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MEI pode contratar mais funcionários e ter novo teto com debate da 6×1

Debate sobre o fim da escala 6x1 pode ampliar limite do MEI e permitir contratação de mais funcionários. Veja o que muda.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
MEI

O debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil abriu espaço para uma mudança importante nas regras do MEI. Além da proposta de redução da jornada de trabalho para empregados formais, parlamentares discutem medidas compensatórias para os microempreendedores individuais, incluindo aumento do limite de faturamento e autorização para contratar mais funcionários.

A proposta ganhou força após declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que defendeu ajustes nas regras do microempreendedor individual diante da possível redução da jornada semanal de trabalho.

O que pode mudar?

Leia mais: Prazo da declaração anual do MEI está terminando

As discussões no Congresso envolvem duas alterações centrais:

Aumento do número de funcionários

Atualmente, o MEI pode contratar apenas um empregado registrado, recebendo até um salário mínimo ou o piso salarial da categoria.

Com as novas propostas em discussão, o microempreendedor poderá contratar até dois funcionários. Em algumas articulações políticas, há parlamentares defendendo flexibilização ainda maior dependendo do setor econômico.

Na prática, isso beneficiaria segmentos como:

  • Salões de beleza;
  • Pequenos restaurantes;
  • Lojas de bairro;
  • Oficinas;
  • Prestadores de serviços;
  • Delivery e alimentação;
  • Pequenos comércios familiares.

Para muitos MEIs, a limitação atual impede expansão do negócio sem necessidade de migração para outra categoria empresarial.

Novo limite de faturamento anual

Outra mudança em debate envolve o teto de receita bruta anual.

Hoje, o MEI tradicional possui limite de faturamento de R$ 81 mil por ano, equivalente a média mensal de R$ 6.750.

Já o MEI Caminhoneiro possui teto diferenciado de R$ 251,6 mil anuais.

Os parlamentares avaliam elevar o limite do MEI comum para:

  • R$ 130 mil anuais, conforme o PLP 108/2021 já aprovado no Senado;
  • Ou R$ 145 mil anuais, segundo outro projeto em análise na Câmara.

A proposta de R$ 145 mil ainda prevê atualização automática anual pelo IPCA, índice oficial da inflação.

Por que o debate surgiu?

A discussão ganhou força paralelamente à tramitação da PEC do fim da escala 6×1.

A proposta prevê:

  • Dois dias de descanso por semana;
  • Preferência por folga aos domingos;
  • Manutenção do salário atual;
  • Período de transição de um ano.

A avaliação de parte dos parlamentares é que pequenos empresários poderiam enfrentar aumento de custos trabalhistas para cumprir as novas jornadas.

Nesse cenário, ampliar as regras do MEI seria uma forma de compensação econômica e estímulo à contratação formal.

Como funciona?

O MEI foi criado para formalizar pequenos empreendedores com menos burocracia e tributação reduzida.

A categoria permite atuação simplificada para milhares de profissionais autônomos e pequenos negócios.

Quais são as vantagens?

Entre os principais benefícios estão:

Pagamento simplificado de impostos

O empreendedor paga tributos em guia única mensal por meio do DAS.

Acesso a benefícios do INSS

O MEI tem acesso a:

  • Aposentadoria;
  • Auxílio-doença;
  • Salário-maternidade;
  • Pensão por morte;
  • Auxílio-reclusão para dependentes.

Facilidade para emitir nota fiscal

A formalização permite prestar serviços para empresas e órgãos públicos.

Acesso facilitado ao crédito

Bancos públicos e privados oferecem linhas específicas para MEIs, com taxas geralmente menores.

O que acontece?

Hoje, quando o empreendedor supera o teto de faturamento permitido, ele pode ser desenquadrado da categoria.

Dependendo do excesso de receita, o negócio passa para o Simples Nacional como microempresa.

Isso normalmente aumenta:

  • Tributação;
  • Obrigações fiscais;
  • Custos contábeis;
  • Exigências burocráticas.

Por isso, o aumento do teto é defendido por entidades ligadas ao empreendedorismo.

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Quem seria beneficiado?

As mudanças podem atingir diretamente milhões de brasileiros.

Os setores mais beneficiados seriam:

  • Alimentação;
  • Beleza e estética;
  • Transporte;
  • Comércio;
  • Serviços digitais;
  • Manutenção e reparos;
  • Moda e confecção.

Empreendedores que hoje operam próximos do limite de R$ 81 mil também poderiam crescer sem necessidade imediata de mudança tributária.

Mudanças ainda não estão valendo

Apesar da repercussão, as alterações ainda não foram aprovadas.

Além disso, o aumento do limite do MEI deve ocorrer por projeto de lei complementar, enquanto as alterações da jornada de trabalho dependem da PEC do fim da escala 6×1.

Ou seja, os dois temas caminham paralelamente, embora tenham relação política e econômica.

O que o empreendedor deve fazer agora?

Enquanto as mudanças não entram em vigor, especialistas recomendam que o MEI continue seguindo as regras atuais.

Isso inclui:

  • Respeitar o teto de faturamento vigente;
  • Não contratar mais de um funcionário;
  • Manter o pagamento do DAS em dia;
  • Declarar corretamente a receita anual.

Também é importante acompanhar as discussões no Congresso, já que as mudanças podem impactar diretamente planejamento financeiro, expansão do negócio e contratação de funcionários.

Perspectiva para os próximos meses

A expectativa é de intensificação do debate no segundo semestre de 2026.

O tema divide opiniões entre representantes do setor produtivo, sindicatos e parlamentares, principalmente pelos impactos econômicos da redução da jornada de trabalho.

Caso aprovadas, as mudanças podem representar uma das maiores reformulações da categoria desde sua criação.

Considerações finais

O debate sobre o fim da escala 6×1 abriu espaço para mudanças relevantes nas regras do MEI. Entre as principais propostas estão o aumento do limite de faturamento anual e a possibilidade de contratação de mais funcionários.

Embora as alterações ainda dependam de aprovação legislativa, o tema já mobiliza milhões de pequenos empreendedores brasileiros que buscam ampliar operações sem perder os benefícios da categoria.

A possível atualização das regras também reflete uma tentativa de adaptação do mercado de trabalho às novas discussões sobre jornada, produtividade e geração de emprego no Brasil.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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