Muitos profissionais começam sua jornada no mercado de trabalho com a carteira assinada, seguindo os passos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e, com o tempo, migram para o empreendedorismo, formalizando-se como Microempreendedor Individual (MEI). Essa mudança gera uma dúvida frequente: é possível somar o tempo de contribuição como empregado com o tempo de contribuição como MEI para fins de aposentadoria?
Quem é MEI pode acrescentar o tempo de carteira assinada para se aposentar? Entenda
Aprenda a somar o tempo de trabalho na CLT e como MEI para garantir uma aposentadoria mais segura.
A resposta é sim! O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) permite que o tempo de contribuição de ambas as modalidades seja somado, desde que o registro e as contribuições sejam feitas corretamente. No entanto, entender como essa soma funciona é essencial para garantir que o tempo de trabalho seja aproveitado da melhor forma possível, além de assegurar que o valor da aposentadoria seja justo.
Neste artigo, vamos explicar como funciona essa soma de contribuições, os benefícios e as obrigações de cada modalidade, e como você pode garantir uma aposentadoria mais vantajosa ao longo do tempo.
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Como funciona a contribuição no MEI e na CLT
A contribuição como MEI
O Microempreendedor Individual paga uma contribuição simplificada ao INSS por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS). A alíquota é de 5% do salário mínimo, o que garante acesso a benefícios como a aposentadoria por idade, salário-maternidade, auxílio-doença e pensão por morte. Contudo, esse valor não garante a aposentadoria por tempo de contribuição e, em muitos casos, limita o valor do benefício à faixa do salário mínimo.
A contribuição na CLT
Como empregado CLT, a contribuição para o INSS ocorre automaticamente, com um desconto sobre o salário. Além disso, a empresa também realiza uma contribuição. Nesse caso, os benefícios garantidos são mais amplos e incluem aposentadoria por tempo de contribuição, aposentadoria por invalidez, auxílio-doença, entre outros. Essa contribuição não possui o risco de ser esquecida, já que é descontada diretamente do salário.
Diferenças nas alíquotas e benefícios
| Modalidade | Forma de Pagamento | Alíquota | Benefícios Garantidos | Observação Importante |
|---|---|---|---|---|
| MEI | Documento DAS | 5% do salário mínimo | Aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade, pensão por morte | Para aposentadoria por tempo de contribuição, é necessário complementar a contribuição. |
| CLT | Desconto do salário | De acordo com o salário | Todos os benefícios previdenciários | Contribuição automática, sem risco de esquecimento |
Passo a Passo para somar o tempo de contribuição
1. Verifique o seu tempo acumulado
A primeira etapa para somar o tempo de CLT com o tempo de MEI é conferir os registros do seu tempo de contribuição. Isso pode ser feito através do extrato do CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), disponível no aplicativo Meu INSS. Esse documento vai detalhar todos os períodos de contribuição, tanto como empregado quanto como MEI.
2. Complementação de contribuição
O MEI pode complementar sua contribuição ao INSS, pagando uma alíquota adicional de 15% do salário mínimo, alcançando assim a alíquota de 20%. Isso é fundamental caso o microempreendedor deseje garantir a aposentadoria por tempo de contribuição ou receber um valor acima de 1 salário mínimo.
3. Planeje sua aposentadoria com antecedência
Quanto mais cedo você começar a planejar a aposentadoria, melhores serão as condições para alcançar o benefício desejado. Estudar as regras de transição da reforma da previdência e consultar um especialista em planejamento previdenciário pode ser essencial para garantir que você não perca nenhum benefício ao longo do caminho.
Exemplos práticos de como somar o tempo de contribuição

Exemplo 1: CLT + MEI
Imaginemos que um trabalhador tenha contribuído por 10 anos na CLT e, posteriormente, tenha atuado como MEI por 10 anos. Nesse caso, o INSS somará os 20 anos de contribuição, garantindo que esse trabalhador possa se aposentar por tempo de contribuição e ter acesso a um benefício superior ao salário mínimo, caso tenha realizado a complementação.
Exemplo 2: Somando com Regime Próprio de Previdência
Caso o trabalhador tenha passado a contribuir para o Regime Próprio de Previdência (RPPS), por exemplo, como servidor público, o tempo de contribuição como MEI também pode ser somado. Nesse caso, o MEI precisará comprovar sua atividade como autônomo, por meio de documentos fiscais, e realizar o pagamento da contribuição adicional de 20%.
Vale a pena complementar a contribuição do MEI?
Como funciona a complementação
Embora a contribuição padrão de 5% do salário mínimo seja uma vantagem por ser mais barata, ela limita o acesso a benefícios mais amplos, como a aposentadoria por tempo de contribuição. Ao complementar a contribuição para 20%, o MEI pode:
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- Aposentar-se por tempo de contribuição.
- Ter direito a um valor de aposentadoria mais alto, podendo chegar ao teto do INSS, que em 2025 é de R$ 8.157,41.
Quando a complementação é vantajosa
A complementação faz sentido principalmente quando:
- O trabalhador deseja garantir uma aposentadoria maior do que o salário mínimo.
- O trabalhador quer utilizar o tempo de contribuição como MEI para atingir a aposentadoria por tempo de contribuição.
- A pessoa se aproxima da idade mínima para aposentadoria e deseja atingir a quantidade de pontos exigida.
O que fazer em caso de atraso no pagamento das contribuições
Consequências do pagamento atrasado
Se as contribuições não forem pagas em dia, o MEI perde a qualidade de segurado, o que pode prejudicar a carência necessária para obter benefícios como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade. Além disso, haverá a cobrança de juros, multa e correção monetária, o que aumenta significativamente o custo do pagamento atrasado.
Como regularizar as contribuições
Caso o MEI atrase o pagamento das contribuições, é possível regularizar a situação diretamente pelo Portal do Empreendedor. No entanto, o ideal é evitar que isso aconteça, pois o pagamento em atraso pode não contar para a carência exigida para a concessão de benefícios.
Vale a pena pagar o INSS retroativo?

Pagar as contribuições em atraso pode ser vantajoso em alguns casos, mas nem sempre. A decisão de pagar o INSS retroativo deve ser feita com cautela, considerando os custos e os benefícios de cada situação. Consultar um especialista em planejamento previdenciário pode ajudar a tomar a melhor decisão.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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