontos estão:

  • Elevação do limite anual de faturamento de R$ 81 mil para R$ 130 mil;
  • Possibilidade de contratação de até dois empregados;
  • Ampliação da capacidade operacional dos pequenos negócios.

Hoje, o MEI pode contratar apenas um funcionário registrado. Para muitos empreendedores que atuam em setores como alimentação, comércio, serviços de manutenção e beleza, a contratação de um segundo empregado poderia facilitar a expansão das atividades.

A proposta foi recebida com expectativa positiva por parte de representantes do setor produtivo, que defendem uma atualização das regras após anos sem reajustes.

O que preocupa a equipe econômica

Apesar do apoio de parte do Congresso e do setor empresarial, o avanço das mudanças enfrenta resistência dentro da equipe econômica.

O principal motivo é o impacto fiscal.

Além da proposta aprovada pelo Senado, existem discussões na Câmara dos Deputados que ampliariam os benefícios para outras categorias empresariais. Entre as sugestões está a atualização automática dos limites de faturamento com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Segundo estimativas avaliadas pelo governo, uma ampliação mais abrangente poderia gerar uma redução significativa na arrecadação federal, alcançando dezenas de bilhões de reais por ano.

Diante desse cenário, o objetivo da área econômica é encontrar uma solução que incentive o empreendedorismo sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.

Qual alternativa está sendo estudada pelo governo

A principal ideia analisada atualmente envolve a criação de uma transição gradual para os empreendedores que ultrapassarem o limite do MEI.

Em vez de perder imediatamente os benefícios do regime simplificado ao superar o teto de faturamento, o empresário passaria por uma espécie de fase intermediária.

Nesse modelo, os benefícios tributários seriam reduzidos gradualmente conforme o faturamento aumentasse.

A medida busca resolver um problema frequentemente apontado por especialistas: o chamado “efeito degrau”.

O que é o efeito degrau

O efeito degrau ocorre quando uma empresa ultrapassa o limite permitido para permanecer no MEI e passa a enfrentar uma carga tributária muito maior em um curto espaço de tempo.

Imagine um empreendedor que fatura R$ 81 mil por ano. Caso suas receitas aumentem ligeiramente acima do limite permitido, ele pode ser obrigado a mudar de enquadramento tributário, assumindo novas obrigações fiscais e custos mais elevados.

Para muitos negócios, essa mudança brusca gera insegurança e dificulta o planejamento financeiro.

A proposta em estudo pretende suavizar essa transição, permitindo um crescimento mais sustentável.

O governo pretende alterar o Simples Nacional?

Pelo menos neste momento, a intenção do governo é evitar mudanças amplas no Simples Nacional.

Atualmente, os limites são:

  • Microempresa: faturamento anual de até R$ 360 mil;
  • Empresa de Pequeno Porte (EPP): faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.

Modificar esses valores exigiria uma discussão mais complexa, especialmente porque o país ainda está implementando as mudanças relacionadas à reforma tributária.

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Por esse motivo, a tendência é que eventuais ajustes se concentrem inicialmente no universo dos microempreendedores individuais.

Como a reforma tributária influencia essa discussão

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A reforma tributária aprovada nos últimos anos trouxe uma série de mudanças para o sistema de arrecadação brasileiro.

Embora o foco principal esteja na simplificação dos tributos sobre consumo, o tema também influencia debates envolvendo pequenos negócios.

O governo busca evitar que alterações simultâneas em diversos regimes tributários gerem impactos difíceis de calcular durante o período de transição da reforma.

Por isso, a estratégia atual parece ser a adoção de medidas pontuais, com custos mais controlados para o orçamento federal.

PEC da escala 6×1 abriu espaço para medidas transitórias

Outro elemento que entrou na discussão foi o texto final da proposta relacionada ao fim da escala 6×1.

O documento deixou aberta a possibilidade de criação de regras transitórias para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte por meio de legislação complementar.

Essas medidas poderão estar vinculadas à manutenção dos empregos gerados pelos negócios beneficiados.

Na prática, isso cria uma base legal para que o governo apresente mecanismos de adaptação gradual para empresas em crescimento, sem necessidade de promover alterações mais amplas no sistema tributário neste momento.

O que muda para quem já é MEI

Por enquanto, nenhuma alteração entrou em vigor.

O limite anual continua em R$ 81 mil e as regras atuais permanecem válidas para todos os microempreendedores individuais.

Quem já atua como MEI deve continuar observando:

  • Limite de faturamento anual de R$ 81 mil;
  • Contratação de apenas um empregado;
  • Pagamento mensal do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS);
  • Exercício de atividades permitidas pelo regime.

Qualquer mudança dependerá da aprovação de projetos no Congresso e da definição final do governo sobre o modelo que pretende adotar.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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